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Felipão não é 1º campeão mundial que arriscou prestígio fora da Série A; veja quem foi o outro

Técnico campeão mundial pela seleção brasileira em 2002, Luiz Felipe Scolari colocou seu prestígio à prova ao assumir o Cruzeiro, penúltimo colocado da Série B, com a missão de evitar a queda para a terceira divisão e ainda tentar devolver o time para a elite.

Não é a primeira vez que um técnico campeão mundial pelo Brasil faz isso. O exemplo vem de 1999, quando Carlos Alberto Parreira, campeão da Copa de 1994, aceitou dirigir o Fluminense na Série C, tornando-se o primeiro a aceitar o desafio.

O cenário era bem pior do que o da equipe celeste hoje. A última divisão não só era o lugar de pior prestígio para um grande clube do Brasil naquele momento (não havia Série D) como não havia receitas nem perspectivas de melhora.

“Doutor [Francisco] Horta [presidente do clube nos anos 70] foi importantíssimo nesse processo todo. Ele me convenceu a ir para lá. Falou: ‘Parreira, é uma página negra, nós temos que dar a volta nisso daí’. Eu cheguei, falei: ‘Doutor, aqui dentro a gente não pode mais, o Fluminense está acabando aqui, esse vestiário, o campo…’”, disse ao programa “Boleiragem”, da SporTV, em 2019.

“O papo com todo mundo que veio era esse: ‘Fluminense não é time de terceira divisão. Eventualmente ele está na terceira. Fluminense é time de primeira divisão. Você vai trabalhar no Fluminense’. Assim, consegui trazer o Lídio Toledo [médico], Moraci Sant’Anna [preparador físico], Américo Faria [dirigente]... Fizemos uma equipe, uma comissão técnica de alto nível. Não foi difícil, não. Eram o poder de convencimento do doutor Horta e a ligação que tínhamos com o Fluminense”, continuou Parreira.

O treinador disse também que não havia estrutura básica para trabalhar, como campo de treino, e orçamento.

“Todos pagaram um preço muito grande. O salário não era alto, o sacrifício era muito grande, a responsabilidade era enorme. Durante quatro meses, ficamos treinando em Jacarepaguá, na Ilha, não tinha local para treinar. A torcida foi maravilhosa, desde o primeiro momento ela abraçou o time. Isso foi fundamental”, disse Parreira.

O Fluminense foi campeão da Série C ao derrotar o Náutico por 2 a 0, no estádio dos Aflitos, em Recife, na última rodada do quadrangular final. Terminou aquela fase com 13 pontos e ficou com a taça.

A campanha total foi boa, com 15 vitórias, três empates e quatro derrotas em 22 jogos. O time marcou 38 gols e sofreu 20. O time campeão tinha nomes como Magno Alves, Yan e Roger Flores, justamente quem o entrevistou há um ano na SporTV.

Com aquela taça, o Fluminense saltou diretamente para a primeira divisão em 2000 numa das tantas "viradas de mesa" no Brasil.

Em 2000, devido ao impasse jurídico com o Gama, a CBF abriu mão de organizar o Campeonato Brasileiro, repassando aos clubes o direito de organizar a competição nacional. Os dirigentes dos mais importantes clubes do país criaram então a Copa João Havelange e Fluminense e Bahia (terceiro colocado na Série B de 1999, sem conquistar o acesso em campo) jogaram a primeira divisão.

Uma curiosidade sobre Parreira é que ele foi o técnico do título do Campeonato Brasileiro do Fluminense em 1984 e tornou-se o único profissional campeão dessas duas divisões. Ainda voltou para a seleção brasileira em 2006 e depois 2014 (na comissão técnica de Luiz Felipe Scolari, que acabou se despedindo da Copa com 7 a 1 da Alemanha e 3 a 0 da Holanda).

Felipão tem dois títulos do Brasileirão com Grêmio (1996) e Palmeiras (2018) e pode buscar agora a taça da Série B, embora a cobrança seja mesmo para tirar o Cruzeiro das últimas colocações e que sabe entrar na zona de acesso.