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Seedorf diz que não teve mais chances em grandes clubes por racismo: 'Não há chances iguais'

Em entrevista à Gazzetta dello Sport publicada nesta segunda-feira, o ex-meio-campista Clarence Seedorf desabafou e disse que não teve mais oportunidades como treinador em clubes grandes da Europa por racismo.

Dono de uma carreira muito vitoriosa como jogador, o holandês comandou apenas três equipes como treinador: Milan, da Itália, Shenzhen FC, da China, e Deportivo La Coruña, da Espanha.

Depois, ele passou entre 2018 e 2019 pela seleção de Camarões, e atualmente está desempregado e esperando um novo convite.

Questionado se se arrependia de ter assumido os clubes que comandou como técnico, sempre em situações ruins na tabela, Seedorf afirmou que teve apenas um, e salientou que esses foram os únicos convites que recebeu.

"Meu único arrependimento, neste sentido, é o Milan. Pelo contrato, eu deveria deixar o clube em junho. Aceitei chegar antes do combinado e depois não pude continuar. Nas outras oportunidades que tive, aceitei para demonstrar meu valor. Eu sabia que tinha que aceitar os riscos, porque os convites eram poucos... E todos nós sabemos por quê...", declarou.

Perguntado sobre o motivo, Seedorf falou, então, no racismo envolvendo treinadores negros.

"Nós, o mundo do futebol (sabemos o porquê). Eu joguei 12 anos no futebol italiano, e, depois de comandar o Milan como técnico e fazer um ótimo trabalho, recebi zero convites. Na Holanda, país em que nasci: zero convites. Quais são os critérios de escolha?", questionou.

"Por que grandes campeões não têm chances na Europa, onde escreveram história no futebol? Por que (Patrick) Vieira teve que ir para o New York City FC? Por que (Thierry) Henry teve que ir para o Canadá?", seguiu.

"Para os treinadores, não há oportunidades iguais. Se olharmos os números, veremos que praticamente não há negros em posições de poder maior no futebol. E isso é um caso geral, é só analisar nossa sociedade inteira", argumentou.

"Todos, em particular os que podem mudar as coisas, devem sentir a responsabilidade de criar um mundo meritocrático, onde todos que têm ambição pela excelência podem encontrar portas abertas, para que os melhores resultados possam vir da própria diversidade", finalizou.