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Libertadores: depois de entrar para a história com Jorge Jesus, Abel relembra início da carreira e 'desaba' em lágrimas ao falar da família: 'Custa muito'

O Palmeiras venceu o Santos por 1 a 0, neste sábado, no Maracanã, e conquistou o título da Conmebol Libertadores 2020, com gol de Breno Lopes nos acréscimos do 2º tempo. Além da sua primeira conquista como treinador, o português Abel Ferreira também entrou para a história do futebol sul-americano.

Assim como o seu compatriota Jorge Jesus, que em 2019 foi campeão com o Flamengo, Abel, de 42 anos, é mais um técnico europeu a conquistar o título continental. E pela primeira vez a competição teve técnicos do Velho Continente levantando a taça de forma consecutiva.

Além do Mister e de Abel, a Libertadores ainda teve o croata Mirko Jozic conquistando a competição com o Colo-Colo, em 1991, no único título do clube chileno até aqui.

Entre os jogadores europeus campeões da América, estão o ex-flamenguista Pablo Marí, hoje no Arsenal, Dante Mircoli (Itália) e Christian Rudzky (República Tcheca), que faturaram a Libertadores com Independiente e Estdudiantes, ambos da Argentina, respectivamente.

Durante a entrevista coletiva após o título, o técnico português, natural de Penafiel, mostrou seu lado humano. O ex-jogador da seleção portuguesa lembrou do início da carreira como treinador e também da relação com a sua família.

“A primeira coisa que me lembrei foi da minha família, e a segunda foi do primeiro título que ganhei, em 2011, com a minha equipe de juniores no Sporting. Foi ali que tudo começou. Agradeço a todos os jogadores que treinei, a todos, e de forma carinhosa a estes (do Palmeiras). Mas não posso me esquecer dos jogadores da equipe B do Sporting, os jogadores da equipe B do Braga, onde fizemos um trabalho extraordinário. Também do presidente do Braga, que nunca antes na história do Braga tinha apostado num treinador da formação. Apostou num treinador que não tinha feito nada na 1ª divisão e me deu essa oportunidade. Tenho que falar também do Mister Savvidis [Ivan Savvidis, dono do PAOK, da Grécia], que pagou uma fortuna por mim sem um título, e que me vendeu ao Palmeiras. E lhe pedi que me deixasse ir para um lugar onde o futebol é algo de apaixonados. Eu sabia que aqui iriam me dar condições que eu não tinha no PAOK", disse.

E na hora de completar a sua resposta, não teve jeito. Ao lembrar da dedicação que tem pelo seu trabalho e da sua família, algo que na maioria das vezes é difícil conciliar, Abel foi às lágrimas.

"São muitas horas de estudo, de trabalho, mas, infelizmente, o que mais me custa é isto. Para ser um bom treinador, isso custa muito. Sou o pior pai, pior filho, pior marido, pior irmão... É verdade, eu sou o melhor treinador, não tenho dúvidas, mas pego isto tudo e não há dinheiro nenhum que me recupere. E é por isso que digo, choro na minha carreira”, finalizou.