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Premier League: Sem ver 'rosto', Marcelo Bielsa pede para Leeds atacar sempre, não importa o adversário, revela Raphinha

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Bielsa é louco mesmo? Raphinha conta como é a rotina de trabalho com o argentino no Leeds (2:23)

Brasileiro afirmou nunca ter trabalhado com um técnico parecido com o que lhe comanda agora (2:23)

Autor da gol da vitória do Leeds United sobre o Everton, na última rodada (1 a 0), o atacante brasileiro Raphinha vai cada vez se sentindo mais em casa em Elland Road.

A aclimatação seria ainda mais fácil se ele pudesse ter contato com a fanática torcida do clube, que certamente esgotaria sua parte dos ingressos para o confronto com o Chelsea, às 17h deste sábado (5), em Stamford Bridge, pela Premier League.

“O futebol fica meio chato sem torcida, mas é um mal necessário”, disse Raphinha, em em entrevista exclusiva ao ESPN.com.br.

“Sempre que estamos saindo do estádio, alguns torcedores nos dão tchau nas ruas. A gente recebe instrução para não parar e tirar fotos, para evitar a contaminação. Mas eu recebo muitas mensagens de carinho no Instagram, é algo impressionante mesmo”, conta.

Com ou sem torcida, o jogo em Londres será mais uma prova de fogo para o time de Marcelo Bielsa que, até o momento, não fez feio nas mãos de nenhum dos “Big Six” que já enfrentou: perdeu do Liverpool, mas por 4 a 3, na 1ª rodada; empatou em 1 a 1 com o Manchester City, e em 0 a 0, com o Arsenal.

Até porque, como Raphinha confirmou, a postura do Leeds é a mesma contra todos os adversários:

“Nós não vemos rosto. A gente sempre vai tentar impor o nosso ritmo, sempre atacando, pressionando. Independentemente da equipe, nós sempre vamos buscar entrar de igual para igual. Nem que seja para sair com um ponto. Mas essa é a nossa cara hoje em dia”, disse ele.

Resultados à parte, tem chamado muita atenção a quantidade de chances criadas pela equipe em seus jogos. Contra o Arsenal, por exemplo, foram 27 chutes, de todos os jogadores de linha, com três bolas na trave.

Em dez partidas, o Leeds criou 116 chances de gol. Ninguém criou mais na atual edição da Premier League até o momento.

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'Atacar sempre': Raphinha explica orientação de Bielsa e diz até onde o Leeds pode chegar

Segundo o atacante, não importa o adversário, mentalidade é sempre a mesma

“A gente acaba criando muito, mas às vezes acho que falta sorte para fazermos os gols”, diz.

“Não acho que seja falta de capacidade, até porque se fosse isso, o atleta não estaria na Premier League. Acredito que seja um pouco de falta de sorte. Não é sempre que você vai atacar e fazer o gol. Mas a nossa maneira de jogar é sempre atacar, independentemente do resultado”, afirma.

Até onde dá para ir com essa postura? Raphinha responde:

“Pelo Leeds ter retornado agora da segunda divisão, o nosso objetivo é a permanência na Premier League. Mas, às vezes, as coisas acabam acontecendo de um modo que permite também conquistar outros objetivos”, diz.

Chegada ‘no susto’

Estar se sentindo à vontade no seu clube é sempre algo positivo. Ainda mais quando, como no caso de Raphinha, gostava-se muito do clube em que se estava antes. Raphinha, para piorar. acabou negociado sem muito aviso prévio.

“Cheguei aqui em uma segunda-feira, e fiquei sabendo da proposta no sábado. Eu estava indo para a concentração do Rennes da França)”, disse ele, que ficou chateado pela maneira como as coisas foram resolvidas.

“Eu estava focado em disputar uma Champions League no Rennes. Mas, ficar sabendo que, sem mais nem menos, aceitaram uma oferta do Leeds, por um valor até inferior ao da compra, fez com que eu me sentisse desvalorizado”, diz.

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'Sem mais nem menos, aceitaram uma oferta do Leeds': Raphinha explica saída 'relâmpago' do Rennes, mas diz estar feliz na Inglaterra

Jogador atuou na Ligue 1 no sábado e se apresentou na nova casa na segunda

“Joguei no domingo e, depois da partida, colocaram a responsabilidade toda em cima de mim, da saída”, diz ele, sem esconder a mágoa.

“Até sábado, ao meio-dia, eu estava focado no jogo. A janela de transferências estava fechada, sabia que nada mais iria acontecer. E me passaram que o Rennes só me venderia por uma oferta de 60 milhões de euros, mas me venderam por 15 milhões. Me senti desvalorizado”, diz ele.

A recepção no novo clube, porém, começou a mudar um pouco o estado mental de Raphinha.

“Fui muito bem tratado (no Leeds), senti o mesmo carinho que senti no Rennes, senti que me queriam aqui. Foi muito gratificante”, diz.

“Hoje estou feliz no Leeds, me mostraram o projeto do clube, eu gostei, sou um atleta que quero sempre vencer, fiquei muito feliz com isso”, garante.

Parte dessa alegria está em poder trabalhar com um treinador como Marcelo Bielsa, ídolo e exemplo de diversos técnicos, como Guardiola, Pochettino e Simeone.

Bielsa é Louco?

“Ele é um cara focado no trabalho, naquilo que ele tem em mente sobre futebol. Aquele conhecimento todo que ele tem, ele sempre gosta de externar”, conta ele, sobre seu técnico.

“Os trabalhos dele são completamente diferentes do que eu aprendi até hoje. É um treinador que tem sede de vencer. Eu quero sempre vencer, estar entre os melhores. A maneira dele querer sempre mais me ajudou na minha decisão”, diz.

“Ele é um louco por vitórias, por conseguir os resultados, por trabalho”, diz. “É uma pessoa muito boa, sempre quis me ajudar, sempre me mostra o que eu posso melhorar. Mas sempre com a ambição de algo mais”, conta.

“O 'el loco' que todos falam é pela sede de vencer, de ganhar, pelo querer trabalhar mais.”

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Raphinha, do Leeds, pretende encerrar carreira no Brasil e revela: pensa em voltar para dois times

Jogador que está na Inglaterra atuou em Portugal e França, mas pouco jogou em seu país de origem

‘Balneário’, resenha e Brasil

O vestiário do Leeds, que ele inicialmente chamou de balneário na entrevista, influência de seu tempo em Portugal (jogou por Vitória de Guimarães e Sporting), ainda é território de seriedade para Raphinha.

“A tendência é o vestiário ser um pouco mais sério, mais concentrado. Sempre que tem um outro brasileiro na equipe a gente busca fazer um pouco de palhaçada. O futebol é algo sério, nossa profissão, mas precisa levar alegria para dentro de campo”, diz.

“Os gringos acabam entrando na onda e a gente deixa o ambiente leve. Tem muito cara que é da ‘resenha’: Rodrigo, Alioski, o Hélder Costa, o Harisson, eu também. Todo mundo gosta da resenha. A gente sempre tenta animar o vestiário”, diz.

No Brasil, porém, Raphinha quase não teve essa experiência, que ele espera ter, mais para o fim de sua carreira.

“Tenho vontade de retornar ao país e disputar futebol profissional. Se for possível, quero disputar o Campeonato Brasileiro

“Eu não tenho preferência específica, mas por ser de Porto Alegre, tenho vontade de estar no Grêmio ou no Internacional. Penso em encerrar a carreira em um desses dois clubes”, disse.

E seleção brasileira?

“É meu objetivo desde a base. De Portugal até hoje. tive uma evolução muito boa, mostrei que poderia fazer parte, que tinha capacidade, sempre dando meu melhor”, diz.

“Na hora em que a chance aparecer, vou estar preparado e confiante”, garante.