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Fim da maldição? Espanha supera trauma com uniforme branco para ressurgir na Eurocopa

Depois de algumas decepções em sequência, a Espanha conseguiu retornar para a semifinal da Eurocopa, onde enfrentará a Itália, em Wembley, nesta terça-feira (6). Além de críticas ao rendimento, a Fúria ainda passou por cima de um fantasma de seu passado para chegar nesta fase: a ‘maldição’ do uniforme branco.

Utilizada pela primeira vez em 1920, a camisa se tornou a reserva com o passar dos anos e, na década de 1990, se tornou sinônimo de fracassos da seleção. O motivo? Eliminações e derrotas surpreendentes quando ela era usada.

Toda essa sina começa em 1994, na Copa do Mundo. Nas quartas de final, a Itália era a adversária e, contra uma Espanha de branco, se classificou para a fase seguinte com gol de Baggio aos 43 do segundo tempo em vitória por 2 a 1.

A partida ainda foi marcada por Luis Enrique, atual técnico do time espanhol, tendo que ser atendido após longo sangramento causado por dividida ao longo da partida.

Quatro anos depois, o primeiro vexame aconteceu. A seleção acabou tendo somente uma vitória e caiu na fase de grupos. Na estreia, de branco, derrota para a Nigéria, de virada, por 3 a 2, com frango histórico de Zubizarreta.

O uniforme, então, ficou seis anos sem ser utilizado em grandes torneios, até ser escolhido para a Euro 2004. Mais uma vez, a Roja caiu na fase de grupos, desta vez, após derrota por 1 a 0 para Portugal, país-sede do torneio, vestindo branco.

Em 2006, a camisa branca estava disponível, mas não foi utilizada. Em 2014, após as conquistas consecutivas, o uniforme reapareceu de forma forçada.

Na estreia contra a Holanda, estava definido que a Laranja Mecânica utilizaria seu uniforme azul. A Fifa não autorizou que os espanhóis usassem nem seu tradicional manto vermelho e nem o preto, definido como reserva. Com isso, às vésperas do torneio, uma camisa branca foi desenhada para a estreia.

O que poucos esperavam era que, na reedição da final de quatro anos antes, os holandeses protagonizariam um grande show na Arena Fonte Nova, vencendo por 5 a 1. Os espanhóis seriam eliminados ainda na fase de grupos.

Dois anos depois, na Eurocopa, o branco voltaria a ser a camisa reserva. Depois de duas vitórias nos dois primeiros jogos, a equipe entrou em campo contra a Croácia (de branco) precisando de um empate para garantir a liderança.

Depois de sair na frente aos sete minutos, o time sofreu o empate no final do primeiro tempo e, aos 42 minutos do segundo, Perisic colocou os croatas em vantagem por 2 a 1 e no topo do grupo D.

O resultado colocou a Itália no caminho de Del Bosque e cia. Nas oitavas de final, Chiellini e Graziano Pellé marcaram e a Azzurra, que iniciou a sina em 1994 e será adversária nesta terça, mandou a Roja (de branco) para casa com vitória por 2 a 0.

O time ainda usaria a camisa branca na abertura da Copa do Mundo de 2018, contra Portugal. A derrota não aconteceu, assim como uma eliminação na fase de grupos. Nos minutos finais, porém, Cristiano Ronaldo marcou o terceiro gol português para garantir um 3 a 3.

Nesta Euro, a escrita se inverteu. De vermelho, a Espanha sofreu nas duas primeiras partidas, com dois empates e atuações decepcionantes. A partir da rodada final na fase de grupos, o branco passou a ser a cor do time, que goleou a Eslováquia.

No mata-mata, a seleção acabou indo para a prorrogação nos dois jogos, sofrendo em ambos para conseguir a vaga na fase seguinte, contra Croácia e Suíça. Ainda assim, os torcedores podem imaginar que, diferentemente de outros tempos, a maldição sobre o uniforme branco caiu.