Um dia após a eliminação do São Paulo na Copa Sul-Americana, o meia Daniel Alves concedeu uma "entrevista-bomba" à rádio RAC1, da Espanha, e falou sobre diversos tópicos polêmicos.
Sem papas na língua, ele falou sobre a "perda de identidade" do Barcelona, o "arrependiemento" de Neymar em deixar o clube catalão e sua conturbada saída do Camp Nou.
Alves ainda opinou sobre Messi, Guardiola, Juventus, Manchester City, Josep Maria Bartomeu, Paris Saint-Germain, Xavi e muitos outros tópicos.
Vale salientar que as frases foram compiladas pelo jornal Marca.
VEJA OS PRINCIPAIS TÓPICOS DA ENTREVISTA
O Barcelona atual: "Antes, o Barcelona tinha uma identidade. Agora, é um clube de 'compra e venda'. Dessa forma, eles terão sempre futebolistas valiosos e caros, mas que não defenderão a filosofia do clube"
A transformação do Barça nos últimos anos: "O clube está tentando mudar sua filosofia, e é normal que tenha problemas. Para mim, perdeu um pouco a identidade, e deveria passar por um processo duro para recuperá-la"
Josep Maria Bartomeu: "A gestão foi, pouco a pouco, se prostituindo. Talvez o presidente tenha sido mal aconselhado. Para mim, agora, o Barcelona não tem nenhuma filosofia. O time se deixou influenciar e foi contaminado pelo que acontece nos bastidores"
A derrota por 8 a 2 do Barça para o Bayern: "Isso doeu, mas foi algo pontual. É um golpe que te faz entender que você está conduzindo as coisas da forma errada. Aconteceu com o Brasil contra a Alemanha e não voltará a acontecer nunca mais. É um clube que tem identidade. Mas se perde essa identidade..."
As saídas de Luis Suárez e Rakitic: "Foi uma consequência de tudo o que aconteceu. Agora, o Barcelona é uma equipe comercial, e os jogadores são produtos"
Ronald Koeman: "É uma equipe da qual eu gosto de coisas pontuais. Ela tem boas individualidades. Mas o Barça deve recuperar sua essência"
Seu adeus ao Barcelona: "Eu queria ter ficado o resto da vida (no Barça), mas me pareceu uma falta de respeito que quiseram me mandar embora pela porta dos fundos. Se tivessem me tratado da maneira correta, eu continuaria no Barcelona. Recusei muito dinheiro do Real Madrid, que, gostem ou não, é um grande clube, para ir para o Camp Nou, e não queria ser mandado embora. O que eu queria era ter ido embora quando achasse que era a hora certa. Mas eu sabia que estavam me empurrando para fora do clube. Ninguém vinha falar comigo quando meu contrato estava acabando"
A saída para a Juventus: "Eu fui para a Juve para demonstar ao Barça que eu ainda tinha nível para voltar. Eu tive os culhões para dizer que o Camp Nou era minha quase e eu queria voltar. Eles não tiveram os culhões para reconhecer que se equivocaram a meu respeito"
A decisão de ir para o PSG ao invés do City: "Eu tinha tudo acertado com Guardiola, mas, por causa da minha família, fui para Paris. Neymar também me ligou... Depois, Pep não quis mais me contratar, foi um pouco rancoroso..."
Sua conexão com Messi: "É impossível não ter saudades disso. Eu tinha uma conexão brutal com Messi. Agora, parece que ele está solitário. O Barça perdeu um pouco sua identidade"
O pedido de Messi para sair: "Eu mandei uma mensagem a ele pedindo que ele não deixasse o Barça. Quando queriam me expulsar do clube, eu disse a ele, durante um treino, que estava deixando o Barça porque queriam me mandar embora. Ele me disse: 'Não vá! Onde você estará melhor que aqui?'. Eu mandei a ele a mesma frase. Ele não me respondeu, mas sei que ele respondeu"
A saída de Neymar do Barça: "Todos os jogadores que vão embora do Barcelona se arrependem, 100% deles. Mas ou você aceita ou passa o resto da vida amargando isso... Meu ano na Juventus foi o pior da minha carreira, porque eu queria que as coisas fossem como eram no Barça, e não foram. Eu tive que me reinventar e ser resiliente"
Jogar em alto nível aos 37 anos: "A idade é um número. Quando você ainda sente que consegue ser profissional e quer dar resultados... Quando eu tiver o sentimento de que não consigo mais fazer as coisas direito, sentirei que o futebol não é para mim. Quando não tiver mais aquele brilho, não terá sentido jogar. Será o momento de me afastar. Ganhar é uma 'droga' que vicia"
Virou camisa 10 no São Paulo: "A verdade é que não havia outros números disponíveis (risos). Gosto mais de outros números, como 2, 3 e 4... Mas acabou sobrando esse. Não me apego muito a isso. Nem vejo o número, porque está nas costas da camisa. Vejo o que está na parte da frente, que é o escudo, e o defendo com muito orgulho".
Jogar como meia: "Às vezes jogo mais adiantado, outras mais recuado, em função do coletivo. Nosso estilo (no São Paulo) é muito fluente, e meus companheiros tocam muito a bola"
Dest é o novo Daniel Alves? "As comparações nunca são boas. Normalmente, a gente se inspira em referências para poder crescer, masnada mais. Se eu pudesse dar um conselho a Dest, diria para que ele jogue simples e toque a bola para Messi"
Futuro de Xavi Hernández: "Será o treinador do Barcelona um dia, mas o clube não pode gastar uma bala... É uma pessoa metódia, e você deve ter um clube organizado quando tiver Xavi como técnico
