A derrota para o Cuiabá na primeira partida das oitavas de final da Copa do Brasil expôs feridas antigas do Botafogo.
Depois de Felipe Neto utilizar o Twitter para lamentar ‘o fim do projeto da S/A’ e afirmar que o ‘Botafogo caminha para a falência’, foi a vez de Carlos Augusto Montenegro, ex-presidente do Glorioso e atual membro do comitê gestor do clube, se pronunciar.
Nesta quarta-feira (28 de outubro), Montenegro convocou a imprensa para esclarecer o que foi exposto por Felipe Neto e afirmou que ‘o clube está falido’ e expos a vontade de deixar o clube.
“Eu já estava com vontade de sair, mas agora eu não posso, pois seria covarde. Poderia desmarcar essa entrevista, mas preferi fazer. Essa será uma entrevista histórica, pois será a última que pretendo fazer. A ideia do comitê preservou algumas pessoas no Botafogo, quem mais aparecemos somos eu e Rotenberg. Coloco a cara e acabo pagando por isso, mas não vou mudar com 66 anos. Está na hora de eu sair, pois está me fazendo mal”, começou por afirmar.
“O Botafogo está falido, toda receita está penhorada. Felipe Neto está omitindo a verdade dizendo que vai chegar à falência. Está falido. Se não fosse a torcida, se não fosse o comitê, se não fosse a ajuda de algumas pessoas, o clube já estava falido. O que estamos tentando é achar dinheiro novo para tirar o clube da falência”, continuou Montenegro que, em seguida, falou sobre algumas ações tomadas pela diretoria em decorrência da frágil situação financeira vivida.
“As pessoas não entendem que o clube está falido, que não tem dinheiro para pagar água e luz, ficam pedindo Luxemburgo, Abel, contratações, mas não sabem que subimos alguns atletas na marra, a própria efetivação do Bruno foi por falta de dinheiro”.
Sobre o projeto da Botafogo S/A, Montenegro desmentiu Felipe Neto e afirmou que não é o fim. O dirigente revelou que faltavam R$ 70 milhões do ‘Projeto 1’, e que não foram captados, para chegar aos R$ 250 milhões pretendidos. No entanto, o ‘Projeto 2’ segue sendo realizado, do zero.
“A ideia era conhecer dinheiro novo. Isso começou ano passado com o estudo da Ernst & Young, bancado pelos irmãos, depois surgiu a ideia de montar um plano para arrecadar dinheiro para pagar as dívidas e também investir no time. Junto com o plano surgiu o Laércio Paiva, uma pessoa envolvida já com o clube e ajudou milimetricamente a levantar todos os credores do Botafogo. Aí formaram um grupo que foi pautado por tentar salvar o Botafogo de qualquer maneira, nunca se falou em política”.
“Montamos um orçamento, uma proposta para atrair investidores. Viajei no fim do ano passado, fiquei três meses fora, as coisas andaram. Foi contratada uma empresa especializada, que referendou toda a parte da dívida, isso a gente tem na ponta do lápis. Apareceram os irmãos, que queriam pilotar isso, ofereceram metade mais 1 (R$ 126 milhões). Essa empresa não tinha experiência para conseguir o resto. Quem ficou com esse papel acabou sendo o Laércio e ele fez bem, mas enfrentou problemas. Primeiro a pandemia, e segundo que ele encontrou alguns botafoguenses que já ajudaram no passado e não quiseram. O Laércio conseguiu R$ 54 milhões e empacou. O projeto não acabou, mas não estou otimista. Pode ser que amanhã apareçam os R$ 70 milhões”, finalizou.
