Em entrevista ao canal de YouTube "Podpah", os ex-jogadores Vampeta e Edílson "Capetinha", ambos pentacampeões com a seleção brasileira na Copa do Mundo 2002, lembraram um interessante "causo" ocorrido durante o torneio na Coreia do Sul e Japão.
Inicialmente, Vampeta recordou os times que costumavam trabalhar nos coletivos do técnico Luiz Felipe Scolari durante o Mundial, e relatou que alguns titulares estavam um tanto "acomodados" por terem posições asseguradas no 11 inicial.
"Na seleção, o Felipão jogava com três zagueiros: Edmílson, Roque Jr. e Lúcio. No time reserva, eu treinava de zagueiro. A escalação era: Dida; Beletti, Vampeta, Anderson Polga e Júnior; Ricardinho, Juninho Paulista e Kaká; Edílson, Denílson e Luizão. O time reserva era, como a gente fala na gíria do futebol, o Banguzinho. E o Banguzinho ganhava os coletivos do time titular, porque, no titular, todo mundo sabe que vai jogar. Então, Ronaldo não vai correr atrás de ninguém, nem Roberto Carlos...", brincou o ex-volante.
"Aí, antes da semifinal, o Felipão falou assim: 'Murtosa, arma o time reserva igual à Turquia dos vídeos que a gente viu'. Começou o coletivo e o time reserva estava metendo 3 a 0 no treino. Chegou o Felipão, naquela elegância dele, e disparou: 'Se for desse jeito, nós estamos f***!'", exclamou.
"Aí teve mais um treino e o Felipão falou: 'Agora eu vou começar a escalar por desempenho no treino. Luizão, você vai para o time titular, e Ronaldo Nazário', que é como o Felipão o chamava, 'vai para o reserva'", recordou Vampeta.
"Durante o treino, eu tive que marcar o Luizão, porque eu era zagueiro dos reservas. Em um momento, falei para ele: 'Você está achando que vai jogar no lugar do Ronaldo?'. Ele me perguntou: 'Pô, você acha que não tem chance?'. E eu mandei a real: 'Você está louco, isso é só para motivar o cara'" (risos)", gargalhou o ex-meio-campista.
Segundo a dupla pentacampeã, a estratégia funcionou, já que o "Fenômeno" arrebentou no treino, "recuperou" sua posição de titular e decidiu tanto a semifinal contra a Turquia como a final contra a Alemanha.
"No time reserva, o Ronaldo tinha Denílson e Edílson de companheiros de ataque, e foram enfrentar Lúcio, Edmílson e Roque. O Ronaldo tinha aquela jogada dele que ele dava o tapa na frente e parava, aí quando os caras achavam que ele ia parar, ele arrancava de novo, e aí já era. E driblava Lúcio, e driblava Edmílson...", rememorou Vampeta, aos risos, antes de Edílson completar.
"E ele não precisava de ninguém ajudando, não. Resolvia sozinho", finalizou o "Capetinha".
R9 terminou a Copa do Mundo 2002 como artilheiro, com 8 gols. Ele marcou em todas as partidas da competição, com exceção das quartas de final contra a Inglaterra.
