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Lugano, por Lugano: da roça à faculdade de economia, da várzea ao Mundial e agora dos campos para a TV

Nesta sexta-feira, o ex-zagueiro Diego Lugano, novo comentarista dos canais esportivos Disney, faz sua estreia na programação. Ele participará do "Resenha ESPN" com o atacante "Loco" Abreu, às 21h30 (de Brasília), na ESPN Brasil e no ESPN App.

Em entrevista ao ESPN.com.br, o uruguaio, que trabalhou na diretoria do São Paulo até janeiro deste ano, explicou o que motivou sua "mudança de função" no mundo da bola, trocando os bastidores pelas câmeras de TV.

"O que me fez aceitar, principalmente, foi acrescentar uma área nova dentro do futebol, o jornalismo esportivo. Já tive oportunidade de ser jogador muito tempo, depois dirigente e agora uma área mais, o jornalismo", salientou.

"É um jeito de seguir ligado ao futebol, de outra perspectiva, com outras responsabilidades, outros atributos. É uma forma de encarar novos desafios", acrescentou.

No bate-papo, Lugano também repassou alguns momentos marcantes de sua vida e carreira, além da imagem de ídolo do São Paulo (que teve seu ápice com o título do Mundial de Clubes de 2005), vestindo a camisa de vários grandes times, como Paris Saint-Germain e Fenerbahce, além da seleção do Uruguai (tendo disputado duas Copas do Mundo)... Mas também com momentos desafiadores, atuando até na Suécia.

Veja os melhores trechos:

Trabalho na roça antes do futebol

"Eu me tornei jogador um pouco tarde. Jogava na várzea do Uruguai, não tinha muita perspectiva de ser jogador profissional. Só com 18, 19 anos que tive uma oportunidade meio louca de jogar no Nacional. Até lá, eu só estudava".

"No Nacional, cheguei a ter uma vida profissional. Fiz o primeiro ano da faculdade de economia, trabalhava normalmente na minha cidade, com a minha tia, minha família... Na roça, como se chama aqui, plantações"

Ida para o PSG após chegada dos investidores

"O projeto do PSG foi incrível. Primeiro, porque eu já tinha um status grande no Fenerbahce. O normal quando se atinge esse status é se acomodar, é importante encarar novos desafios".

"Neste ano, o PSG começava uma projeção mundial única, tinha um projeto megambicioso. Foi o segundo a ser contratado, uma grande novidade, uma grande experiência e também desafio. Eu saí da zona de conforto do Fenerbahce para um clube que era um grande da França, mas tentava ser um gigante do mundo".

Experiência na Premier League com o West Brom

"A Premier League foi uma possibilidade maravilhosa quando eu estava com 33 anos. Eu tinha a chance de acertar com um time italiano por quatro anos. Time italiano gosta muito de zagueiros sul-americanos, principalmente uruguaios, mas eu tinha uma conta pessoal pendente com a Premier League".

"Sempre achei a Premier League diferenciada em seu espetáculo, em sua montagem de jogos, na obra toda. A Premier sempre me pareceu diferente das outras. E eu queria experimentar de perto e saber o porquê daquela liga ser tão boa para assistir aos jogos e para os atletas atuarem".

"Eu conheci e comprovei que, sem dúvida, é a melhor liga de futebol do mundo. É o mais perto da perfeição que o futebol, como indústria do esporte, pode atingir. Desde os estádios, a logística, a infraestrutura, a qualidade do gramado, o posicionamento da arquibancada em relação ao campo, à forma como se deixa jogar, à forma como se encara o espetáculo, o comportamento dos juízes e dos atletas... É o mais perto da perfeição que o futebol pode chegar. Foi uma linda experiência".

Passagem pelo Häcken, da Suécia, em 2015

"Depois da Copa do Mundo de 2014, eu tive uma contusão importante, talvez a pior da minha carreira. Foi na cartilagem, com desgaste ósseo do joelho. Aconteceu por causa da intensa atividade e talvez por causa de sobrecargas na época de West Bromwich e na preparação para a Copa".

"Rescindi na Inglaterra e vim ao Brasil fazer tratamento no São Paulo. Depois, fiz tratamento com células-tronco nos Estados Unidos para recuperar a cartilagem. Em janeiro de 2015, eu vi que podia voltar a jogar, tive propostas de times sul-americanos, mas não tinha certeza se já poderia responder bem à exigência do futebol daqui".

"Eu não queria submeter meu nome e meu prestígio a uma situação de incerteza. Então, queria um mercado talvez um pouco menos visualizado. Sempre adorei a cultura escandinava, o modo social como eles vivem, como são países de qualidade alta de vida. Sempre tive essa curiosidade de conhecer".

"A Suécia tem a maior colônia de imigrantes uruguaios do mundo. Por isso, decidi que era o momento de conhecer o país e sua história, fazer vínculos com esse histórico de uruguaios lá. E, obviamente, jogar bola, conhecer o futebol de lá e me testar, ver se eu estava preparado para jogar meus últimos anos de carreira em um nível competitivo, sem sofrer. Foi uma experiência muito boa"

'No Brasil, falei que só jogaria no São Paulo'

"Minha passagem pelo Paraguai foi o seguinte: eu já tinha um vínculo com o Paraguai, pois tenho investimentos e amigos lá. Sempre falei que, quando eu voltasse para a América do Sul, minha prioridade seria o São Paulo, e que, no Brasil, eu só jogaria no São Paulo. Mas, quando eu decidi voltar, o São Paulo disse que, naquele momento, não queria contar comigo".

"Outros times brasileiros quiseram e me procuraram, mas eu entendi que devia cumpri com a minha palavra e não jogar em outro clube. Então, o Cerro Porteño me procurou. É o time mais popular do Paraguai. Achei que seria uma ótima ideia jogar em um gigante do continente".

"Foi algo curto, só seis meses, fomos vice-campeões nacionais. Tive boas participações, fui eleito o melhor jogador pela torcida. Consegui continuar jogando, mesmo com um pouco de sofrimento, mas jogando. Foi bom para superar aquela contusão séria que eu tive".