As mudanças aconteceram em Barcelona e Paris. Mas em Montevidéu, capital do Uruguai, as atenções pelas transferências de Luis Suárez e Edinson Cavani, depois de muito tempo de Barcelona e PSG, respectivamente, foram acompanhadas com atenção.
Os dois jogadores de 33 anos, nascidos na cidade de Salto, foram tratados com certa frieza pelos times que defenderam por muito tempo e com muito brilho - o que deixou os uruguaios na bronca. Mas ambos acertariam contratos com equipes de peso na Europa, o que trouxe alívio ao País.
Neste sábado (12), coincidentemente, os dois maiores nomes do futebol uruguaio na última década vão encarar provas de fogos em seus novos clubes, que disputam clássicos em suas cidades-sede.
O Manchester United de Cavani encara o dérbi local contra o Manchester City, às 14h30. Já o Atlético de Madrid de Suárez pega o Real Madrid, às 17h. Os dois jogos terão transmissão ao vivo da ESPN e do ESPN App, e acompanhamento em tempo real no ESPN.com.br.
Os jogadores, que são os maiores goleadores do Uruguai na História (Suárez, 63; Cavani, 51), começam bem até certo ponto, em que pese o Manchester United passar por uma fase turbulenta na Premier League, na 6ª posição, e eliminado na fase de grupos da Champions League.
O Atletico, por outro lado, tem 26 pontos e lidera LaLiga com seis de vantagem para o Real Madrid e 11 em relação ao Barcelona.
“Observamos com atenção o que aconteceu com ambos”, contou ao ESPN.com.br o jornalista Gonzalo Gabriel, da Radio Universal, de Montevidéu. “E em todos os fins de semana, acompanhamos como eles têm se saído”, diz.
“O futebol uruguaio recebeu as contratações com muita alegria, principalmente porque a continuidade deles na Europa por pelo menos mais duas temporadas permite pensar que chegarão com um bom nível ao Mundial do Catar, em 2022”, disse Pablo Gama, da ESPN do Uruguai
“Estamos felizes que eles tenham ido para clubes que disputam a ponta, e não para equipe de meio de tabela, como aconteceu com Godin, que está no Cagliari depois de não ir bem na Internazionale”, acrescenta Gabriel.
“Suas saídas causara raiva. Mas não ficamos particularmente chateados por eles terem deixado Barcelona e PSG, mas pela maneira como foram tratados”, diz Gama.
“Aqui, torce-se pelos clubes em que os jogadores uruguaios estão. O Barcelona empolgava por causa de Suárez. Agora, é o Atlético que empolga mais. E se não houvesse Cavani, talvez o clássico de Manchester nem chamasse tanta atenção no Uruguai, por exemplo”, acrescenta.
Mas quem está melhor?
Matador de Madri
Desse modo, a capital uruguaia tem visto Suárez se aclimatar com facilidade na equipe madrilenha. Logo na estreia, em 27 de setembro, contra o Granada, fez dois gols e uma assistência.
Em 11 jogos, dez como titular - sete por LaLiga, quatro pela Champions League -, ele já tem cinco gols e uma assistência.
Seus números poderiam ter sido ainda melhores, se o Matador não tivesse perdido duas partidas por conta de COVID-19.
“Gostamos que Suárez tenha ido para o Atletico, porque é uma equipe muito identificada com o Uruguai, Sabíamos que o estilo de Suárez se encaixaria bem por lá”, diz Gonzalo Gabriel.
“Mas também porque é uma equipe que enfrenta o Barcelona, e assim Luis pode mostrar a eles que se enganaram (ao negociá-lo)”, acrescenta.“Queríamos que o Cavani tivesse ido para lá também”, brinca.
“É a equipe mais uruguaia da Europa”, acrescenta também Pablo Gama.
Briga por posição
Cavani tem números um pouco mais modestos, até por não ter conseguido um lugar entre os titulares de Solskjaer até o momento.
São dez jogos dele pelos Red Devils, sendo seis no Campeonato Inglês e quatro na Champions League, competição na qual o United já deu adeus.
Mas desses, ele só foi titular em três. E poupado, não esteve em campo na partida contra o RB Leipzig, na quarta-feira, que selou a eliminação no torneio continental.
Assim como Suárez tem sua estreia para se orgulhar, Cavani também tem um jogo para “colocar no DVD”.
Em 29 de novembro, saiu do banco no intervalo e liderou a virada sobre o Southampton com dois gols e uma assistência: 3 a 2.
Até o momento, Cavani soma três gols com a camisa vermelha.
Fim de ciclo
Os dois jornalistas ouvidos pela reportagem, no entanto, entendem que as saídas dos jogadores de suas ex-equipes - ainda mais pelo modo como aconteceram - sinalizam fins de ciclos.
“Mostra que os finais de suas carreiras estão mais próximos do que gostaríamos que estivessem”, diz Pablo Gama.
“O uruguaio é consciente de que a época maior de glórias de ambos está em declive, por causa da idade. Mas ambos seguem como os grandes estandartes da seleção, juntamente com Godin”, diz Gonzalo Gabriel.
“As transferências fazem com que a gente já comece a olhar com outros olhos para jovens que vêm surgindo, como Darwin Nuñez (Benfica), Bentancur (Juventus) e Nandez (Cagliari)”, diz.
O jornalista, porém, pondera, sem se iludir:
“Os jovens que aparecem são, sim, jogadores bons e já importantes, mas é difícil que cheguem ao que foram Suárez, Cavani, Forlán e Godin”.
“Por outro lado, ver que eles ainda conseguem contratos com equipes de alto nível pode significar que, apesar de tudo, o processo de renovação da seleção possa ser um pouco postergado”, acrescenta Gama.
