E o caso envolvendo Rogério Caboclo e a denúncia de assédio feita por uma funcionária da CBF ganhou novos capítulos. O programa Esporte Espetacular, da rede Globo, trouxe mais áudios que estão incluídos nas investigações contra o presidente na Comissão de Ética da entidade.
A conversa foi gravada pela própria funcionária no 1º de abril de 2021, três semanas depois de Caboclo ter se dirigido a ela como 'cadelinha' e ter oferecido um biscoito de cachorro durante uma jornada de trabalho na sua residência, em São Paulo. Confira abaixo os trechos.
O dirigente pergunta:
– O que te aborreceu essencialmente? Foi uma conversa que a gente teve em São Paulo?
Ela responde que "não quer falar", mas confirma o motivo. Ele continua:
– Definitivamente as minhas palavras vinham a seu serviço, na minha concepção burra e talvez machista [...]. O que eu queria dizer era larga desse homem, esquece dele, e falei de forma errada.
Ela responde:
– Mas não foi isso, né, Rogério? Você de novo me chamou de cadela do [...] e buscou um biscoito do Paçoca para me dar.
Ele admite:
– Mas foi um erro.
Paçoca é o nome do cachorro do dirigente. Em outro trecho dessa mesma conversa, Rogério Caboclo oferece "ajuda financeira" para a funcionária.
– Não sei se estou invadindo uma coisa que não me pertence, mas assim ela [em referência à irmã da funcionária] me parece ser sua melhor amiga. O que você precisa? Se falar: "Rogério, tô com um problema financeiro". A gente vai resolver. "Rogério, eu tô com um problema de um lapso que eu preciso de um descanso" [...]. Eu aceito qualquer alternativa que você me dê. Desde um auxílio financeiro até um período de folga, mas isso não é o horizonte final daquilo que eu penso em relação a você. Me diz o que mais eu posso fazer ?
Ela responde:
– Nada, nada, nada. Nada. Vai passar. Eu só preciso de um tempo.
Rogério Caboclo enviou uma nota de defesa após novos áudios terem sido divulgados. No texto, o cartola reforça que é inocente e que está sendo vítima de um complô.
"O presidente da entidade não cometeu nenhum tipo de assédio, o que é comprovado por pareceres de alguns dos mais renomados juristas do país. A conversa entre Rogério Caboclo e sua secretária deixa evidente a relação amistosa entre eles. Caboclo demonstra solidariedade com o momento difícil pelo qual a secretária passava, após a perda da mãe e do avô, além do término de um relacionamento. Imaginar que o oferecimento de ajuda naquele momento fosse qualquer tipo de compensação por um suposto problema anterior é descontextualizar os fatos e tentar construir uma imagem equivocada sobre o presidente da CBF. O presidente da CBF não reconhece os termos mencionados pela secretária na gravação, mas reforça que manteve conversas em ambiente informal com a funcionária e, na própria gravação, ele se desculpa por algum comentário que possa tê-la ofendido. Rogério Caboclo ressalta que nunca teve a intenção de ofendê-la ou prejudicá-la".
Caboclo sofre com outra denúncia de assédio, a última feita pelo diretor de tecnologia, Fernando França, que afirma que o presidente da CBF agia de maneira ilícita e repugnante. Segundo França, ele pediu que 'grampeasse, monitorasse e quebrasse sigilo fiscal da funcionária que o denunciou.
Esse episódio teria ocorrido no dia 21 de abril, na casa do presidente afastado da CBF. Caboclo teria dito:
"Você é incompetente, você é o maior leva e traz, você é um candinha [...]. Eu preciso das informações. Uma pessoa não vai poder me desqualificar assim. A minha imagem vale milhões, onde já se viu uma p*** fazer isso comigo? Eu quero saber quem mandou fazer isso. Quem são os traidores? Eu preciso dessa informação", teria dito Caboclo.
A defesa de Rogério Caboclo afirma que o diretor da CBF está mentindo:
"Rogério Caboclo também afirma ser absolutamente mentiroso o depoimento do diretor de Tecnologia da Informação da CBF, Fernando França, sobre o suposto pedido para que se instalasse escutas telefônicas e quebrasse o sigilo de e-mails da funcionária denunciante. Está muito claro que quem tem sido vítima de vazamentos seletivos de escutas e grampos ilegais, noticiados pela imprensa, é justamente Rogério Caboclo, desde 2018, quando foi eleito presidente da CBF", dizia a nota.
A funcionária ainda diz sofrer ameaças de Caboclo. De acordo com ela, Caboclo teria constrangido um outro diretor, para que ele fizesse chegar a ela o recado de que o presidente iria "acabar com a vida profissional" dela.
Em nota enviada por sua defesa, Caboclo negou essa acusação:
"Trata-se de absoluta mentira. O presidente da CBF, Rogério Caboclo, não fez essa ameaça. Pelo contrário, ele recebeu, por meio de terceiros, a ameaça de que, caso a CBF não pagasse R$ 12 milhões para a funcionária, ela o acusaria formalmente de assédio", rebateu Caboclo.
