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Europa viu 18 clubes trocarem de dono em 2020: entenda como EUA e até pandemia influenciaram para isso

Com exceção da àrea da saúde, a pandemia causada pelo coronavírus diminuiu o ritmo das atividades econômicas em quase todos os setores.

No que diz respeito às aquisições de clubes de futebol na Europa, no entanto, esse fenômeno sofreu um impacto proporcionalmente menor. E os Estados Unidos têm uma parcela grande de responsabilidade nisso.

Cada vez mais ávidos por adentrar o mercado esportivo europeu, os investidores norte-americanos viram na crise uma janela de oportunidade de negócios e decidiram ampliar sua participação no continente, aproveitando-se de um momento de queda nos "valores de face" das agremiações e perspectivas deficitárias.

De acordo com o relatório "Football Benchark - A pandemia como desencorajante para investidores", da consultoria KPMG, houve 18 transações de aquisições de totalidade ou de percentuais de clubes pela Europa em 2020.

Destas, nove, a metade, foram realizadas por empresas, fundos ou investidores norte-americanos.

O número é menor que as 45 aferidas em 2019. Na verdade, porém, foi tal temporada que saiu da curva. Em 2018, houve 20 transações - e o ano atual, com uma pandemia no meio, ainda nem acabou.

Para um megagrupo investidor com situação financeira saudável, pode fazer pouca diferença ter de absorver um déficit em uma temporada diante de uma barganha com boa perspectiva futura. E foi o que alguns investidores fizeram.

Ter um clube agora, em um momento em que preços de transações de jogadores podem ficar mais baratas, também permite aquisição de atletas por valores menores dos que os que serão praticados futuramente.

Ou seja: quem paga 25 milhões de Euros num jogador que sabidamente custava 30 até a pandemia vislumbra um ganho fácil e rápido com trasferências futuras. E para se adquirir um jogador, é preciso ter um clube.

Outro ponto diz respeito ao fato de muitos clubes de divisões top das maiores ligas já terem passado por aquisições, inclusão de novo capital societário e trocas de proprietário recentemente.

Desse modo, só restou aos investidores olharem para clubes em divisões menores das maiores ligas, ou mesmo para os clubes de ligas secundárias que disputem a Champions League - ainda mais baratos e atrativos.

Um recuo dos investimentos por parte de chineses, por conta da pandemia e da deterioração de relações internacionais, também ajuda a explicar porque em especial investidores norte-americanos têm aumentado sua penetração no futebol europeu.

Com exepertise, capital pronto para ser investido e acostumados a valores muito maiores em um mercado doméstico bem mais restrito, os grupos dos Estados Unidos tendem a preencher esse lacuna.

As duas principais divisões da Inglaterra tiveram duas negociações em 2020. Na Espanha, o Girona, da segunda divisão, teve 35% adquirido por um grupo. A França teve cinco negociações do tipo em clubes de menor expressão, como o Toulose. E já na Itália, Roma, Parma e Venezia trocaram de mãos em 2020.

Foram de americanos os investimentos nos três clubes italianos citados acima, com destaque para os 86% da Roma, adquiridos pelo grupo Friedkin Sports.

Hoje, os americanos tem investimentos em 12 dos 60 clubes das primeiras divisões da Inglaterra, Espanha e França. Na Premier League, a cereja do bolo, Leeds United, Manchester United, Arsenal, Fulham, Crystal Palace, Swansea, Aston Villa e Liverpool contam com capital ianque.

Como os americanos enxergam investimentos em esporte como algo para se recuperar no longo prazo, a pandemia acabou não trazendo a eles empecilhos muito grandes para investir.

Veja abaixo quais os clubes que trocaram de mãos em 2020 - em partes ou inteiramente:

- KV Oostende (Bélgica): 70% para o Pacific Media Group (EUA) - Tem participação no FC Thun (Suíça) e no Barnsley (Inglaterra)

- Lomell Sk (Bélgica): 100% para o City Football Group (EAU) - Tem participação parcial ou total em Manchester City (Inglaterra), New York City (EUA), Yokohama Marinos (JAP), Melbourne City (Austrália), Montevideo City Torque (Uruguai), Girona (Espanha), Sichuan Jiuniu FC (China), Mumbai City FC (Índia) e Troyes (França)

- SønderjyskE Fodbold (Dinamarca): 100% para a Família Platek (EUA) - Participação no Sunderland (Inglaterra)

- Fortuna Sittard (Holanda): 100% para o Acun Ilıcalı (Turquia)

- Waasland-Beveren (Bégica): 97% para o Bolt Football Holdings (EUA) - Participação total ou parcial em Crystal Palace (Inglaterra), Philadelphia 76ers (NBA), Phoenix Suns (NBA), New Jersey Devils (NHL), entre outros

- Grasshoppers (Suíça): 90% para Champion Union HK Holding (Hong Kong) - Donos do Wolverhampton (Inglaterra)

- Venezia (Itália): Aquisição majoritária por Duncan L. Niederauer (EUA)

- Parma (Itália): Acima de 60% para o Krause Group (EUA) - Donos do Des Moine Menace (EUA)

- Livorno (Itália ): Doação de percentual para a municipalidade de Livorno

- Roma (Itália): 86% para o Friedkin Group (EUA)

- Girona (Espanha): 443% para o City Football Group

- Toulouse (França): 85% para o fundo RedBird Capital (EUA) - Direitos de transmissão de diversas franquias nos EUA, além de contratos de representação e marketing com atletas da NBA e da NFL, e serviço de hotelaria e hospitality para a NFL

- Bordeaux (França): 100% para o fundo King Street (EUA)

- Troyes (França): 100% para o City Football Group

- Caen (França): 80% para Oaktree Capital (EUA) e 20% para Pierre-Antoine Capton (França)

- Charlton (Inglaterra): 100% para Thomas Sandberg (Dinamarca)

- Wigan (Inglaterra): 100% para José Miguel Garrido Cristo (Espanha)