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Artilheiro no Goiás, Dill diz que teve passagem no São Paulo atrapalhada por lesões e política

O jogo válido pelo Brasileirão entre São Paulo e Goiás, neste sábado, traz sentimentos diferentes para Elpídio Barbosa Conceição. Conhecido com Dill, o atacante viveu o auge da carreira aos 26 anos pelo time esmeraldino quando foi o maior artilheiro do Brasil em 2000 com incríveis 53 gols e brilhou na Copa João Havelange.

Revelado nas categorias de base do clube goiano, ele virou profissional em 1994 e colecionou seis títulos estaduais e a conquista da Série B de 1999 antes de explodir para o futebol.

“São as melhores lembranças da minha careira e tenho um carinho imensurável. É um clube onde sou ídolo e o segundo maior artilheiro da história, atrás somente do Araújo”, disse Dill, ao ESPN.com.br.

Tendo como parceiro ao longo dos anos no clube esmeraldino nomes como Araújo, Fernandão e Evair, Dill marcou 29 gols no Goiano de 2000 e outros 20 na Copa João Havelange. O jogador venceu o Prêmio ESPN Bola de Prata Sportingbet de artilheiro do torneio.

“Eles me ajudaram demais. Até hoje é um ataque inesquecível. O Goiás foi onde eu tive maior destaque e passei mais tempo. Tenho essa página vitoriosa. Passei também por momentos difíceis, mas na maioria das vezes foram mais alegrias do que tristezas”, garantiu.

Depois 69 gols em 123 jogos pelo Goiás, Dill foi vendido no começo de 2001 ao Olympique de Marselha, da França, no qual ficou alguns meses e foi emprestado depois para o Servette, da Suíça. No segundo semestre do mesmo ano, o atacante retornou ao Brasil para defender o São Paulo.

“Tinha o convite também do Cruzeiro e do La Coruña, da Espanha, mas o negócio não deu certo”, contou.

Apresentado no clube do Morumbi, Dill viveu momentos complicados em um time que vivia um jejum de nacionais e internacionais.

“Foi uma alegria muito grande vestir a camisa do São Paulo, é uma marca que levo. É um time campeão mundial. Foi um grande orgulho. Tive grandes problemas lá porque quando cheguei o Luis Fabiano estava há oito jogos sem fazer gols. Eu estava acostumado com essa cobrança, mas no quinto jogo passei a ser contestado também”, afirmou.

Quando conseguiu uma sequência como titular, em 2002, Dill sofreu uma lesão na partida contra o Palmeiras na semifinal do Superpaulistão, que atrapalhou seus planos.

“O [volante] Magrão caiu por cima de mim e rompi o ligamento do tornozelo e quebrei a fíbula. A recuperação foi de quase nove meses. Foi uma frustração muito grande porque estava começando a jogar bem”, lamentou.

Quando o jogador voltou ao campo, o presidente Paulo Amaral, responsável pela sua contratação, tinha saído para a entrada de Marcelo Portugal Gouvêa.

“Houve uma pressão muito grande por isso. Eu tinha contrato longo e, politicamente, isso me atrapalhou muito no São Paulo. Tenho certeza que tinha total condição de repetir no São Paulo o que fiz no Goiás. As oportunidades foram mínimas e tinha feito só oito jogos como titular. Depois da lesão eu entrava só uns 10 minutos por jogo”, disse.

Empresário de jogadores

Depois de 22 jogos e dois gols, Dill foi para o Botafogo, que subiu na Série B do Brasileiro de 2003. Ele ainda jogou por Flamengo, Bahia, Brasiliense e dois clubes portugueses (Penafiel e Aves) antes de encerrar a carreira.

“Eu morava em Portugal e tive algumas chances de voltar a jogar no Brasil, mas estava totalmente adaptado por lá. Não quis mais voltar e parei de jogar. Fiquei por lá por 14 anos e até tirei a nacionalidade portuguesa”.

Aposentado dos gramados desde 2008, o ex-atacante mora atulamente em Orlando, nos Estados Unidos, e ainda trabalha no futebol como agente de jogadores.

“Tenho muitos contatos em Portugal, França e Espanha. Já levei o Reinaldo e o Jean, meus ex-colegas de São Paulo, para jogarem na China. Também levei o [zagueiro] Júlio Santos para jogar no Mazembe, do Congo, que tirou o Inter do Mundial de Clubes em 2010”, afirmou.