<
>

10 anos de Emily Lima: técnica abre o jogo sobre CBF, seleção brasileira, trabalho no Equador e rebate rótulo de 'durona'

play
Emily Lima relembra críticas sofridas por conta de 'personalidade' e comemora: 'Hoje chegou o momento de falar' (3:00)

Treinadora falou com exclusividade ao ESPN.com.br (3:00)

Em 2021, Emily Lima completa 10 anos de carreira como treinadora. No período, ela coleciona momentos históricos, camisas pesadas e, claro, algumas polêmicas. Atualmente, Emily comanda a seleção equatoriana e abriu o jogo em entrevista exclusiva à ESPN.

A carreira como técnica começou lá em 2011, no Juventus. De lá para cá, ela já comandou a seleção brasileira nas categorias de base, São José, foi a primeira treinadora (mulher) da seleção principal, Santos e seleção do Equador.

“Parece que não é nada esses 10 anos, mas pensa... 10 anos atrás não tinha treinadora de futebol. Tinha, mas não em atividade. Nós, até hoje, não temos treinadoras mulheres em vários esportes femininos. Hoje, temos mais mulheres no futebol feminino, e acredito que mais do que no vôlei, no basquete, no handebol. E você para pra pensar como nós evoluímos nesses 10 anos, o futebol feminino, especificamente”, afirmou Emily.

A comandante relembra que ser treinadora não era algo pensado quando ela parou de atuar como atleta, mas que se apaixonou pela profissão quando iniciou a carreira.

Em seu currículo, um vice-campeonato do Brasileirão e Copa do Brasil (2015 e 2016, respectivamente) pelo São José, e o vice na Conmebol Libertadores pelo Santos (2018).

play
3:05

Emily Lima celebra dez anos de carreira e relembra início de jornada no futebol feminino

Treinadora falou com exclusividade ao ESPN.com.br

Apesar de não ser um ‘título’, Emily entrou para a história do Brasil ao ser a primeira treinadora da seleção feminina. A passagem não foi longa, foram 13 jogos, com sete vitórias, um empate e cinco derrotas. Mas, apesar disso, a sua presença na CBF ‘incomodou’. (Confira a resposta completa no topo da matéria)

“Sabe o que acontece? A tal da política. Eu tenho medo de falar, porque eu posso perder o emprego. Na CBF, eu sempre falava: ‘Meu nome não é CBF, meu nome é Emily Lima’. Eu vou viver e vou trabalhar de outra coisa, sem a CBF. Eu nunca vou precisar de algum rótulo para poder trabalhar (...) Porque se eu sair dali, vou trabalhar em outra coisa, que não no futebol.”

"Eu não tenho medo de trabalho. Então, eu falava. E, hoje, eu vejo as pessoas falando e não sendo criticadas. Porque hoje está bom, hoje chegou o momento de falar. Então, eu vejo treinadores falando e falando coisas piores que as minhas. Vejo atletas falando, porque entenderam que elas são as partes mais importantes do futebol, sem elas, não existe o futebol. Mas eu meti a cara sozinha por elas não precisarem falar. Mas eu não me arrependo, porque eu vejo isso acontecer no Brasil e fico contente. A gente precisa de respeito., complementou Emily.

A técnica respondeu se na CBF ela foi um alvo fácil, uma espécie de ‘bode expiatório’.

““CBF é um tema bastante complexo. Na minha época, hoje, acho que está muito mais globalizado, as seleções, os departamentos (...) Com certeza, hoje, o negócio está deslanchando. Se nota muito toda evolução que teve. As contratações pontuais de pessoas que conhecem futebol feminino é importantíssimo, não só o nome. Treinadores do masculino virem comandar uma seleção feminina, espero que não aconteça mais. Porque nós temos treinadores de futebol feminino, no Brasil, que estão prontos para isso”.

ERA PIA SUNDHAGE

“Trouxeram a Pia, uma p*** sacada de trazer uma pessoa como ela. Tem que absorver ao máximo dela do que ela fez com base, em Suécia, nos Estados Unidos. Então, eu tive uma passagem. E acredito que foi para uma mudança, até na minha carreira. Teve uma mudança, uma visibilidade muito grande, para que o trabalho fosse desenvolver da melhor forma”.

“Eu já vejo muitas mudanças positivas, e isso é muito bom para o desenvolvimento, para essas meninas que estão chegando agora terem mais condições para trabalhar. Não é fácil. Uma coisa é trabalhar na Suécia, nos Estados Unidos, outra é no Brasil. São meninas que não tiveram a base que ela já teve, mudança de comportamento de atleta é muito difícil. O futebol é fácil, mas mudar comportamento de atleta é muito difícil”.

SELEÇÃO DO EQUADOR

Desde 2020 comandando a seleção equatoriana, Emily conta que o processo de desenvolvimento do futebol feminino no país vizinho está em um estágio bem abaixo do Brasil. A missão de Emily por lá é, além de treinar a equipe, também fomentar e organizar a modalidade por lá - mesmo que de forma indireta.

“Eu tiro o Brasil, que é a nossa referência, mas está totalmente longe de todas as seleções. Chile, Colômbia e Argentina, que são as ‘favoritas’ sempre a estar em Mundial e Olimpíadas. E as demais, Venezuela, Uruguai, nós, Bolívia, Peru estamos anos luz de Brasil”, analisou a técnica.

Apesar das dificuldades, a treinadora exalta o processo de trabalho no Equador.

“O nosso projeto foi além só de se preocupar com a seleção. Porque só a seleção só desenvolve o momento, que não é importante para nós. O importante é o desenvolvimento para que o momento esteja consolidado. Foram pontos que chamaram a atenção da federação e deu tudo certo, estamos desenvolvendo o trabalho”, acrescentou.

E O FUTURO?

play
1:33

E agora, Emily? Treinadora 'diz não' ao futebol brasileiro e revela principal sonho de sua carreira

Treinadora falou com exclusividade ao ESPN.com.br

“Eu quero muito que a gente consiga classificar para a Copa do Mundo. Aí é outra história, a gente sabe do nível que nós estamos, muito longe de uma realidade de Copa, mas gostaria de estar presente e, depois, focar em Europa. Vamos dizer, nesses oito anos depois de Copa, pensar em Europa, eu quero muito ir para a Europa”.

Emily complementa dizendo que voltar para o Brasil não está em seus planos em um curto prazo, que o foco é conhecer outras realidades, mas não fecha as portas para um bom projeto.