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Tevez se despede do Boca, afirma que é o dia mais triste de sua vida e deixa aposentadoria em aberto: 'Não tenho mais nada para dar'

Carlos Tevez deu adeus ao Boca Juniors nesta sexta-feira (4). Conforme já havia apurado a ESPN Argentina, o ídolo do clube, em entrevista coletiva, confirmou que está de saída da equipe da Bombonera e deixou o futuro em aberto. Há possíbilidades de se aposentar.

O experiente jogador de 37 anos tinha contrato com o Xeneize até o fim de 2021, mas antecipou o término do vínculo para seguir um novo rumo. Na Argentina, a carreira teve fim, já que afirmou só defender o Boca. Agora, no futebol, o atacante deixou o futuro como incógnita.

"Anotei algumas coisas que quero comunicar aos torcedores: Achei que esse momento nunca chegaria, mas aqui estou, vai ser difícil, mas estou aqui para dizer que não vou continuar no clube. Não é um adeus, é um até breve. Eu sempre estarei presente para o torcedor xeneize. Já não como jogador, mas como o Carlitos do povo. Estou cheio, estou pleno com esta decisão porque não tenho mais nada para dar, como jogador dei tudo, por isso estou feliz", começou por afirmar.

"No momento, o Boca precisava de 120 por cento de mim e não estou mentalmente preparado para dar isso a ele. Boca é o melhor clube do mundo, meu pai era do Boca, meus irmãos, minha mãe, minha esposa e meus filhos são do Boca. E não posso mentir para eles ou para os torcedores. Então minha decisão é pura e minha".

“Com a decisão que tomo fico feliz. Não é fácil, é difícil, é um dos dias mais tristes da minha vida, mas é a melhor decisão. O Boca para mim é a minha vida, por isso não posso falhar e se não estou mentalmente bem dou um passo para o lado".

Durante a coletiva, Tevez deixou claro que o motivo da despedida era o cansaço mental que vem tendo há alguns meses. Um dos principais motivos é a perda do pai, que se foi há três meses. Desde então, o atacante afirmou que quer ficar mais próximo da família.

"Nem tive tempo de chorar pelo meu pai, já que estava jogando uma semana depois ... E não é normal. Eu preciso estar com minha mãe, eu preciso ser um filho, três meses atrás meu velho nos deixou. Boca para mim é o melhor do mundo. Aí não sei o que vou fazer do meu futuro, só quero ser pai, quero ser marido, quero ser filho e irmão. Eu tenho isso na minha cabeça hoje, é a única coisa clara ".

Sobre uma possível volta ao Boca no futuro, Tevez cortou qualquer possibilidade de fazê-la como jogador. Mas, deixou em aberto aceitar um cargo fora das quatro linhas.

“Com que idade você quer que eu continue jogando? Com 42? Fisicamente eu consigo continuar, mentalmente não. É o que está acontecendo com todos nós. Cada um em casa, com a pandemia, tocou a todos nós, hoje era a minha vez. Minha família precisa de mim, eu estou lá para eles. É simples e claro. Hoje eu digo que vou me aposentar, em três meses posso me levantar e querer jogar, mas não no Boca porque eu não estarei em 120 por cento novamente".

"Trabalhar em outra função no Boca? Sim, por que não, tudo é possível, hoje é um dia muito triste para mim porque como jogador não poderei mais usar a camisa do Boca, mas para o torcedor estarei para sempre, no que eles precisam de mim".

Presidente do clube, Jorge Ameal revelou que fez de tudo para que Tevez não tomasse a decisão de deixar o clube, mas não conseguiu. O dirigente afirmou que irá realizar uma partida de despedida.

"Eu queria que ele continuasse jogando. As razões que ele me deu pareciam corretas. Queremos que seja um até logo e volte a trabalhar no Boca. Para nós, não existe um nunca mais com Carlitos. Não há melhor maneira do que terminar a carreira dentro do clube, vamos tentar fazer uma festa de homenagem".

Tevez estava na sua terceira passagem pelo clube argentino, que o projetou ao futebol. Na atual temporada, ele marcou oito gols em 32 jogos, metade deles na Conmebol Libertadores, onde o Boca enfrenta o Atlético-MG nas oitavas de final, mas agora sem o seu camisa 10.

Com a camisa xeneize, que começou a vestir desde 1997, ainda nas categorias de base do clube, o atacante foi tetracampeão argentino e ainda campeão da Libertadores (2003) e da Copa Sul-Americana (2004).