O Red Bull Bragantino é como uma avalanche! O time feminino começou suas atividades em março de 2020, já disputa a primeira divisão do Campeonato Paulista de 2021 e começará, neste final de semana, o confronto da semifinal da segunda divisão do Campeonato Brasileiro com vaga garantida na elite de 2022. E tudo isto com um ataque alucinante e sob a batuta da técnica Camilla Orlando.
Ela é a primeira e única, até aqui, comandante da equipe paulista, que na última terça-feira (10) estreou com vitória por 3 a 0 sobre o Pinda-SC no estadual e neste domingo (15), às 10h (horário de Brasília), encara o Esmac-PA em Belém pela ida da semi - do outro lado estão Cresspom-DF e Atlético-MG, os quatro já garantiram o acesso, enquanto os rebaixados são Botafogo, Minas-Brasília, Napoli-SC e Bahia.
Logo em sua primeira empreitada, o Paulista de 2020, Camilla levou o time à semifinal, fase em que o mesmo foi batido pela Ferroviária, mas conseguiu com a campanha lugar na Série A2 do Brasileiro deste ano.
“Fazer parte desse projeto desde o começo é realmente a realização de um sonho. Lutamos muito para que o futebol feminino se tornasse profissional e hoje consigo colocar esse clube no melhor nível possível. É marcante e tenho certeza que será inesquecível. Eu falo para as atletas que daqui 10 anos vamos ver notícias e saber que fizemos parte dessa história. Estamos vivendo uma transformação, graças a muita gente que lutou para isso”, disse ela em entrevista exclusiva à ESPN Brasil, reforçando a luta que tem sido para que a modalidade tenha protagonismo no Brasil também com as mulheres.
Camila é formada em Educação Física na Universidade de Brasília (UNB) e também estudou na Lincoln Memorial University, nos Estados Unidos. Atuou como atleta na Liga Universitária dos Estados Unidos, a NCAA, e por isto sabe diferenciar bem o futebol praticado na América do Norte em relação ao do Brasil. E contou como essa experiência fora contribui para treinar o Red Bull Bragantino.
“Lá fora é um jogo mais físico. As meninas têm oportunidades de se desenvolver desde crianças, tendo acesso ao futebol e outras modalidades, por conta disso, a parte física delas é um diferencial. Tento trazer essa parte do jogo físico, a intensidade o tempo inteiro. Tento trazer um pouco dessa mobilidade. Aqui somos mais técnicas, temos muita criatividade, então, é juntar isso com uma parte física mais ofensiva. Para jogar futebol, é preciso pensamento rápido, leitura rápida e temos tudo isso nas nossas atletas. Além de que o futebol é algo muito cultural nosso”, afirmou.
A equipe paulista tem um setor ofensivo avassalador. São 33 gols em 9 jogos, média de 3,66 por duelo, sendo duas goleadas por 7 a 0 na fase de grupos - como comparação, o Palmeiras, que tem o melhor ataque da Série A, soma 45 tentos em 15 apresentações, logo, média de 3 por confronto.
Camilla deixou claro que isto é resultado da filosofia de trabalho implantada.
“É uma marca do clube, esse jogo agressivo, ofensivo. É uma alegria conseguir refletir isso dentro de campo, pois reflete a ideia da comissão, das atletas, da empresa.”
A técnica também falou sobre como é trabalhar em um clube-empresa - antes, ela esteve no Internacional, de realidade diferente.
“Você trabalhar em um clube empresa, onde realmente tem uma função, um direcionamento... Você ser cobrado apenas por isso e ser avaliado apenas pelas suas capacidades profissionais. Todo esse desejo não só por vitórias, mas por performance para desenvolver atletas. Dá tranquilidade trabalhar em um clube que investe de verdade na modalidade. Aqui não falta nada para nós. O que falta é o que iremos conquistar com o tempo. Estamos fazendo parte desse início e tem muito para ser conquistado com a nossa dedicação", disse.
O sucesso em campo também traz algumas dificuldades, como passar a jogar duas vezes por semana agora, juntando Brasileiro da segunda divisão e o Paulista, e ainda encarar equipes mais qualificadas.
“Vai ser intenso. Vai ser uma oportunidade nova de jogar quarta e domingo e vivenciar a tensão, estratégias e momentos dos campeonatos. O Paulistão é um grande campeonato e tenho muito orgulho em participar. Queria ter participado como atleta, não tive oportunidade, e estar como treinadora é emocionante pelo nível dos jogos", começou Camilla Orlando.
A técnica, no entanto, entende como normal a nova situação, não a teme e até a vê como laboratório para 2022.
"Sem dúvida nenhuma é uma previa do que iremos enfrentar ano que vem no Brasileiro [da primeira divisão]. A gente sabe que estamos no início [do projeto]. Temos consciência onde estamos, mas vamos sempre brigar para estar no topo. É ali que queremos estar: com os melhores. Jogar contra jogadoras que estavam nos Jogos Olímpicos. É um campeonato de altíssimo nível. Não é fácil, vamos gastar muita energia para brigar com elas, mas estamos dispostos, pois é ali que queremos estar.”
