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Campeões de 82 dão adeus emocionado a Paolo Rossi: 'Uma parte de nós se foi'

A morte de Paolo Rossi, 64, na noite da última quarta-feira (9) impactou o mundo do esporte, especialmente os companheiros e campeões do mundo com ele em 1982, na Copa do Mundo da Espanha.

“Meus colegas de 1982 continuam escrevendo para mim... uma parte de nós se foi. Uma parte da minha vida vai embora”, disse o ex-defensor Fulvio Collovati para “La Gazzetta dello Sport”.

“Há seis meses perdi um irmão, hoje estou de luto por outro. Não quero falar mais, não é hora de eu falar”, limitou-se a dizer Antonio Cabrini ao principal jornal esportivo da Itália.

“Você nos levou ao ponto mais alto do mundo. Maldito 2020!”, escreveu Bruno Conti nas redes sociais.

Para quem não se lembra ou não viu, a Itália foi para a Espanha totalmente desacreditada. Muitos nem a colocavam entre Brasil, Argentina, França e Alemanha, os favoritos no torneio. Meses antes um escândalo de manipulação de resultados explodiu no país e Rossi estava entre os responsáveis. Acabou punido com dois anos de suspensão, perdendo a chance de jogar a Eurocopa de 1980.

Dois meses antes do Mundial pode ser novamente convocado. O problema era a sensação de terra arrasada. Mas, após avançar da fase de grupos com três empates em três jogos, a Azzurra surpreendeu. Eliminou Brasil e Argentina no triangular da segunda fase.

Paolo Rossi fez seis gols no Mundial, sendo três no Brasil, dois na Polônia (semifinal) e um na Alemanha Ocidental (na final, que terminou com vitória italiana por 3 a 1). Virou o herói de uma geração, idolatrado por italianos do Norte ao Sul.

É por isso que Rossi virou o nome daquela conquista, embora a seleção italiana tivesse craques como o goleiro Dino Zoff, os defensores Gaetano Scirea e Claudio Gentile, o meio-campista Marco Tardelli e o atacante Francesco Graziani, entre outros treinados por Enzo Beazort.

“Eu sinto muito. Não sei o que dizer, foi como um raio caindo em um céu limpo. Sempre tivemos uma ótima relação com o Paolo. Faz um tempo que não nos ouvíamos. As pessoas contavam algo, mas eu não achei que fosse tão sério. As relações com ele eram maravilhosas, ele era muito simpático. Inteligente, ele tinha tudo para se sentir confortável. Algo difícil de entender”, disse Zoff.

“Outra parte da minha amada história do futebol vai embora. Grande Paolo! Com você vivi os melhores anos na seleção nacional. Eu te amo. Descanse em paz”, disse Giancarlo Antognoni.

“Existem desportistas que são ícones e são inatingíveis. Paolo Rossi, por outro lado, não era apenas o esportista da Copa do Mundo de 1982 na Espanha, mas também a pessoa mais prestativa e descontraída que já existia, irmão de todos e o filho que todos os pais gostariam de ter”, disse o ex-goleiro Giovanni Galli.

“Acho difícil falar porque sempre há a preocupação pela manhã de que chegarão notícias terríveis. Aconteceu com Maradona há 15 dias e na quarta com Paolo Rossi. Ele era amigo de todos, sempre sorria para todos, estava sempre disponível, sempre com um sorriso. Era difícil vê-lo com raiva. Quando nos víamos, sempre nos lembrávamos de uma viagem que havíamos feito com a seleção Sub-21, para o Funchal, em Portugal. Voltamos a Milão no dia 24 de dezembro, pegamos o carro juntos e quase chegamos em casa no dia de Natal. Não tenho palavras para descrevê-lo porque seriam muito pobres para sua generosidade”, lamentou o ex-companheiro de Rossi.

A causa da morte de Paolo Rossi não foi divulgada pela família, mas sabe-se que ele vinha tratando uma doença degenerativa nos últimos anos. Entre os legados que deixou, está uma marca difícil até mesmo para Cristiano Ronaldo, Lionel Messi e Neymar conseguirem.

Em 1982, ele foi artilheiro da Copa, campeão e eleito para receber a Bola de Ouro, prêmio de prestígio oferecido pela revista francesa France Football para o melhor da temporada (não havia o prêmio da Fifa). Apenas Ronaldo Fenômeno conseguiu tal feito e foi 20 anos depois, em 2002.