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Lewandowski, melhor do mundo, já foi reserva de ex-Palmeiras com Klopp e tem dieta inusitada para brilhar

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Lewandowski: 'Muito da mudança na minha vida foi por conta de Jürgen Klopp e, depois, Guardiola' (0:59)

O artilheiro do Bayern ainda citou o treinador Hans-Dieter Flick quando perguntado sobre seus favoritos (0:59)

Vencedor da Bola de Ouro da Fifa como melhor jogador do mundo pela primeira vez, Robert Lewandowski viveu em 2020 a temporada dos sonhos. O atacante polonês de 32 anos conquistou Bundesliga, Copa da Alemanha e Champions League e deixou para trás os astros Cristiano Ronaldo e Messi, que juntos venceram 11 vezes a honraria.

Artilheiro de quase todas as competições que disputou, ele marcou incríveis 55 gols em apenas 47 jogos pelo Bayern de Munique.

E o que mais impressiona na carreira de Lewa é a sua evolução. Formado no Legia Varsóvia-POL, o atacante passou por terceira e segunda divisões da Polônia até chamar a atenção na elite de seu país.

Levado para ser reserva do Borussia Dortmund há 10 anos, hoje, ele mudou completamnte seu status no futebol graças a um enorme esforço.

O ESPN.com.br conversou com vários ex-colegas do atacante para contar uma das trajetórias mais improváveis do futebol na atualidade.

Começo difícil

Sem chances no Legia Varsóvia, Lewandowski foi jogar a terceira divisão polonesa pelo Znicz Pruszkow - sendo artilheiro da competição - e conseguiu o acesso. Na temporada seguinte, tornou-se o goleador da segunda divisão e foi comprado pelo Lech Poznán, da elite polonesa.

"Enquanto eu estive lá, ele não jogou no time principal. Quando treinamos juntos, era cada um em um time. Ele estava subindo das categorias de base. Eu ganhei a posição e poucas vezes treinamos no mesmo time. Era um situação bem curiosa mesmo. Hoje vemos o fenômeno que ele se tornou, um centroavante referência. O estilo de jogo mudou muito, fico muito feliz com a evolução dele", disse Elton, que jogou com Lewandowski no Legia Varsóvia

Apenas duas temporadas depois de chegar ao Poznán, ele foi artilheiro da Liga Polonesa.

“Foi uma progressão porque ele trabalhou bastante. Já tinha muita qualidade, mas um jogador de 20 anos é diferente porque está começando uma carreira vindo da base. Já dava para ver que ele era diferente e tinha características que eram só dele, principalmente na finalização. Tinha muita qualidade na frente do gol. Alguns jogadores precisam de várias chances para marcar, mas o Lewa precisa de no máximo duas”, explicou Roger Guerreiro, que jogou na seleção polonesa e no Legia.

De reserva a artilheiro

Após se destacar na Polônia, ele foi contratado pelo Borussia Dortmund sem muito alarde, em 2010.

“O [Lucas] Barrios [ex-Palmeiras e Grêmio] era ‘o cara’ do ataque do time. O Lewandowski veio naquela época para ficar no banco”, contou Antônio da Silva, ex-meia do Dortmund.

Na primeira temporada, Lewa saía quase todos os jogos da reserva. O treinador Jurgen Klopp chegou a buscar uma alternativa para colocar o polonês e o argentino em campo.

“O clima estava muito ruim, e o Klopp odeia clima ruim dentro do campo e tentou com o Barrios na frente e o Lewa pelo meio, mas não foram muitos jogos. O Lewa é um centroavante de área mesmo e não deu muito certo”, recordou Antônio da Silva.

No primeiro ano na Alemanha, foram 9 gols em 43 jogos (sendo apenas 18 deles como titular). A situação de Lewandowski começou a mudar depois que Lucas Barrios sofreu uma lesão na parte final da temporada 2010/2011. Ele aproveitou tão bem a brecha que nunca mais saiu da equipe.

"Ele só foi ter sequência depois da lesão do Lucas. O grupo era muito bom e se ajudava demais. Como tinha muitos jogadores bons, se você saísse do time, era difícil voltar para os titulares. Depois dessa série, não teve jeito: o Robert tomou conta da posição e o Lucas nunca mais voltou", lembrou o zagueiro Felipe Santana.

Nos anos seguintes, ele manteve a excelente forma, batendo vários recordes. Em 2013, quebrou a marca de maior número de jogos seguidos fazendo gols no Borussia, ultrapassando as 12 partidas consecutivas de Friedhelm Konietzka em 1964/65. Já Na Uefa Champions League, entrou para o Guinness Book como primeiro atleta a marcar quatro gols em uma semifinal, na goleada sobre o Real Madrid por 4 a 1.

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Lewandowski: 'Muito da mudança na minha vida foi por conta de Jürgen Klopp e, depois, Guardiola'

O artilheiro do Bayern ainda citou o treinador Hans-Dieter Flick quando perguntado sobre seus favoritos

"Ele aprendeu muito com o Klopp a estar sempre voltando para pegar e pressionar os zagueiros adversários”, analisou Antonio.

Em 2014, ele saiu do Dortmund - de graça - para o arquirrival Bayern de Munique depois de vencer duas vezes a Bundesliga, ser vice da Champions e ter virado o maior artilheiro na Alemanha.

Dieta dos campeões

Um dos segredos de Lewandowski é a alimentação diferenciada. Sua esposa, Anna, é nutricionista (além de carateca profissional) e cuida da dieta do craque polonês.

"O Robert me contou inclusive que a grande mudança na carreira dele, que foi quando ele chegou ao topo por clubes e seleção, foi quando ele mudou radicalmente o que ele comia", conta Thiago Cionek, zagueiro da seleção polonesa.

"No dia do jogo, ele come muita proteína. E tem sempre atum no café da manhã, umas coisas meio doidas e bem específicas. Além disso, ele evita tudo que tem glúten e lactose. No dia antes de jogar, depois da janta, ele ainda mata um prato de arroz doce pra encher de carboidrato e glicose para jogar no dia seguinte. Aí, na recuperação, vai muita verdura e abacate", diz.

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Polonês voador! Lewandowski pula muito e cabeceia bola suspensa no ar em treino do Bayern

Equipe de Munique se prepara para a semifinal da Champions League, contra o Lyon - via @fcbayern

Segundo Thiago, é notável que a dieta dá certo e faz a diferença.

"Com certeza esse cuidado com a alimentação ajuda. Todos os exames mostram que dá muito certo. Até porque ele joga mais de 50 partidas por ano e sempre em alto nível físico. Inclusive eu pego sempre alguns conselhos com ele", afirma.

“Era um cara extremante profissional e trabalhador. Ele tinha uma dieta bem diferente e não tem um grama de gordura no corpo. Ele vive para o futebol. Você nunca o vê se machucar, ele é como o Zé Roberto", disse Antônio da Silva.

Personalidade

Nos primeiros anos de carreira, Lewandowski era visto pelos brasileiros como um sujeito mais calado.

“Era um cara bem tranquilo, quieto e na dele. Não era tanto de conversar. Acredito que hoje ele perdeu um pouco dessa timidez e está mais solto", afirmou Elton.

No Dortmund, ele também demorou um pouco para se enturmar com todo o elenco. “Ele era muito quieto com a gente porque também não falava muito alemão. Ele conversava mais com os dois poloneses do time, o Kuba e o Piszczek, que o ajudaram muito”, disse Antônio da Silva.

Segundo Roger, o atacante não é uma pessoa arrogante ou que causa problemas no dia a dia. “O Lewa bem simpático e puxava conversava comigo em inglês. Ele era muito tranquilo”, disse.

Com o passar dos anos, o jogador virou uma liderança na seleção polonesa e no Bayern.

"Apesar de todo o sucesso que ele tem e do fato de ser um dos maiores atacantes do mundo, é um cara simples e muito humilde. Está sempre disposto a ajudar e todos nós o reconhecemos como nosso capitão natural. Ele nunca teve que forçar a liderança, é algo que ele tem dentro. Eu posso dizer que me sinto privilegiado de jogar com ele. É um líder dentro e fora de campo e uma pessoa sensacional.", afirmou Thiago Cionek.

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Lewandowski cobra falta à la Cristiano Ronaldo e faz golaço em treinamento do Bayern de Munique

Será que o artilheiro polonês andou vendo alguns vídeos do CR7?

Sucesso

Apesar de elogiarem o talento e o esforço de Lewandowski, os brasileiros que o conheceram no começo de carreira se surpreenderam com o nível que ele chegou. São oito títulos de Bundesliga, cinco de Copa da Alemanha e um de Champions League e outros tantos troféus.

“Eu não imaginava que ele ficaria tão grande. A gente sempre trabalha para ter uma carreira de sucesso, mas acho que nem ele imaginava. Com o tempo, ele foi criando casca e alçando voos maiores”, disse Roger.

Além de todo sucesso nos clubes, o atacante ajudou a Polônia a jogar as duas últimas edições da Euro (2012 e 2016), além da Copa do Mundo de 2018.

"A cada ano ele melhora os números dele. É um exemplo, porque busca sempre melhorar, mesmo já estando em nível altíssimo. Na liga polonesa, joguei contra ele várias vezes, mas prefiro bem mais agora, que jogamos a favor”, afirmou Thiago Cionek.

O polonês foi artilheiro de 17 competições ao longo da carreira.

“Não imaginava [naquela época] que ele iria se sobressair tanto. Ele meteu muito gol, virou um cara de área e que sabe jogar fora também. Ele aprendeu muito com o Klopp a estar sempre voltando para pegar e pressionar os zagueiros adversários. Ele é raquítico, mas tem muita força porque o zagueiro bate e ele não cai de jeito nenhum. Ele se dedica demais ao futebol e tem um nariz para a área que é incrível. É um cara de outro mundo!”, disse Antônio da Silva.