<
>

'Carrasco', ex-Chape conta como time treinou para surpreender Jorge Jesus e revela ajuda de ex-São Paulo

Ex-jogador da Chapecoense, Lourency foi o responsável por acabar com a sequência de sete partidas invictas do Benfica. O atacante marcou o segundo gol na vitória do Gil Vicente fora de casa por 2 a 1 contra o time comandado por Jorge Jesus, neste sábado. O resultado complicou o clube encarnado no Campeonato Português, que não deverá conseguir uma vaga direta para a Champions League.

"Nós focamos no que poderíamos fazer no jogo para que pudéssemos vencer. Nós pegamos uma equipe como o Benfica e pudemos estudá-los. Nosso treinador disse para não abrirmos mão da bola porque o nosso time também gosta de jogar. 'No final, nós vamos fazer as contas de quem fez o melhor uso dela'. Em uma parte do jogo, o Benfica teve mais posse porque tem jogadores de qualidade e nos colocaram para trás", disse o brasileiro, ao ESPN.com.br.

Apesar de sofrer pressão em alguns momentos na partida, o Gil Vicente soube explora as fraquezas do adversário.

"Nós treinamos para saber defender, e sabíamos qual lado o Benfica queria atacar com o lateral. Tivemos uma leitura muito boa do jogo e tiramos o espaço que eles queriam tirar vantagem. Fizemos nosso jogo e fomos coroados com a vitória", contou.

O brasileiro disse que contou com um conselho do colega de equipe Dênis, ex-goleiro do São Paulo, para conseguir vencer Hélton Leite com um toque de categoria.

"Meu gol foi um lance treinado de movimentos contrários. Nosso treinador fica nos nossos pés para fazermos isso. Ele ficou muito feliz quando saiu gol nesse lance porque pediu muito para fazermos essa jogada", afirmou.

"Quando o Samuel estava com a bola, pedi para ele tocar no Claude porque já sabia onde ele ia mandar. Antes mesmo do passe, eu já estava lá. Quando a bola veio, vi que estava muito longe pra cruzar e resolvi finalizar porque o adversário estava cansado também. Esperei o goleiro sair para chutar. É uma finalização que treino muito, inclusive converso com o Dênis, que diz que a batida entre o ombro e o pescoço do goleiro não tem como defender", afirmou.

Agora, o nome de Lourency deverá ser bastante comentado na imprensa portuguesa.

"A repercussão foi bacana porque eles estavam invictos e não sofriam gols há umas cinco partidas. Mesmo fora de casa, vencemos. Fazia 16 anos que isso não acontecia. Olhamos olhos nos olhos com o Benfica e pudemos vencer. Foi um resultado importante para brigarmos para nos mantermos na primeira divisão", afirmou.

O atacante, que tem contrato com a equipe portuguesa até o fim da temporada, não quer saber de especulações de seu nome em outros times no momento.

"Eu tive conhecimento sobre as notícias de propostas para sair do clube, mas procuro me apegar ao que faço dentro de campo. Sei que é isso que vai me levar a outro nível. Estou focado só em terminar a temporada bem. Estou em fim de contrato, mas não quero expor isso. O Gil Vicente abriu as portas para mim e conseguir os objetivos do clube. Não quero perder o foco. Os interesses do clube estão à frente dos meus", afirmou.

O Gil Vicente é o 10º colocado no Português, com 31 pontos, sete a mais do que o Marítimo, primeiro time na degola (16º).

Passagem pelo Inter antes da Chape

Lourency começou no JV Lideral-MA, pelo qual jogou a Segunda Divisão profissional do Maranhense. Depois, passou pelo sub-20 do Sabiá-MA antes de ser aprovado no sub-20 do Internacional.

"A base é muito concorrida e precisa estar mostrando a cada dia. Me dediquei muito, mas cheguei lá aos 18 anos, uma idade para o futebol onde vários garotos estão despontando. Perdi espaço para os mais novos. Além disso, o Inter não chegou a um acordo para uma parceria com o Lideral. Foram sete meses, mas não renovaram meu contrato", afirmou.

Após ser reprovado no Coritiba, ele foi aprovado na Chapecoense, em 2015. No ano seguinte, fez várias partidas pela equipe alviverde na Sul-Americana.

"Eu fui para o jogo contra o Cuiabá e quase fomos eliminados. Contra o Independiente atuei como titular na Argentina e entrei no jogo de volta, quando o Danilo pegou vários pênaltis. Era para eu bater o último, mas não precisou porque ele pegou", contou.

Após a Chape ser goleada em casa pelo Vitória, Lourency perdeu espaço no elenco e não viajou para a primeira partida da final da Sul-Americana, quando o avião caiu em Medellín e matou 71 pessoas.

"Pude conviver com todos os jogadores que faleceram. Foi algo muito triste e marcante", lamentou.

No ano seguinte, o atacante permaneceu na reconstrução da equipe, mas com a chegada de muitos reforços, ele perdeu espaço. Com isso, foi pra o Vila Nova-GO.

"Eu resolvi sair para poder jogar, mas acho que me precipitei e poderia ter ficado. Deveria ter tido um pouco de paciência. Depois, me destaque pelo Brasil de Pelotas antes de voltar para a Chape. Pude fazer alguns gols e fiz um bom trabalho. Infelizmente tive um desgaste com a torcida depois que desabafei em um gol que fiz. Mas é algo passado e tenho carinho pela torcida", recordou.

Em 2019, ele recebeu uma oferta do Gil Vicente, de Portugal. Apesar de ter chances de ir para clubes árabes, ele preferiu priorizar seu sonho na carreira.

"Queria abrir portas na Europa. Recebi muita ajuda do técnico Vítor Oliveira, que faleceu em novembro de 2020. Queria muito que ele estivesse aqui para ver meu gol contra o Benfica. Ele apostou muito em mim. Foi um treinador que disse que gostaria de me acompanhar porque sabia que iria render muito mais do que no ano passado".

Em duas temporadas no time, ele fez 9 gols em 68 jogos.

"Estou com uma qualidade de jogo melhor por causa do Vítor, que conhecia tudo isso melhor do que ninguém. Pude aprender muitas coisas com ele porque foi como se estivesse subindo da base outra vez. A metodologia de trabalho aqui é muito diferente. Você precisa ter consciência disso para se adaptar o mais rapidamente possível".