Acostumado a disputar competições europeias, o Valencia vive uma temporada atípica. Fora da Champions League e da Europa League, o clube espanhol ocupa apenas a 15ª colocação com oito pontos, a dois da zona de rebaixamento. E a crise da equipe do Mestalla tem origem fora dos gramados.
Em crise cada vez mais acentuada, o que passa o Valencia na atual temporada é fruto de uma má gestão comandada por Peter Lim. O cingapuriano, que é dono de 70% do clube espanhol desde 2014, tem interferido em diversas decisões da comissão técnica e deixado o clima nos morcegos bastante desgastado.
CONTEXTO DA CRISE
O melhor Valencia do século foi no início dos anos 2000. Com duas La Liga conquistadas e uma Europa League, o clube espanhol figurava entre os principais clubes do país e figura presente em competições europeias.
No entanto, o Valencia passou por um período negativo. Depois de algum tempo flertando com o rebaixamento, a equipe do Mestalla só voltou a ter holofote no cenário espanhol e europeu com a chegada do técnico Marcelino García Toral, em 2017. Mas, a relação de Marcelino com Peter Lim não era das melhores. A constantes tentativas do cingapuriano em influenciar nas decisões que cabiam ao treinador levaram ao desgaste da relação de ambos.
O estopim do caos foi ao final da temporada 2018-19. Marcelino foi demitido de forma surpreendente após ser campeão da Copa do Rei. A atitude de Lim levou a torcida do Valencia se revoltar com o magnata e até alguns jogadores do elenco a se sensibilizarem com a saída do treinador.
ERA PÓS-MARCELINO
Depois de Marcelino, na última temporada o Valencia contratou Albert Celades, ex-auxiliar de Julen Lopetegui na seleção espanhola. No entanto, foram apenas 10 meses sucedendo o ex-técnico. Na Champions, o clube espanhol conseguiu se classificar em primeiro no grupo que tinha Chelsea, Lille e Ajax. No entanto, caiu nas oitavas de final da competição para a sensação Atalanta.
Nos torneios nacionais, acúmulo de fracassos. Queda na Copa do Rei nas oitavas de final para o Granada e uma amarga 9ª colocação, ficando de fora de competições europeias, algo que Marcelino alcançou ao longo de suas duas temporadas no clube.
A saída de Celades veio acompanhada da demissão de César Sánchez, diretor de futebol. O agravamento da crise vem sendo refletida na montagem de elenco da atual temporada, com a saída de peças importantes do Valencia nos últimos anos.
DESMANCHE DO PLANTEL
Com a crise instaurada, o Valencia viu suas principais peças deixarem o Mestalla. Peter Lim, vendo os problemas financeiras, negociou algumas peças para fazer caixa. Ferrán Torres, umas das principais revelações do clube, foi negociado com o Manchester City por 23 milhões de euros e mais 12 milhões de euros em variáveis, o que pode totalizar R$ 35 milhões (cerca de R$ 222 milhões).
Dani Parejo, que atuou durante nove temporadas nos morcegos, sendo o capitão e camisa 10, foi a custo zero para o Villarreal. Ex-Arsenal, Francis Coquelin também rumou ao Submarino Amarelo.
Na zaga, Ezequiel Garay rescindiu com o clube. No ataque, Rodrigo Moreno também deixou o Mestalla e rumou à Premier League para ser comandado por Marcelo Bielsa no Leeds United.
A transação mais recente foi do meia Kondogbia. O jogador de 27 anos foi comprado pelo Atlético de Madrid por 17 milhões de euros, cerca de R$ 114 milhões.
E o Valencia, neste domingo (8 de novembro), terá uma pedreira visando se afastar da zona de rebaixamento. Os morcegos recebem o Real Madrid, às 17h, no Mestalla. A partida terá transmissão dos canais ESPN e do ESPN App.
