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Seleção brasileira: Parreira quase fora, Romário na linha e até 'cervejinha na concentração': Zinho revela bastidores

Campeão do Mundo com a seleção brasileira em 1994, nos Estados Unidos, Zinho participou da campanha nas eliminatórias até a tão sonhada Copa do Mundo. Naquele período, viu a amarelinha passar por diversas dificuldades, possível pedido de demissão de Carlos Alberto Parreira e a consagração de Romário em meio aos boatos sobre ter privilégio dentro do elenco.

Em entrevista ao ESPN.com.br, o atual comentarista dos canais Disney trouxe bastidores de como era o clima da seleção. Segundo ele, por muito pouco o comandante não deixou o cargo momentos antes das partidas que garantiriam o Brasil no Mundial após tropeços contra Bolívia e Equador.

“A gente, pela primeira vez, perdeu um jogo nas eliminatórias, quando perdemos para a Bolívia, na altitude. Lembro muito bem da pressão, crise. Parreira muito cobrado, com risco de sair”, recordou Zinho, trazendo ainda mais detalhes de como era o momento na época.

“Empatamos em Quito também com o Equador. Voltamos e fomos para a Granja, o Parreira pensou em entregar o cargo, já tinha esse pensamento. A comissão técnica conversou com os jogadores mais experientes. Numa reunião, todos já com consenso de permanência, foram ao Parreira e ali foi um ponto muito forte para a nossa classificação. Começamos a ganhar a Copa do Mundo naquele dia. Todos pediram pela permanência do Parreira”, contou.

Zinho ainda afirmou que Parreira tinha outra missão. Formar um grupo, mantê-lo unido e lidar com a pressão de deixar de fora atletas de peso. Romário, que voltou a ser convocado, ficou dentro. Já outros nomes que participaram da campanha, como Evair e Palhinha, acabaram perdendo espaço.

“Tinha de administrar vaidades, ego. Naquela época, vários grandes jogadores ficaram de fora, como Evair, decisivo com gols, Palhinha, Valber. Jogaram Eliminatórias e não foram para a Copa do Mundo. Foi fundamental a permanência do Parreira, do Zagallo, a comissão toda. Certamente iriam sair. Não sei nem se o Américo Faria ficaria, os médicos. Eu acho que é difícil falar que não ganharia a Copa, o Brasil tinha muito talento. Mas não sei se daria tempo de formar um grupo”, disse Zinho.

“Não sei se essa equipe chegaria pronta, preparada e da forma que essa seleção se uniu. Não sei se era suficiente para buscar a classificação e formar o grupo. O grau de amizade, identificação era muito forte, além do talento. Essa identificação de muito tempo jogando junto. Isso foi fundamental para ganhar a Copa. Muita gente critica, que não foi futebol lindo, eu discordo. ‘Ah, foi nos pênaltis’. Vários jogos de Copa foram para os pênaltis. A Itália era fortíssima”, completou.

De acordo com Zinho, a mesmo sendo a maior estrela da equipe, Romário não tinha privilégio como era costumeiro pelos clubes em que o Baixinho passou. Além disso, o ídolo de Palmeiras, Grêmio e Flamengo afirmou que os mais experientes foram importantes para deixar o camisa 11 focado apenas na bola.

“Romário é um talento, fenômeno, diferenciado, mas precisa saber trabalhar com esse jogador. Os experientes, como Dunga, Ricardo Rocha e Branco foram fundamentais para administrar qualquer tipo de ego, vaidade do Romário nas regalias que ele tinha em clube. Na seleção era diferente, eles viveram em 90 e deram opiniões para que não se repetisse em 94. A estrela maior era a seleção brasileira. O Romário atendeu, foi certinho”.

“Ele chegava nos horários, cumpria a disciplina, claro que na nossa concentração tinha o quarto dos ‘Dinos’, os mais antigos, mas sempre supervisionado pela segurança. Liberavam cerveja, vinho, mas sem exagero. Cada um respeitando a individualidade que as pessoas têm. No geral, o objetivo era o bem da seleção brasileira”, finalizou.