Corinthians: Diretor do sub-23 explica contratações, revela valores e defende categoria

A categoria sub-23 é um assunto que rende divergências dentro do Corinthians e entre seus torcedores desde a montagem do elenco, no início de 2019. Nesta quarta-feira, uma campanha no Twitter fez a hashtag “QueremosTransparência” aparecer no Treding Topics do Brasil durante a noite. Os maiores questionamentos são pelo alto número de contratações.

“Eu tenho minha consciência muito tranquila, estou no clube desde 1966, tenho cinco mandatos como Conselheiro, sou vitalício desde 2013, tenho meus negócios particulares e não vou entrar nessa de política. Faço apenas meu trabalho”, disse o diretor do departamento, Jacinto Antonio Ribeiro, conhecido por Jaça, para a reportagem.

“Até o início do ano passado, não tínhamos o Sub-23. O Roberto [de Andrade, ex-presidente] disse que a CBF obrigaria os clubes a ter, e o Andrés me deu essa missão. Faltavam dois meses para o campeonato começar e nós não tínhamos time nenhum, não tínhamos técnico… Tivemos que montar o time e fomos atrás de indicações e observações”.

“Até hoje, nós nunca contratamos. Contratação que eu entendo é ir lá e pagar pelo jogador. Todos vieram e o Corinthians nunca gastou um centavo. O Hugo Borges [atacante] é o que ganha mais, isso porque ele estava no profissional do Vasco já. Indicaram, veio, ficou três, quatro semanas sendo observado e ficamos com ele. O Vasco ficou com 40% e deu 60% dos direitos dele. Ele ganha R$ 20 mil, o mesmo salário que ele ganhava no Vasco. Mas, a média é de 3, 4 mil, tem um ou outro que ganha 7 ou 8 mil. Outra exceção é o rapaz que veio do Flamengo, o Gabriel Silva [atacante], também foi profissional lá e ganha R$ 12 mil”.

Jaça garantiu que mais de 90% dos atletas do elenco têm os direitos econômicos totalmente ligados ao Corinthians e reforçou o fato do custo mensal com a categoria ser irrisório para o clube. “O gasto todo não chega a R$ 200 mil por mês”.

Ao ser perguntado sobre o número de contratações, o dirigente também minimizou o impacto, principalmente, nas redes sociais.

“Hoje, nós temos 31 jogadores. Alguns ficam pouco tempo. Renovamos alguns contratos recentemente, mas isso também só aconteceu porque o campeonato vai até março , e não mais até dezembro. Por isso, alguns foram renovados até o fim do campeonato. Só isso”.

Atualmente, o Corinthians do técnico Edson Leivinha é líder do Grupo B no Campeonato Brasileiro de Aspirantes depois de ficar por meses sem ter competição para disputar.

“Isso incomoda. Era para participarmos do Brasileiro de Aspirantes e da Copa Paulista, mas das oito datas que nós tínhamos, quatro ou cinco eram no mesmo dia. Fomos na Federação para mudar e não conseguimos. Falei para o Andrés falar com o Mauro Silva [diretor da FPF], mas ele avisou que não iam mudar. Então, como vai fazer? Ficamos só no Aspirantes, que vai até março”.

Por fim, o diretor defendeu a manutenção da categoria sub-23 e usou as últimas revelações que despontaram na equipe principal como exemplo.

“O Raul Gustavo [zagueiro], que está lá no profissional, estourou a idade no ano passado e veio para o sub-23. Em janeiro, fomos para o Japão, o Raul jogou, o pessoal assistiu e levaram ele para o profissional. O Roni levamos para o Japão também. O Xavier ano passado estourou a idade [na verdade ele ainda não estorou]. Se ele não vem, como ele estaria no profissional hoje? Eu gostaria que aproveitassem ainda mais jogadores, mas não é fácil. Mas, é melhor do que como era no passado, quando perdíamos tantos jogadores por causa da idade e da falta de espaço no profissional, como aconteceu com Éverton Ribeiro, Willian Arão e tantos outros”.