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Pedido pela naturalização e dupla de ataque em treino: o brasileiro que virou 'parça' de Shevchenko na Ucrânia

No início do século XXI, um dos atacantes mais marcantes do futebol mundial foi o ucraniano Andriy Shevchenko, vencedor da Bola de Ouro da revista France Football em 2004, quando atuava pelo Milan.

Atualmente técnico da seleção ucraniana, o ex-atacante ainda influencia muitos jogadores, como o brasileiro Júnior Moraes, que iniciou sua carreira no Santos e teve passagens por Santo André e Ponte Preta.

Em entrevista ao ESPN.com.br, o centroavante do Shakhtar Donetsk contou que foi o ucraniano que o convidou a se naturalizar e jogar pelo time nacional.

“O Shevchenko é uma figura de muita influência no país. Senão o que tem o maior nome no futebol, é um dos. É um cara que tem uma mente brilhante. Me influenciou muito na minha decisão pela naturalização, conversou muito sobre o projeto dele para a seleção. Tem uma mentalidade vencedora, não à toa tem essa carreira que conhecemos”, apontou.

O brasileiro, que joga desde 2019 pelas cores da Ucrânia, possui algumas histórias com seu ídolo e treinador. Uma delas foi em um dos treinamentos da seleção, quando Shevchenko disse que correria por ele.

“Acho que, às vezes, não tem noção do que ele representa. Ele gosta, também, de ficar na resenha, trocando uma ideia com os jogadores. Nos treinos, ele gosta de participar. Às vezes, ele me coloca no time dele. E fala: ‘Fica aí, eu vou jogar mais atrás, correr, buscar mais a bola”, disse.

“Eu respondo: ‘Não, está brincando comigo, né? Você, Shevchenko, meu treinador vai correr e buscar a bola para mim? Não, pode ficar aí, deixa que eu faço o trabalho’. Mas é muito bacana esse convívio com ele, é um cara que eu admiro muito”, completou.

Outro momento que teve com o comandante foi quando o ucraniano foi assistir uma partida do Shakhtar e, no retorno, Júnior pediu para tirar uma foto no avião por um motivo inusitado.

“Teve um jogo que foi muito importante para a gente, acho que uma vitória em cima do Dinamo, que a gente ganhou e ele foi assistir esse jogo. Na volta, ele voltou no nosso avião, a gente estava na resenha, conversando, eu falei para ele: ‘Parceiro, vem tirar uma foto aqui comigo. Pelo menos uma eu preciso guardar’. Aí, tirei uma selfie com ele para guardar, ficar registrado. Depois, eu falo para os meus parceiros no Brasil, ninguém vai acreditar. Então, vamos registrar direitinho”, brincou.

Nos treinamentos, por jogarem na mesma posição, Moraes já pediu alguns conselhos para Shevchenko, para que o lendário camisa 7 passasse alguns de seus segredos para ele. O brasileiro, porém, não conseguiu tirar muito de seu ‘mestre’.

“Eu pergunto muito para ele sobre posicionamento, sobre como ele gostava de se posicionar dentro de campo, ou quando a bola está perto de um lance de cruzamento. Mas ele sempre acaba dizendo que meus movimentos são fantásticos e que eu faço muita coisa do jeito certo e eu acabo ficando sem jeito, falo para ele me ajudar, me passar os segredos, mas acho que ele gosta de guardar os segredos, não me conta muita coisa”, finalizou.