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Cinco anos do tri do Palmeiras na Copa do Brasil: Rafael Marques detalha bastidores, Santos 'engasgado', papo com Ricardo Oliveira e 'surpresa' na final

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Rafael Marques relembra provocações e favoritismo dado ao Santos antes de título do Palmeiras na Copa do Brasil em 2015 (3:17)

Atacante conversou com exclusividade com o ESPN.com.br e detalhou a final entre Palmeiras e Santos, em 2015 (3:17)

"Se o Prass fizer, o Palmeiras será campeão da Copa do Brasil e pela terceira vez. Atenção, vai Fernando Prass, bateu...", foi assim que Paulo Andrade, narrador dos canais ESPN, detalhou a última cobrança de pênalti do Palmeiras diante do Santos, na grande final da Copa do Brasil de 2015, que deu ao Alviverde o tricampeonato da competição nacional.

Personagem importante da equipe dirigida primeiramente por Oswaldo de Oliveira e em seguida por Marcelo Oliveira, e 'quase vilão' na noite daquele 2 de dezembro de 2015, o atacante Rafael Marques conversou com exclusividade com a reportagem do ESPN.com.br.

O experiente atleta contou os detalhes da grande final, os sentimentos antes e durante a partida, e toda a emoção até o fatídico pênalti, que fez explodir o Allianz Parque.

O enredo da grande decisão foi recheado de provocações e polêmicas, principalmente fora de campo. Naquele momento na temporada, o Santos vinha apresentando um futebol superior ao do Palmeiras e parte da mídia, da torcida e de pessoas ligadas ao futebol davam favas contadas para uma vitória tranquila santista na grande final.

"A questão do favoritismo do Santos por parte da imprensa motivou mais ainda. Nós atletas sabíamos que tínhamos um grupo muito competitivo. Nós confiávamos muito, ainda mais após a primeira partida. Dentro da nossa casa, na Arena, nós sabíamos que seria diferente. Alguns dias antes das partidas, postagens, cartazes do Santos campeão e principalmente a ida do Vitor Hugo a um programa da ESPN, que chamou ele de futuro vice-campeão da Copa do Brasil, tudo isso foi uma motivação a mais. Foi uma conquista de mais impacto do que o Brasileirão de 2016, muito por conta do mata-mata", disse o atacante.

"Eu sempre procuro imagens daquele dia, foi algo inexplicável. Só quem vivenciou tudo isso sabe como foi gostoso. Depois da partida, lá na Paulista, principalmente. Foi um momento maravilhoso. Posso dizer que foi um dos momentos mais maravilhosos da vida, depois do nascimento das minhas filhas", disse o atacante, que hoje veste a camisa do Ventforet Kofu, do Japão.

Espécie de 12° jogador do Palmeiras no time titular, Rafael Marques estava no banco de reservas até os 42 minutos do primeiro tempo, quando precisou entrar em campo na vaga de Gabriel Jesus. A revelação palmeirense não resistiu às dores no ombro esquerdo em lesão que havia sofrido ainda na ida, em Santos, e deixou o gramado chorando.

Precisando de dois gols para conquistar o título no tempo normal, o Palmeiras foi para o intervalo empatando em 0 a 0. Porém, nem mesmo a urgência tirou a calma do elenco e de Rafael Marques, que explicou como a equipe conseguiu controlar a qualificada equipe do Santos para mudar a história na segunda etapa.

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1:23

'Fui pego de surpresa': Rafael Marques detalha entrada na final Palmeiras x Santos em 2015

Atacante conversou com exclusividade com o ESPN.com.br e detalhou a final entre Palmeiras e Santos, em 2015

"Eu fui pego de surpresa até, porque não sabíamos que o Gabriel Jesus não aguentaria jogar. A intensidade do Santos no ataque sempre foi muito marcante. O Lucas Lima estava muito bem em campo, tinha o Ricardo Oliveira, o Gabigol, o Geuvânio. Eles faziam demais o facão, quebravam as linhas e o Lucas Lima era quem dava o passe. A gente sabia que a arma deles era o início do lance. Mas, no Allianz, nós controlamos a partida, nós estávamos criando chances de gol, sentimos confiança. A qualquer momento o gol poderia sair, nós sabíamos. Não teve nada específico, mas sim a confiança que nós tínhamos, com a casa lotada", explicou o atacante.

No segundo tempo, o Palmeiras chegou aos dois gols com o meia-atacante Dudu, o segundo deles aos 39 minutos do segundo tempo. A final parecia resolvida, mas ainda havia tempo para Ricardo Oliveira, desafeto do rival desde a conquista do Campeonato Paulista em cima do próprio Palmeiras e responsável por provocações a Fernando Prass, aproveitar vacilo da zaga para diminuir e colocar o Santos de volta na briga.

Ao longo de toda a temporada, Ricardo Oliveira foi 'persona non grata' por parte dos palmeirenses. Rafael Marques disse que o próprio elenco do Palmeiras estranhou o comportamento do experiente centroavante, principalmente em relação às provocações aos próprios companheiros de trabalho.

"Nós sentíamos uma provocação do Ricardo Oliveira, que era um cara que eu admirava muito, mas foi muito estranho o comportamento dele. Uma coisa é provocar a torcida, mas certas reações dele, ele gritar na orelha do Dudu, trocou provocações com o Vitor Hugo, com o Prass, foi deixando a gente chateado. E nós não sabemos o dia de amanhã".

"Eu sou um cara tranquilo, mas tudo aquilo afetou até a mim. Nós estávamos focados no nosso objetivo, no final conseguimos trazer o título para casa e tirar aquela coisa engasgada na garganta. Logo no começo, antes da final, todo mundo focou em provocações. Depois tive a chance falar com ele, com o Renato, mas ficou sem mágoa".

Com o 2 a 1 mantido no placar, a decisão foi para os pênaltis. Rafael Marques foi o segundo batedor do Palmeiras e chegou na marca da cal podendo colocar 2 a 0 no placar, uma vez que Zé Roberto havia marcado, mas, pelo lado do Santos, Marquinhos Gabriel havia escorregado e mandado por cima do gol, e Gustavo Henrique parado em Fernando Prass.

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2:06

'Cabeça para baixo, rezando': Rafael Marques fala sobre 'fé em Prass' após perder pênalti em final da Copa do Brasil

Atacante conversou com exclusividade com o ESPN.com.br e detalhou a final entre Palmeiras e Santos, em 2015

Mas, a cobrança no canto direito do atacante parou em Vanderlei. A perda foi uma ducha de água fria no atacante, que diz que 'apenas rezava' na sequência das cobranças.

"A gente tem que agir muito tranquilamente. O pênalti é loteria e está muito mais difícil para o batedor. O goleiro estuda muito. Depois dos pênaltis que eu acabei perdendo, eu precisei mudar minha forma de bater. A gente sabia que tínhamos que ter tranquilidade. Nós somos ser humanos. Vem aquele balde de água fria, mas sabia do goleiro que nós tínhamos, na grandeza do Prass, sempre um grande pegador de pênaltis. Eu só torcia para que meus companheiros fizessem. Até o pênalti do título, eu estava com a cabeça para baixo, rezando, pedindo para que o título viesse".

A partir dali, todos marcaram. O último, foi o goleiro Fernando Prass, que entrou de vez na história do Palmeiras. Com uma bomba de pé direito no canto direito, o arqueiro colocou fim no sofrimento de uma final recheada de reviravoltas e deu o primeiro título da história do Allianz Parque.