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Eurocopa: como Itália de Mancini e Vialli se inspira na Sampdoria para voltar a ser campeã após 15 anos

Tetracampeã mundial, dona de um título europeu e imensa tradição, a Itália busca neste domingo (11) sua primeira conquista desde a Copa do Mundo de 2006. A seleção dirigida por Roberto Mancini encara a Inglaterra, às 16h, em Wembley, pela final da Eurocopa.

Mas a Azzurra que tenta estragar a noite de Londres não é a mesma de outros tempos. Acostumada a vencer com base em seu coletivo forte e priorizando a defesa ao máximo, o time atual também privilegia a bola e consegue encantar como poucos em sua história.

A inspiração para essa mudança vem de um passado distante, mas que tem tudo a ver com quem dirige a seleção no momento.

Do técnico Roberto Mancini, passando pelos auxiliares Alberico Evani, Attilio Lombardo e Giulio Nuciari até o chefe de delegação Gianluca Vialli, há um ponto em comum: todos passaram e fizeram sucesso na grande Sampdoria, que marcou época na Itália entre as décadas de 1980 e 1990.

Foi nesse período que a Samp desafiou Milan, Juventus, Internazionale e Napoli, à época liderado por Diego Maradona, para conquistar sete dos oito títulos de sua história, além de ficar a um passo de ganhar a Champions League de 1991/92, vencida pelo Barcelona.

Mancini e Vialli, sem dúvida, eram as estrelas daquela Sampdoria. Juntos, os "Gêmeos do Gol" formaram uma dupla de ataque infernal, que levou o clube às conquistas da Recopa Europeia de 1989/90, do Campeonato Italiano de 1990/91 e de três edições da Copa de Itália, em 1984/85, 1987/88 e 1988/89, além da Supercopa local em 1991.

Não à toa, são eles os dois maiores artilheiros do clube de Gênova em todos os tempos. Mancini, 10 talentoso e de pavio curto, tem 171 gols com a camisa azul e branco, enquanto Vialli balançou as redes 141 vezes, sendo o principal goleador da Sampdoria na conquista do Scudetto em 1991.

Lombardo, ponta direita da equipe de 1989 a 1995, e Nuciari, goleiro reserva no mesmo período, também atuaram com Mancini (1982 a 97) e Vialli (1984 a 92). Alberico Evani chegou à Samp apenas em 1993, mas a tempo de vencer a Copa da Itália de 1993/94, a última taça do clube. Os brasileiros Toninho Cerezo e Paulo Silas também fizeram, em algum momento, parte desse time histórico.

Hoje, todos os italianos colocam todo o sucesso que tiveram juntos a serviço da seleção, como nunca conseguiram fazer nos tempos de jogador. Mancini, apesar de todo o talento, jogou apenas a Euro de 1988 e a Copa de 1990, enquanto Vialli atuou nestes torneios e mais no Mundial de 1986, sem o brilhantismo de (quase) sempre.

Quem mais chegou perto de uma taça foi Evani, integrante do elenco vice-campeão mundial em 1994. O meia, inclusive, converteu um dos pênaltis na final contra o Brasil, mas saiu dos Estados Unidos sem o troféu.

O mundo do futebol ofereceu outra oportunidade a todos eles. Em uma nova função, mas com a possibilidade de repetir a parceria de sucesso dos tempos de jogador e agora em prol de uma nação inteira.

Mancini assumiu o cargo de técnico da Itália em março de 2018. Sem a vaga na Copa do Mundo da Rússia, o ex-comandante do Manchester City teve tempo para trabalhar e construir uma equipe que entregasse um futebol condizente com o que ele era capaz de fazer nos seus bons tempos.

E assim foi: a Itália chega à decisão da Eurocopa com uma incrível invencibilidade de 33 partidas, sem saber o que é derrota desde setembro de 2018 e confiante a ponto de desafiar a seleção que mais jogou em casa no torneio - e o fará novamente no domingo.

Se a Sampdoria bateu na trave ao conquistar a Eurocopa em 1992, a Itália não quer perder essa chance. E, pelo que jogou até agora, tem tudo para aproveitá-la e fazer jus ao legado daquele timaço que marcou época.