Campeão invicto da Copa do Nordeste, garantido na Série A do Campeonato Brasileiro e na luta por uma vaga na próxima edição da Conmebol Sul-Americana, o Ceará teve em 2020 uma das maiores temporadas de sua história.
Mas, para a diretoria do time cearense, o clube ainda tem muito a evoluir e entra na temporada de 2021 com 'grande expectativa', principalmente com a possibilidade de disputar até cinco competições a partir do final de fevereiro: o Campeonato Cearense, a Copa do Nordeste, o Campeonato Brasileiro, a Copa do Brasil e a Conmebol Sul-Americana.
Em entrevista exclusiva ao ESPN.com.br, Robinson de Castro, presidente do clube, rasgou elogios ao desempenho do elenco nos últimos meses, mas tem um sonho muito mais ousado para o futuro próximo: transformar o Ceará entre um dos dez maiores do futebol brasileiro.
"Sempre disse que o nosso primeiro passo era sermos o melhor time do Nordeste. Sempre disse também que o Bahia estava um pouquinho na nossa frente, mas nós vamos passar o Bahia, vamos estar entre os dez do Brasil. Mas, temos que considerar que os demais clubes do país tiveram o privilégio de contar com o Clube dos Treze, que tinha 20 clubes".
"Passaram décadas recebendo receitas milionárias independentemente da divisão. O Ceará nunca teve essa oportunidade. Tivemos que evoluir com as próprias pernas, sem privilégios. Nunca tivemos tratamento diferente. Isso não é reclamação, foi aprendizado e estamos colhendo hoje esses frutos. Estamos olhando para o futuro que nos espera", disse o presidente.
Para Robinson de Castro, a 'mudança de patamar' obtida pelo Ceará pode ser traduzida na manutenção do meia-atacante Vina. Com 57 partidas e 23 gols marcados, o atleta é um dos maiores destaques do Campeonato Brasileiro, foi alvo do futebol nacional e internacional, mas renovou o contrato com o Vozão por mais duas temporadas.
"Primeiro é o desejo do atleta em ficar. Isso foi fundamental. Se identificou, gostou do ambiente, o coração dele disse para ele ficar. Isso era poesia, precisava colocar isso em prosa. Ele precisava de uma segurança para ficar aqui. Foi um dos principais nomes do Brasileirão, concorre ao Bola de Prata, recebeu assédio de fora e de outros clubes do Brasil, mas criamos uma situação para que ele pudesse ficar. Isso mostra a nossa mudança de patamar", disse o mandatário.
Na 12ª colocação do Campeonato Brasileiro com 46 pontos, o Ceará está garantido na primeira divisão por mais um ano e depende apenas de si para ir à Conmebol Sul-Americana. Restando duas rodadas para o final da competição, o Vozão garantirá a vaga caso vença os duelos restantes contra Coritiba, fora de casa, e diante do Botafogo, no Ceará.
Veja abaixo outros trechos da entrevista exclusiva com Robinson de Castro:
O 2020 do Ceará
“O Ceará vem fazendo a lição de casa há muito tempo. Temos uma organização financeira desde que assumimos. Não só nas finanças, mas na parte interna também, no futebol como um todo, consultorias, relacionamento com nosso sócio-torcedor, licenciamento de produtos e o varejo... Um conjunto de ações que desenvolvemos ao longo dos anos e, a chegada do Ceará à Série A, foi fundamental para que tivéssemos capital e dar uma oxigenazação para o nosso crescimento.”
“Mesmo com a pandemia, o Ceará estava preparado para o momento. Foi um baque econômico mundial, mas tínhamos uma musculatura para vencer isso. Agimos com tranquilidade. Em comparação com os demais times da Série A, mantivemos o salário em dia, está tudo pago e, para isso, a gente criou alternativa de receitas, tivemos uma inadimplência de apenas 1% do nosso sócio-torcedor. Tivemos receitas de vendas de atletas e o nosso próprio desempenho técnico, campeão da Copa do Nordeste, chegamos às quartas de final da Copa do Brasil, fomos carregando passivos para administrar melhor. Temos crédito na praça também, até com valores fora da curva. Mas conseguimos passar por tudo com uma certa tranquilidade.”
Mercado
Relação com a torcida
“A gente passou a tratar melhor nosso torcedor. Além de torcedor, ele é um cliente nosso, um consumidor. Tínhamos que ter mecanismos de uma integração maior conosco. Fizemos uma reformulação no nosso sócio-torcedor e tivemos 22 mil sócios em 20 dias. Hoje nós temos uma marca própria, formada no nosso local, vendemos todas as camisas, uma delas que o nosso próprio torcedor quem escolheu. Tudo isso gerou um orgulho e uma autoestima muito grande no nosso torcedor. Nós oferecemos uma gama alta de produtos e de todos os tamanhos, o que facilita a vida do torcedor. Um bom atendimento também é fundamental. Tudo isso criou uma atmosfera positiva para nós. Tivemos um ano muito bom, dentro e fora de campo. Acho que tivemos a melhor temporada da nossa história.”
Olho em 2021
Guto Ferreira
“O Guto Ferreira talvez seja um dos técnicos mais longevos do futebol brasileiro. Fez um grande trabalho nessa temporada, temos um ambiente sadio atualmente, consegue gerir o grupo, que tem 36 atletas e em quatro competições diferentes. Foi um vencedor conosco e renovamos mais um ano. Temos que ter muita cautela para não dar um passo maior do que a perna. Às vezes o treinador quer buscar outra coisa mais para frente. Não precisamos fazer um contrato mais longo, até porque ele não procurou isso. Mas ele tem feito o que tem de melhor, damos muita infraestrutura, pensamos o clube de uma maneira geral.”
