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Ex-Cruzeiro conta bastidores de como foi ver Ronaldo Fenômeno 'nascer' no futebol: 'Era o nosso xodó'

Atualmente presidente do Real Valladolid, que enfrentará o Real Madrid pela 24ª rodada de LaLiga, no sábado, Ronaldo Fenômeno despontou com apenas 16 anos no time profissional do Cruzeiro. Em um ano e meio na Toca da Raposa, o atacante marcou 56 gols em 58 partidas, foi chamado para a seleção brasileira e venceu a Copa do Mundo de 1994 antes de se consagrar no futebol europeu.

No começo de carreira, porém, era um jovem desconhecido.

Vindo do São Cristóvão, Ronaldo ficou pouco tempo na base do Cruzeiro antes de subir para o time principal e estrear contra a Caldense pelo Campeonato Mineiro. A partida, realizada em 25 de maio de 1993, no estádio Ronaldão, em Poços de Caldas, terminou com vitória celeste por 1 a 0.

"A gente tinha uma brincadeira de todos nós darmos um tapa na careca dele antes dos jogos. Era um garoto de 17 anos que passou a ser o xodó do grupo todo. A gente dava muito apoio para ele. Tínhamos um time muito experiente com Luisinho, Nonato, Paulo Roberto, Roberto Gaúcho... Criamos uma relação de ajudá-lo e vimos um potencial grande", contou Toninho Cecílio, ex-zagueiro do Cruzeiro, ao ESPN.com.br.

Um dos momentos mais marcantes do jovem pelo time mineiro foi na goleada por 6 a 0 contra o Bahia. Na partida, válida pelo no Brasileiro de 1993, ele marcou cinco gols, sendo que no último deles, o atacante roubou a bola do chão que estava com o goleiro uruguaio Rodolfo Rodríguez, que se distraiu após defender um chute com as pernas.

"O Rodolfo não percebeu e ficou para a história. Foi um lance atípico, ainda mais com ele que era um goleirão. Eu estava voltando de costas para a defesa e não vi o lance porque a bola estava dominada (risos). Escutei o barulho da torcida e quando me virei, o gol já tinha saído (risos). A gente não acreditava no lance e brincamos muito no vestiário", contou Toninho.

Em agosto de 94, o centroavante foi vendido ao PSV, da Holanda, por seis milhões de dólares. Depois, jogou por Barcelona, Inter de Milão, Real Madrid, Milan e Corinthians, clube pelo qual pendurou as chuteiras, em 2011.

"Sendo muito sincero, o que mais me impressionou foi ele resolver os jogos para a gente. Mas eu via o Neto com 17 anos já me dava a ideia clara de que seria um monstro pelo Mundial. O Ronaldo ainda não. A minha imaginação não chegou até onde ele foi na vida real, que seria um dos melhores da história. Ele está acima de Careca, Ibra, Baggio... Esse patamar eu não conseguia dimensionar à época", admitiu Toninho.

Pela seleção brasileira, o Fenômeno marcou 67 gols em 98 jogos, atrás apenas de Pelé. Em quatro Copas do Mundo, marcou 15 vezes em 19 duelos, um a menos que Miroslav Klose.