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Enterro de Maradona foi 'íntimo' e só teve uma pessoa do futebol; jornal narra o último adeus

Os argentinos jamais vão esquecer a quinta-feira (26), data da despedida final a Diego Armando Maradona, velado por dez horas na Casa Rosada, sede da presidência, em Buenos Aires, e sepultado no cemitério Jardín Bella Vista, na região metropolitana da capital do país.

Se cerca de um milhão de pessoas se dirigiu até a Casa Rosada para velar o corpo do craque, em um momento muito tocante de demonstração de dor, amor e fé pelo ídolo morto aos 60 anos, apenas um grupo em torno de 50 pessoas teve acesso ao enterro.

A escolha foi não somente para preservar a família, mas também para evitar confusões, como ocorreu no velório.

O diário “Olé” relata que a família decidiu fazer uma cerimônia reservada, organizada por Claudia Villafañe, a primeira esposa de Maradona e mãe de Dalma e Giannina. Inclusive, foi ela quem decidiu quem poderia estar presente e só liberou uma pessoa ligada ao futebol.

Foi Guillermo Coppola, empresário que trabalhou com Maradona por 18 anos e que cujo reencontro mais recente foi justamente em 2020 em uma partida pela Copa Argentina. Durante um longo período eles estiveram brigados, com o craque acusando Coppola de roubo.

Também compareceram as cinco irmãs e o irmão Lalo --Hugo, “El Turco”, não veio porque mora na Itália--, os cunhados e sobrinhos mais velhos, as filhas Dalma (com seu companheiro), Giannina e Jana. Amigos da vida como El Pollo (de La Paternal) e dois Marianos, como revelaram o “Olé”. Também estava Verónica Ojeda, mãe de Diego Fernando, enquanto Rocío Oliva, namorada que Maradona acusou em 2014 de ter lhe roubado joias, relógios etc. (uma perda, dizia, de 400 mil dólares) não teve permissão para acompanhar o sepultamento.

O embaixador da Itália, Giuseppe Manzo, com seu filho, também marcou presença. Ele é um napolitano de 50 anos apaixonado por Maradona. Sergio Berni, Ministro de Segurança da Província, responsável pela operação para manter a cerimônia reservada, também participou.

Na solenidade houve espaço para Luciano Malatini, que escreveu um livro sobre Maradona, e o jornalista Martín Arévalo, que sempre esteve perto dele, de extrema confiança, que trabalhou no “Olé”.

A imprensa acompanhou o sepultamento com drones, embora só tenha sido possível observar a movimentação ao redor da área onde ele foi sepultado. A família pediu uma uma tenda sob a cova para não transmitir ao mundo o triste momento.

A cerimônia foi marcada por silêncio completo, quebrado apenas pelo padre. Ele fez um discurso evocando a família, relembrando como foi Maradona ao longo de sua vida, dizendo que viu muitos presentes semelhantes a ele. E resgatou os país do camisa 10, Doña Tota e a Don Diego, as grandes perdas que Diego sofrera e com quem, disse o padre, "agora irá voltar a encontrar-se”.

Os relatos traduzem um silêncio mortal quando o caixão foi para a cova. O “Olé” diz que foram cerca de 20 minutos de acompanhamento final, reflexão e lágrimas. Como gesto final, aplausos para o maior ídolo do esporte na Argentina e um dos maiores no mundo.