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Mancini chega ao Corinthians após polêmicas com áudios, 1 título nacional e 5 rebaixamentos

Vagner Mancini, 53, foi o escolhido para assumir o cargo de técnico do Corinthians em meio a uma das crises mais graves dos últimos tempos. Após oito anos, o time está na zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro e não vence há cinco rodadas.

O novo técnico não é uma unanimidade entre os torcedores, tem um currículo modesto, com bons trabalhos e muitos rebaixamentos, e também é reconhecido pela personalidade forte. Há pouco tempo, se envolveu em duas polêmicas com áudios vazados.

A primeira envolveu o próprio Corinthians em 2017. Após o Vitória vencer o clube paulistano na NeoQuímica Arena, Mancini, comandante do clube baiano, foi ríspido com um jornalista ao responder uma pergunta durante a entrevista coletiva.

Depois, comentou o caso com um amigo em um áudio debochado e comprometedor por WhatsApp.

“Ganhar do Corinthians é ótimo, somar três pontos nem se fala, mas dar uma patada num jornalista babaca corintiano, então, nem se fala”, disse Mancini ao amigo, em áudio que acabou viralizando.

O vazamento rendeu até uma manifestação do presidente Andrés Sanchez, que foi bastante duro com o ato de Mancini, que depois publicou uma nota com um pedido de desculpas ao clube e aos torcedores alvinegros.

"O que tenho pra falar por treinador do Vitória, o... nem vou falar o nome dele pra deixar pra lá. Mas que ele se preocupe em ganhar os jogos dele e não só contra o Corinthians. Todo mundo sabe por que ele saiu da Chapecoense, as coisas que ele fez e tudo que rola por trás disso. Está rolando um vídeo, áudio aí, em que ele fala muito mal do Corinthians. Isso não é bom para o futebol brasileiro", disse Andrés, em vídeo gravado por ele e reproduzido na época (veja abaixo).

O segundo caso é mais recente. Ocorreu em setembro do ano passado, quando Mancini era coordenador de futebol do São Paulo e declarou muitas vezes que não pensava mais em ser técnico. Ele até dirigiu o time interinamente entre a saída de André Jardine e a vinda de Cuca. Depois, com a saída de Cuca, viu nova oportunidade, mas a diretoria tricolor resolveu contratar Fernando Diniz.

Vagner Mancini ficou incomodado e pediu demissão de imediato. Um novo áudio acabou vazando.

“Sabe porque eu saí, boleirão? Porque eu fui efetivado no cargo, aí quatro horas depois disso, o Daniel Alves foi lá pedir o Fernando Diniz. Eles [diretores] me chamaram e falaram que estavam em dúvida. Falei: ‘Ué, se estão em dúvida, vão atrás do Diniz que estou indo embora. Tchau!’. Foi isso”.

PROBLEMAS COM A IMPRENSA

Vagner Mancini não costuma ter papas na língua e constantemente diverge de jornalistas durante entrevistas. No último domingo, diante dos questionamentos sobre a saída para o Corinthians, ameaçou encerrar a coletiva e deixar o local.

O técnico havia dito que ainda não tinha informações e, por isso, pediu para que não houvesse insistência no tema, embora o acordo com o clube do Parque São Jorge tenha sido acertado na mesma noite e o treinador já é esperado em São Paulo.

CONQUISTAS E REBAIXAMENTOS

O título de maior expressão conquistado de Mancini como técnico foi a Copa do Brasil, em 2005, com o Paulista de Jundiaí. No mais, foram outras quatro taças estaduais com o Vitória (2008 e 2016), o Ceará, (2011) e a Chapecoens (2017).

Em 2013, Mancini chegou à final da Copa do Brasil com o Athletico-PR e acabou perdendo o título para o Flamengo.

O treinador também já viveu a experiência de participar de cinco campanhas que culminaram em rebaixamento para a Série B: Vitória (2018), Botafogo (2014), Sport (2012), Ceará (2011) e Guarani (2010).

Em 2011 e em 2013, por outro lado, Mancini ajudou a evitar as quedas de Cruzeiro e Athletico-PR, respectivamente.

TRABALHO NO ATLÉTICO-GO

Pelo clube goiano, em seu trabalho mais recente, ele conseguiu classificar a equipe às oitavas de final da Copa do Brasil, ao eliminar o Fluminense. No Brasileirão, deixa o clube na 12ª colocação, com 18 pontos conquistados em 15 rodadas disputadas.

Ao todo, foram 18 partidas: cinco vitórias, seis empates, sete derrotas e um aproveitamento de 38%.

Antes de deixar o Atlético-GO, Mancini foi dirigente e técnico interino no São Paulo, e comandou outras 15 equipes: Atlético-MG, Vitória, Chapecoense, Botafogo, Náutico, Athletico-PR, Sport, Cruzeiro, Ceará, Guarani, Vasco, Santos, Grêmio, Al-Nasr e Paulista.