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Por que holandês da Eurocopa multicampeão no Liverpool e agora reforço do PSG tem nome brasileiro?

Um dos artilheiros da Eurocopa, Wijnaldum é até o momento o principal destaque da Holanda, que enfrenta a República Tcheca neste domingo (27), pelas oitavas de final. O meia, multicampeão pelo Liverpool e contratado pelo PSG nas últimas semanas, tem uma forte ligação com o Brasil.

Filho de pais nascidos no Suriname, ele foi batizado de Georginio por causa do lateral-direito Jorginho, que disputou a Copa do Mundo de 1990 – ano em que o meia nasceu – e foi campeão do mundo com a seleção brasileira em 1994. Apesar de terem gostado da sonoridade do nome, ele colocaram uma forma diferente na escrita.

“Fiquei sabendo da homenagem algum tempo atrás e fiquei feliz demais. É algo muito legal. Interessante que saímos nas oitavas em 90, mas devem ter gostado do meu nome ou do meu desempenho. Fui escolhido o melhor lateral-direito na Copa. Tenho um amigo holandês chamado Amarildo que me disse que no Suriname é muito comum ter pessoas com nomes de jogadores brasileiros campeões do mundo”, disse Jorginho, ao ESPN.com.br.

Primo de Royston Drenthe, ex-atacante do Real Madrid, Wijnaldum nasceu na Holanda, mas não sonhava em ser jogador. Criado pela avó após os pais se separarem, ele queria ser acrobata e trabalhar em um circo. Só que o futebol acabou sendo mais forte por influência da família, e o garoto começou na base do Sparta, de Roterdã, antes de ir para o tradicional Feyernoord, da mesma cidade.

Estreou como profissional com apenas com 16 anos e 148 dias, sendo o mais jovem da história do clube a disputar uma partida. No começo, sofreu comparações com o craque Clarence Seedorf, mas depois passou a trilhar seu próprio caminho.

“Nós já víamos o potencial enorme que ele tinha, era muito diferenciado. Trabalhava muito e dava para ver que chegaria em um alto nível. Era titular mesmo sendo muito jovem. Fico muito feliz com o sucesso dele”, disse o goleiro Darley, que jogou com o holandês no Feyenoord, ao ESPN.com.br.

A ligação do meia com o Brasil não se resumia somente no nome. Além do estilo de jogo parecido com o dos jogadores brasileiros, ele gostava de aprender algumas coisas da cultura do país.

“O Wijnaldum falava que queria passar férias no Rio de Janeiro. Era um cara de grupo, animado e que brincava bastante comigo. Ele gostava de aprender umas palavras em português, principalmente os palavrões para brincar com a gente. Era um cara muito alegre”, recordou o arqueiro.

“Ele falava em português: ‘P..., pega lá!’ E ficava me zoando nos treinos de finalização toda vez que fazia um gol”, afirmou Darley.

Nas quatro temporadas que defendeu o time holandês, o brasileiro saiu várias vezes com o meia para jogar boliche, andar de kart ou jantar com os colegas de time.

“Os caras sempre falavam de Ronaldo, Ronaldinho e Rivaldo. Quando o Neymar surgiu no Santos, o pessoal perguntava para mim”.

Em 2011, Wijnaldum trocou o Feyenoord pelo PSV, no qual permaneceu até 2015. Depois de jogar uma temporada pelo Newcastle, o meia se consagrou pelo Liverpool. De 2016 a 2021, ele foi titular da equipe comandada por Jurgen Klopp, que venceu a Premier League, Champions League e o Mundial de Clubes. Após ser cobiçado pelo Barcelona, o holandês foi anunciado como reforço do PSG.

Pela seleção holandesa, o jogador foi chamado desde as categorias de base. Presente na Copa do Mundo de 2014, ele fez um gol contra a seleção brasileira na disputa do terceiro lugar - vitória holandesa por 3 a 0.

Em sua primeira Euro, o meia tem três gols marcados em três partidas disputadas. "Ele é um grande volante e desejo tudo de melhor na vida dele e na carreira!", disse Jorginho.