Em 1987, quando ainda era jogador e vestia a camisa do Grêmio, Cuca, hoje técnico, ficou cerca de um mês detido na Suíça por conta de um episódio que ficou conhecido como o "Escândalo de Berna", cidade aonde estava com a delegação gemista na época. Ele e outros três atletas do clube gaúcho foram condenados por violência sexual contra uma adolescente de 13 anos. 12.400 dias depois, o treinador voltou a falar sobre o caso e se diz inocente.
Em entrevista à colunista do UOL Marília Ruiz, Cuca, que está sem clube desde que deixou o Santos, provou a sua inocência e deixou claro que nunca, em toda a sua vida, tocou numa mulher de forma inadequada ou indevida.
"Eu preciso dar um basta nisso. Claro que essa história me incomoda demais. Não posso virar bandido depois de 34 anos...Resolvi juntar minha mulher e minhas duas filhas para falar desse caso de 12.400 dias atrás porque sou inocente", declarou o treinador.
Na ocasião, Cuca estava acompanhado do ex-goleiro Eduardo, do ex-zagueiro Henrique e o ex-atacante Fernando. Os quatro foram detidos num hotel em Berna por conta da acusação. Nos registros policiais e no processo, entretanto, a vítima jamais citou ou apontou o, hoje treinador, como um dos agressores.
Por meio de intermédio diplomático, os quatro foram liberadores e voltaram ao Brasil, depois de cumprirem um mês de detenção. Em 1989, foram condenados à revelia - quando o acusado permanece em silêncio após ser citado, não apresentando resposta às alegações do autor e não comparecendo ao processo. A condenação de Cuca, de 15 meses de detenção, prescreveu antes da mesma ser cumprida.
O treinador ainda contesta a ideia de que foi acusado de estupro, que não pôde se defender e lamenta o fato de a repercussão de tal acusação ter sido tão tardia. Além disso, deixa claro que é, e sempre foi, uma pessoa íntegra e honesta.
"Sou uma pessoa do bem, vivo numa família de mulheres, 90% da minha família são mulheres. Este episódio de 1987 precisa ser explicado. Eu estava no Grêmio havia duas ou três semanas apenas, não conhecia ninguém. Eu jamais toquei numa mulher indevidamente ou inadequadamente. Sou um cara de cabeça e consciência tranquila", disse.
"Estas coisas aconteceram há 34 anos atrás e, hoje, elas são vindas como se tivessem ocorrido hoje e eu fosse condenado e culpado. Para resumir, eu não tenho culpa nenhuma de nada. Nunca levantei um dedo, indevidamente ou inadequadamente, para uma mulher...Isso é uma coisa que me incomoda bastante, a gente vê em alguns lugares...Eu não devo nada para ninguém, não sou um cara do mal, não fiz nada de errado, não fui julgado e culpado por alguma coisa", prosseguiu.
"Fui julgado à revelia porque já não estava mais no Grêmio quando houve esse julgamento, junto com os outros rapazes, mas é uma coisa que eu tenho uma lembrança muito vaga até porque não houve nada. Não houve estupro como falam, houve uma condenação por conta de uma menor ter adentrado o quarto e simplesmente isso. Não houve abuso sexual, não houve tentativa de abuso ou coisa assim. Só que, hoje, 34 anos depois, com a força que esse movimento vem pegando, a gente fica vendo isso e eu resolvi dar um basta nisso, e na frente da minha família...Quero treinar ainda grandes equipes, mas não quero nunca ser um cara mal falado, minha vida é baseada em família, fé em Deus e ser um pessoa honesta e íntegra, e isso eu tenho feito em todos os clubes em que passei", finalizou Cuca.
