"Sabe por que eu saí, boleirão? Fui efetivado no cargo, aí quatro horas depois disso o Daniel Alves foi lá pedir o Fernando Diniz, eles me chamaram e falaram que estavam em dúvida. Eu falei: ué, se vocês estão em dúvida, vão atrás do Diniz que eu estou indo embora. Tchau.”
As palavras são de Vágner Mancini, em conversa com um amigo, em áudio vazado logo após sua saída do São Paulo. Em setembro de 2019, o hoje técnico do Atlético-GO assumiria o time tricolor após a saída de Cuca. O clube, porém, apostou na chegada de Fernando Diniz.
Os dois treinadores estarão frente a frente nesta quarta-feira (7), no Morumbi, às 20h30 (de Brasília), pela 14ª rodada do Campeonato Brasileiro. Pouco mais de um ano depois, a situação não deixa de ser curiosa: Diniz balança e pode acabar até demitido se não vencer Mancini.
O comandante dos goianos, por sua vez, está entre os nomes em cima da mesa no Morumbi, como um dos possíveis substitutos, como informou Jorge Nicola, comentarista dos canais ESPN. Há defesa a seu nome pelo trabalho no Atlético e também pelo que fez como interino.
Bastidores conturbados
No São Paulo, Mancini chegou no início de 2019, para ser coordenador técnico. Após a demissão de André Jardine, porém, assumiu interinamente, enquanto o substituto Cuca se recuperava de problema de saúde. Foram nove jogos, com três vitórias, quatro empates e duas derrotas. Deixou a posição após a ida da semifinal do Paulista, contra o Palmeiras.
No episódio do áudio vazado com Daniel Alves, meses depois, Mancini acabaria sendo respondido pelo camisa 10. “Às vezes, quando você está em um momento de decepção, tem que respirar um pouco antes de fazer qualquer declaração que não vem ao caso. Isso está fora de lugar”, disse, antes de brincar: “Nem em casa tenho o poder de decisão”.
Fato é que a saída deixou marcas na relação de Mancini com Raí, diretor executivo do São Paulo e até hoje o maior defensor da sequência de Diniz. Em outra das voltas que o futebol dá, no Morumbi, houve desgaste também com o goleiro Jean, seu comandado no Atlético-GO.
O jogador, desfalque nesta quarta por ainda pertencer ao São Paulo, atacou publicamente Mancini e o acusou de “vingança” pelo período em que foram rivais em Bahia e Vitória. Tudo por causa de um banho.
"Na segunda-feira, em conversa com todo o grupo de jogadores, o técnico interino Vágner Mancini, se dirigiu a todo o grupo e apontou que eu, mesmo sem ter atuado, era um dos grandes responsáveis pela derrota do São Paulo no clássico contra o Palmeiras, no último fim de semana. Em nenhum momento fui cobrado em quesitos técnicos e táticos, já que nem em campo eu estava. Segundo ele, o motivo era que eu, ao término do jogo, fui tomar banho".
"É bom explicar que desde a sua chegada ao São Paulo, Mancini não me trata da mesma forma que todo o restante do grupo de jogadores, motivado por uma rivalidade nos clubes em que trabalhamos anteriormente. Quando ele foi colocado na posição de técnico, mesmo tendo prometido que não assumiria esta posição, eu já sabia que eu começaria a ser renegado e dificilmente poderia entrar em campo, fazer meu papel e ajudar o São Paulo”, escreveu ele.
Jean só seria reintegrado no São Paulo após a chegada de Cuca, mas, com Mancini ainda na comissão técnica, a volta só foi aceita depois de o goleiro se desculpar publicamente.
E Diniz?
Mancini, desde que deixou o São Paulo, ainda treinou o Atlético-MG antes de chegar a Goiânia. Diniz, por sua vez, já é o treinador mais longevo no Morumbi desde Muricy Ramalho. Seu atual momento, porém, talvez seja o mais crítico. São sete jogos sem ganhar.
Segundo Nicola, caso o jejum não acabe nesta quarta, a tendência é de troca no comando. Além de Mancini, são vistos como “viáveis" nos bastidores Diego Aguirre e Paulo Autuori.
O nome do uruguaio tem até mais defensores do que Mancini: Lugano, alguns diretores e até funcionários do CT da Barra Funda. Já Autuori seria uma ideia única e exclusiva de Raí.
Em outubro de 2019, Mancini e Diniz se enfrentaram no mesmo Morumbi do duelo desta quarta, com o São Paulo vencendo o Atlético-MG por 2 a 0. Gols de Vitor Bueno e Igor Gomes.
