Há diversas razões, das publicamente conhecidas até às menos faladas por aí, que ajudam a explicar por que o São Paulo entrou em uma fase tão ruim no Campeonato Brasileiro. Questão emocional, erros técnicos, falta de alternativas. Uma das causas da queda, ou talvez só mais uma consequência do momento terrível, veste a camisa 30 e retrata o atual Tricolor.
Artilheiro da temporada, com 22 gols, Brenner vive, disparado, o pior momento individual desde que surgiu como solução dos problemas de Fernando Diniz. O atacante não balança as redes desde 26 de dezembro, quando fez os dois da vitória sobre o Fluminense, no Maracanã.
Curiosamente ou não, esse foi o último triunfo do São Paulo, que naquela noite abriu sete pontos de vantagem na liderança e apontou como favorito à conquista.
De lá para cá, são cinco jogos do Tricolor, todos com Brenner como titular, e um aproveitamento de assustadores 13,3%: empates com Grêmio e Athletico-PR, mais derrotas para Red Bull Bragantino, Santos e Internacional. A seca resultou em eliminação na Copa do Brasil e não só o derretimento da gordura como também a perda da liderança do Brasileirão.
Neste sábado (23), contra o Coritiba, no Morumbi, Brenner tem uma nova chance de dar a volta por cima e recuperar o faro artilheiro de outros tempos. O São Paulo, mais do que nunca, depende do jovem, como mostram os números quando ele faz ou não gols na temporada.
Em 2020-21, o aproveitamento do São Paulo quando Brenner balança as redes é de 73,3%: dez vitórias, três empates e apenas duas derrotas, somando todas as competições. Sem gols do atacante, o rendimento tricolor cai para 44,9%: nove vitórias, oito empates e nove derrotas.
Se levados em conta apenas os jogos em que Brenner foi titular, a diferença ainda é grande: 78,7% de aproveitamento quando ele faz gol (oito vitórias, dois empates e uma derrota) e 53,7% quando passa em branco (oito vitórias, cinco empates e cinco derrotas).
Para ajudar o time a reagir, Brenner precisa ter chance, o que não aconteceu com frequência desde aquela vitória no Maracanã. O garoto não finalizou nenhuma vez contra Grêmio (embora neste duelo tenha errado a passada e desperdiçado um cruzamento na medida dentro da pequena área) e Inter, teve duas oportunidades contra o Santos (ambas defendidas pelo goleiro John) e outra na Arena da Baixada, contra o Athletico. Viu ainda um gol ser anulado contra o Bragantino, por impedimento de Vitor Bueno.
A volta de Luciano é um fator motivacional para Brenner, que tem no camisa 11 o parceiro ideal de ataque. Os dois voltaram a jogar contra o Inter e pouco conseguiram tabelar em campo. Agora cabe à dupla carregar as esperanças de um time abalado pelos recentes resultados.
Se ainda há chance de acabar com a fila, ela passa pelos pés dos goleadores. Especialmente de Brenner.
