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Atlético-MG explica por que fechou com Cuca mesmo com protestos por acusação de abuso sexual na Suíça

Após confirmar a contratação do técnico Cuca, nesta sexta-feira, o Atlético-MG emitiu nota oficial para explicar por que tomou a decisão de trazer o treinador mesmo com os protestos feitas nas redes sociais lembrando a acusação de abuso sexual do ex-jogador.

Quando ainda era atleta do Grêmio, em 1987, Cuca foi detido por um mês na Suíça, ao lado de três colegas de equipe, após uma adolescente de 13 anos acusar o quarteto de abuso sexual no hotel da delegação tricolor, na cidade de Berna.

Por isso, as redes sociais viram a hashtag #ForaCuca ganhar força nesta sexta-feira, após o anúncio atleticano.

No comunicado, porém, o Galo diz entender que o assunto está "superado" e ressalta "confiar no treinador", que se diz inocente.

Sobre os protestos, a equipe de Belo Horizonte assegurou ter "absoluto respeito pelas mulheres" e garantiu que "defende a bandeira da igualdade e repudia qualquer ato de violência ou discriminação, contra quem quer que seja".

"Sobre os antigos episódios envolvendo o nome do treinador (e que vieram à tona recentemente), o clube entende que o assunto está superado, em face das últimas declarações dadas por ele", escreveu.

"O Clube Atlético Mineiro afirma confiar no treinador, em suas palavras e, principalmente, em sua conduta: sempre proba e séria, inclusive durante o período em que treinou o nosso time", seguiu.

"O clube afirma, ainda, ter absoluto respeito pelas mulheres, defende a bandeira da igualdade e repudia qualquer ato de violência ou discriminação, contra quem quer que seja", completou.

Em entrevista ao UOL, na última terça-feira, Cuca falou pela 1ª vez sobre a acusação de abuso sexual e alegou inocência.

"Eu preciso dar um basta nisso. Claro que essa história me incomoda demais. Não posso virar bandido depois de 34 anos...Resolvi juntar minha mulher e minhas duas filhas para falar desse caso de 12.400 dias atrás porque sou inocente", declarou.

"Sou uma pessoa do bem, vivo numa família de mulheres, 90% da minha família são mulheres. Este episódio de 1987 precisa ser explicado. Eu estava no Grêmio havia duas ou três semanas apenas, não conhecia ninguém. Eu jamais toquei numa mulher indevidamente ou inadequadamente. Sou um cara de cabeça e consciência tranquila", acrescentou.

"Estas coisas aconteceram há 34 anos atrás e, hoje, elas são vindas como se tivessem ocorrido hoje e eu fosse condenado e culpado. Para resumir, eu não tenho culpa nenhuma de nada. Nunca levantei um dedo, indevidamente ou inadequadamente, para uma mulher...Isso é uma coisa que me incomoda bastante, a gente vê em alguns lugares...Eu não devo nada para ninguém, não sou um cara do mal, não fiz nada de errado, não fui julgado e culpado por alguma coisa", prosseguiu.

"Fui julgado à revelia porque já não estava mais no Grêmio quando houve esse julgamento, junto com os outros rapazes, mas é uma coisa que eu tenho uma lembrança muito vaga até porque não houve nada. Não houve estupro como falam, houve uma condenação por conta de uma menor ter adentrado o quarto e simplesmente isso. Não houve abuso sexual, não houve tentativa de abuso ou coisa assim. Só que, hoje, 34 anos depois, com a força que esse movimento vem pegando, a gente fica vendo isso e eu resolvi dar um basta nisso, e na frente da minha família...Quero treinar ainda grandes equipes, mas não quero nunca ser um cara mal falado, minha vida é baseada em família, fé em Deus e ser um pessoa honesta e íntegra, e isso eu tenho feito em todos os clubes em que passei", finalizou Cuca.