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Cuiabá x Corinthians: Jenison superou dispensa de time de Ronaldo Fenômeno e fez DVD antes de brilhar

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O dia em que Renato Augusto caiu no samba: entenda a história por trás do anúncio do Corinthians (1:53)

Será a segunda passagem do meia pelo Corinthians. Renato defendeu o Corinthians de 2013 até 2015. Ele conquistou a Recopa Sul-Americana de 2013 e o Brasileirão de 2015. (1:53)

Adversário do Corinthians pelo Campeonato Brasileiro, nesta segunda-feira, Jenison vive a melhor fase da carreira. Autor de três gols nas últimas quatro partidas do Cuiabá, o atacante superou várias dificuldades e algumas desilusões.

Revelado na base do Paysandu como meio-campista, ele subiu aos profissionais com apenas 17 anos. Depois de três temporadas no clube, foi vendido ao Athletico-PR.

“Atuei algumas vezes no time principal, voltei para o sub-20 e também joguei nos Aspirantes. Naquela época virei centroavante e joguei com vários caras de renome”, disse ao ESPN.com.br.

Em 2013, o atacante viu que não teria chances no "Furacão" e foi jogar para jogar a Série B do Brasileiro pelo Bragantino. Em três meses, participou de poucas partidas e pediu ajuda a Kléberson, volante campeão da Copa do Mundo de 2002, para transferir-se aos Estados Unidos.

“Ele estava no Philadelphia Union-EUA e conseguiu um cara para me ajudar nisso. Fui treinar no time B do Los Angeles Galaxy por 20 dias. Era um sonho pela cidade, os jogadores famosos e a estrutura. Fiz um amistoso contra a seleção dos EUA, mas não deu para ficar lá”, contou.

No time de Ronaldo

Em seguida, Jenison foi para o Fort Lauderdale Strikers-EUA, que pertencia à Traffic, e foi vice-campeão da NASL. Em 2014, Ronaldo Fenômeno comprou o clube e promoveu uma grande reformulação e dispensou vários profissionais.

“Estava muito confiante em permanecer porque nos destacamos, mas saiu do roupeiro até o treinador. Ele trouxe sete jogadores brasileiros e voltei ao Brasil. Foi um momento difícil porque as portas se fecharam”, lamentou.

Depois de ficar três meses sem clube, ele ficou sem opções e foi jogar o Estadual pelo Tapajós-PA, mas a experiência não durou muito tempo.

“O telefone não tocava, era complicado. Pensei várias vezes em desistir porque o dinheiro que havia guardado foi acabando. Tudo que a gente passa faz valer a pena quando você chega em um nível maior”.

No meio de 2015, o atacante foi para o time b do New York Cosmos, equipe dos EUA onde Pelé jogou nos anos 70.

“Foi uma experiência bacana morar lá, mas não era fácil. Eu lembro que fiquei três meses comendo macarrão porque era a única coisa que sabia fazer (risos). Fomos campeões da NPSL, a liga que o time B do Cosmos disputava, e fiz sete gols. Na final tinham mais de 19 mil pessoas no estádio. Era uma atmosfera Incrível”, afirmou.

Nesta época, Jenison treinou com a equipe principal com o volante Marcos Sena e o atacante Raúl González (ex-Real Madrid).

“Foi muito legal conviver com esses caras, o Marcos era um cara fantástico e tinha muita moral. Teve um treino que foi bem engraçado. O pessoal ficava cruzando meia boca e eu não conseguia fazer o gol. Nisso, o Raúl brincou: ‘Você é zagueiro?’ Eu respondi: ‘Não, sou atacante’ (risos)”.

“Ele acertava quase todas e ainda tirou onda comigo (risos). Foi o máximo para mim! Infelizmente foi único contato que tive com ele. Era uma lenda, todos do time gostavam muito dele e queriam tirar fotos para postarem na internet (risos)”.

DVD em editora de casamento

Após o fim de contrato Jenison voltou ao Brasil no fim de agosto e ficou mais um bom tempo sem clube. Ele precisou fazer um vídeo com seus melhores lances para colocar na internet e produzir um DVD.

“Eu procurei uma editora de vídeo de casamentos porque não conhecia caras que faziam vídeos esportivos. Foi engraçado e até hoje dou risada com a minha esposa”, contou.

O jogador só conseguiu se recolocar no mercado no fim de novembro, quando Kléberson o chamou para jogar a elite do Paranaense pelo PSTC, de Londrina, clube que revelou Rafinha, Dagoberto e Fernandinho. A equipe foi semifinalista do Estadual e Jenison se destacou. Depois da competição, ele rodou por J.Malucelli, Vila Nova, Cuiabá e Paraná.

Em 2020, ele se destacou pelo Grêmio Novorizontino no Paulistão – fez um gol no empate por 1 a 1 com o Corinthians – antes de retornar ao Cuiabá para a disputa da Série B.

“Conseguimos subir o time para a Série A do Brasileiro pela primeira vez na história. É um clube que cresceu muito! Neste ano, eu pedi para ser emprestado para jogar o Paulistão de novo pelo Novorizontino por ser um campeonato muito forte”, explicou.

Após o Estadual, ele foi cobiçado pelo Goiás, mas voltou ao Cuiabá para a disputa do Brasileirão.

“Estamos no caminho certo e estamos com confiança depois das vitórias. Nosso ataque está fluindo. Queremos permanecer na Série A porque será muito importante para o clube”.

Para isso, uma vitória na próxima partida é fundamental.

“Vai ser um jogo muito difícil porque o Corinthians tem uma equipe qualificada. Estamos treinando bastante e sabemos que somos muito fortes na Arena Pantanal. Podemos contar com o calor a nosso favor porque os times sofrem quando enfrentam a gente. Vamos fazer de tudo para vencer”, finalizou.