Na última quinta-feira, o jornal Daily Mail, da Inglaterra, contou a espetacular história do francês Gregoire Akcelrod, um "falso jogador" que, através de muita picaretagem, enganou diversas pessoas e quase disputou a Uefa Champions League pelo CSKA Sofia, da Bulgária.
Na entrevista que deu ao diário, Akcelrod contou que sempre foi apaixonado por futebol, mas era um jogador terrível desde a infância. Ele era tão ruim que foi proibido pelo pai de jogar bola com os amigos até os 18 anos, já que sempre voltava para casa triste e envergonhado por sua pouca intimidade com a redonda.
No entanto, isso não impediu que Gregoire perseguisse seu maior sonho: virar jogador profissional. Mas de uma forma nada convencional...
Aos 18, Akcelrod critou um website falso no qual se colocava como jogador do time B do Paris Saint-Germain. Ele chegou até a passar pelos seguranças e "invadir" o Parque dos Príncipes para tirar fotos com a camisa do PSG dentro do estádio, adicionando tudo na internet.
Em seu portifólio, ele também colocou notícias falsas sobre seus feitos (trocando o nome de jogadores de verdade, como o atacante Nicolas Anelka, pelo dele) e supostos relatórios de olheiros de grandes clubes, como o Arsenal, que estariam de olho em seu futebol.
Tudo isso, é claro, era mentira, já que Gregoire era um mero estudante, que trabalhava meio período em uma lanchonete da rede McDonalds e morava em uma quitinete em Paris.
Com o website falso e um currículo turbinado em ordem, Akcelrod disparou seu CV para diversos clubes europeus. Os grandes, é claro, negaram, mas o pequeno Swindon Town, da Inglaterra, o convidou para um período de treinos, em 2003.
"No primeiro dia de treinos, eu estava tão mal fisicamente e taticamente que fiquei completamente perdido em campo", lembrou.
"Fizemos um jogo-treino e me lembro que o goleiro bateu um tiro de meta, eu tentei ganhar de cabeça mas a bola explodiu direto na minha cara. Todos riram de mim", relatou.
Apesar do péssimo desempenho, Akcelrod ainda ganhou a oportunidade de atuar mais 20 minutos em outro jogo-treino, mas se saiu tão mal quanto no primeiro e foi dispensado.
No entanto, ele aproveitou seu período no Swindon Town ao máximo, e chegou até dar entrevista à filial local da poderosa rede de televisão Sky Sports falando sobre a expectativa de reforçar a equipe.
Na sequência, ele ainda tentou enganar no Bournemouth, que vivia graves problemas financeiros, mas também não conseguiu.
Sua próxima tentativa de golpe, e que acabou sendo a melhor de todas, ocorreu em 2009, quando ele conseguiu ser chamado para um período de treinos no CSKA Sofia, que havia acabado de se classificar para a Liga dos Campeões da Europa.
À época, os diretores do clube búlgaro caíram na ladainha de Gregoire, acreditando que ele tinha passagem pelo PSG, e ofereceram um contrato de três anos, com salário de 15 mil libras (R$ 113 mil) por mês.
Tudo caminhava para se tornar o "plano perfeito", mas acabou dando errado na "hora H".
"Eu participei de dois treinos e, num domingo, o técnico disse ao meu empresário que queria me contratar. Tirei fotos com a camisa do CSKA, assinei contrato e eles já tinham até postado no site oficial deles que eu seria o novo reforço", contou.
"No entanto, os torcedores do PSG me destruíram... Durante a noite, um torcedor do CSKA Sofia entrou num fórum online de torcedores do PSG e perguntou o que os fãs achavam do Greg Akcelrod. Todos responderam que nunca tinham ouvido falar de mim. Depois, entraram no meu website e comprovaram que eu era um fake, apesar de ter algumas coisas lá que eram verdade, como a entrevista que dei no Swindon Town", seguiu.
"O torcedor do CSKA, então, entrou em contato com todos os jornalistas de Sofia e eles revelaram ao clube que eu era um falso jogador", completou.
Com isso, o contrato de Akcelrod foi imediatamente rescindido, e ele voltou à França.
Nos anos seguintes, ele ainda tentou enganar equipes da Grécia e do Kuwait, e ainda conseguiu se encaixar rapidamente no Mississauga Eagles, da liga canadense, antes de encerrar de vez sua "carreira".
Atualmente, ele trabalha como empresário de jovens jogadores na França, mas garante que só usa informações verdadeiras no material que prepara dos seus agenciados.
Aos 38 anos, Gregoire também tornou-se autor e lançou recentemente sua autobiografia, "Pro At All Costs" ("Jogador profissional a qualquer custo", em inglês), na qual detalha sua bizarra aventura no mundo da bola.
