Antes de ter a sua demissão oficializada pelo Bahia, na noite deste domingo (20), após a derrota por 4 a 3 para o Flamengo, no Maracanã, pelo Campeonato Brasileiro, o técnico Mano Menezes concedeu entrevista coletiva e esclareceu, após acusação de racismo a Indio Ramírez por Gerson, sua versão sobre o ocorreu em campo. O técnico atentou para a seriedade do assunto, mas disse que, na ausência de fatos, é preciso ver o que realmente aconteceu.
“Essse é um assunto extremamente sério, que envolve o mundo e, consequentemente, o Brasil também. Nós não temos nenhum relato, nenhuma imagem, não temos o fato de que o Ramírez falou para o Gerson qualquer coisa desse tipo. Então, quando não temos, logicamente que ficamos do lado do nosso jogador. O que pareceu para a gente naquela hora é que tínhamos crescido no jogo, tínhamos feito 2 a 1, e que estava havendo uma tentativa de paralisar o jogo, de tumultuar, de também tirar um jogador nosso por um cartão vermelho para igualar as coisas. Mas Gerson é um jogador extremamente sério, merece todo o respeito. O clube vai fazer uma acompanhamento, uma investigação do que realmente aconteceu", começou por dizer.
"O Bahia tem uma compromisso muito grande com isso, ninguém da nossa comissão técnica apoiaria um tipo de situação como essa, então se acontecer de depois da conversa com o jogador, das coisas serem esclarecidas, provavelmente amanhã, ou quando o time se reapresentar, não só o Tribunal vai fazer uma denúncia, mas o Bahia também vai tomar as providências porque não tem sentido nenhum de atitude, se é que ela aconteceu", prosseguiu.
"Em relação às discussões de campo, o Gerson estava bastante alterado, xingou todo mundo e aí houve uma tentativa nossa de defender o nosso, mas sempre dentro da questão do jogo, nada de defender uma atitude errada. Se a atitude errada aconteceu, não defendo eu e já pela conversa que tive com o presidente, e pela história do Bahia não vai haver defesa de uma coisa errada se aconteceu, mas vamos ver o que realmente aconteceu”, completou.
Após a demissão do Bahia, Mano também se pronunciou, no seu perfil oficial no Twitter, e afirmou que a sua saída se deu após entendimento entre os dois lados. Mano também voltou a falar sobre a acusação a Ramírez.
"Foi o entendimento dos dois lados, compreendendo em conjunto que era hora de interromper os trabalhos", começou por dizer.
"Sobre o jogo de hoje: Mano condena qualquer ato racismo e reitera que a violência contra quem comete não é caminho para solucionar a questão. E apoia qualquer avaliação e julgamento justo para que o futebol seja sempre referência positiva na nossa sociedade. Crescemos juntos", prosseguiu.
Sobre o jogo de hoje: Mano condena qualquer ato racismo e reitera que a violência contra quem comete não é caminho para solucionar a questão. E apoia qualquer avaliação e julgamento justo para que o futebol seja sempre referência positiva na nossa sociedade. Crescemos juntos.
— Mano Menezes (@manomenezes) December 21, 2020
Após a partida, ainda no gramado, o volante do Flamengo Gerson acusou o meia colombiano de racismo. O jogador rubro-negro também citou Mano Menezes.
"Quero falar uma coisa: tenho vários jogos pelo profissional e eu nunca vim falar aqui nada para a imprensa, até porque nunca sofri esse preconceito e nunca fui vítima nenhuma vez. Depois o Mano (Menezes) até falou 'É, agora você é vítima, porque o Daniel Alves te atropelou', mas teve respeito".
"O Ramirez, quando a gente tomou o segundo gol, o Bruno Henrique fingiu que ia chutar uma bola, ele reclamou com o Bruno, e eu fui falar com ele, e ele falou bem assim para mim: "Cala a boca, negro". Eu nunca sofri. Mas isso eu não aceito. Eu nunca falei de treinador, mas o Mano tem que saber respeitar. Estou vindo falando em nome de todos os negros do Brasil", disse ao Premiere.
O Bahia é o 16º colocado do Brasileirão com 28 pontos, mesma pontuação do Vasco, que abre a zona de rebaixamento.
