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Ex-Flamengo ficou desempregado e virou motorista de Uber; hoje, joga no Juventude e encara o Grêmio na Copa do Brasil

Destaque do Juventude, que enfrentará o Grêmio pela primeira partida das oitavas de final da Copa do Brasil, nesta quinta-feira, Marcelo Carné trabalhou alguns anos atrás como motorista de Uber.

Após sair do Brasília-DF no meio de 2016, o goleiro revelado no Flamengo ficou quase seis meses dirigindo um carro pelas ruas do Rio de Janeiro para ganhar dinheiro.

"É muito complicado ficar sem trabalhar e precisava me sustentar. Sou formado em educação física, mas não poderia assumir um compromisso de dar aula em academia por causa do futebol. Poderia ter que ir embora a qualquer momento", disse o jogador, ao ESPN.com.br, em 2017.

Para não perder a forma, Marcelo lutava Muay Thai e treinava a parte física com o preparador Fábio Duarte, seu amigo dos tempos de faculdade.

"Ele é um ótimo profissional e me ajudou demais. Eu participava toda semana de uma pelada do Thiago Coimbra [filho do Zico] com jogadores e ex-atletas. Isso me ajudava muito. Também jogava um campeonato de futebol de sete com uns amigos meus do Pá e Bola".

Marcelo conciliava a rotina de treinos e jogos amadores com o Uber, que rendeu situações engraçadas.

"Teve uma vez que uma passageira tentou passar a mão na minha perna de noite (risos). Umas meninas queriam me dar telefone quando voltavam da balada também".

Marcelo acredita que o tempo passado nas ruas transformou o modo de encarar a vida.

"Foi uma experiência maneira porque abriu meus horizontes. Quando a gente joga em time grande e seleção acaba sendo muito paparicado. As pessoas te mimam muito. Você não consegue pensar além da caixa".

"Apesar de ter feito faculdade e conhecido outras pessoas fora do futebol, nunca tinha feito nada além de jogar. Eu não me sentiria completo se não tivesse passado por isso. Agora dou muito mais valor à minha profissão".

Começo no Fla e seleção

Marcelo Carné começou ainda criança no futsal do Bangu antes de chegar ao Flamengo. No clube da Gávea foram mais de 300 partidas, segundo o goleiro, como titular nas categorias de base.

Companheiro de jogadores como Camacho, Bruno Paulo, Paulo Sérgio e Erick Flores, ele chegou à seleção brasileira sub-17, sendo titular no Mundial e nos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro, ambos em 2007.

Com a forte concorrência no profissional, Marcelo foi emprestado ao Duque de Caxias, Tombense. Pelo clube da Gávea, só atuou em uma partida amistosa contra a seleção do Piauí, em 2012.

"Naquele ano fiquei mais de 19 partidas no banco de reservas no Brasileiro. Como peguei uma geração que tinha o Bruno e depois o Felipe e Paulo Victor, não tive muitas oportunidades. Mas aprendi muito por treinar com goleiros deste nível".

"Convivi com Adriano e Ronaldinho Gaúcho, dois ídolos que só tinha visto pela televisão. Era algo impensável para mim estar ao lado deles algum dia".

Apesar de ter ficado chateado com a forma que saiu do time rubro-negro, em 2013, ele garante não ter qualquer tipo de mágoa.

"Não tenho o que reclamar do Flamengo. Foi o clube que me abriu as portas, me fez chegar até a seleção e ter uma carreira. Devo tudo mesmo ao Flamengo, tanto na minha formação profissional como na formação como homem".

O goleiro ainda jogou por Tombense, Boavista e Nova Iguaçu. No segundo semestre de 2015, porém, ficou pela primeira vez sem clube. Após defender no Estadual de 2016 o Brasília, ficou desempregado novamente antes de acertar com o América de Teófilo Otoni-MG.

Ele ainda passou pelo Audax-RJ e Bonsucesso antes de chegar ao Juventude, em 2019. Desde então, virou titular absoluto e um dos destaques da equipe que disputa atualmente a Série B do Brasileiro e a Copa do Brasil.