Fernando Diniz completará nas próximas horas um ano de São Paulo. Anunciado em 26 de setembro de 2019, uma quinta-feira à noite, o técnico foi apresentado na manhã seguinte e estreou num sábado (28), com empate por 0 a 0 contra o Flamengo de Jorge Jesus, no Maracanã.
Um ano depois, Diniz se prepara para uma nova pedreira - o Internacional, vice-líder do Campeonato Brasileiro, neste sábado (26), no Beira-Rio - em meio a (mais) um momento instável, com questionamentos sobre a continuidade do trabalho, a situação delicada na Conmebol Libertadores e um elenco bem mais frágil do que aquele que assumiu.
Elenco, aliás, que teve papel fundamental na sua contratação. Naquela quinta-feira de setembro de 2019, a ideia no São Paulo era que Vagner Mancini assumiria o time interinamente, após a saída de Cuca, o que daria tempo para pensar em um técnico para o futuro.
Mas os principais líderes do elenco, como Tiago Volpi, Hernanes, Daniel Alves e Pablo, sugeriram o nome de Diniz e foram prontamente atendidos pela diretoria. Os jogadores viam no treinador um modelo de jogo que casava com as características do time, um futebol técnico e baseado na imposição pela posse de bola.
Assim chegou Diniz, respaldado pelos comandados e com a chance de provar que o insucesso em Athletico-PR e Fluminense era a falta de "mão de obra qualificada" para impor suas ideias com naturalidade. Mas o que se viu em campo foi um time de muitos altos e baixos, até durante o mesmo jogo, e a repetição de problemas dos trabalhos anteriores.
O São Paulo de Diniz manteve o sexto lugar no Brasileirão de 2019, garantindo a vaga na fase de grupos da Libertadores, e iniciou a temporada em um nível ainda irregular. Teve mais desempenho do que resultado às vezes, pelo excesso de chances criadas e a pobreza na hora de aproveitá-las, e viu a pandemia de COVID-19 interromper o que parecia um momento de crescimento.
Na volta do futebol, o São Paulo perdeu o embalo por completo. Viu Antony rumar ao Ajax, caiu no Campeonato Paulista de maneira vexatória para um Mirassol remendado e entrou no Brasileiro em baixa. Melhorou, é verdade, com base nas mudanças de Fernando Diniz (Diego Costa, Léo, Gabriel Sara e Luciano), mas voltou a estagnar. É hoje o terceiro colocado da Série A e também de seu grupo na Libertadores, o que, hoje, significa uma quase eliminação.
Em um ano, o São Paulo de Diniz fez 44 jogos. São 20 vitórias, 11 empates e 13 derrotas, um aproveitamento de 53,8%.
O trabalho segue independentemente dos últimos resultados. Fernando Diniz goza de um prestígio raro com a diretoria do São Paulo. É o técnico mais longevo do mandato de Carlos Augusto Barros e Silva, o Leco, e disparado o mais respaldado pelo executivo de futebol Raí, que desde 2018 já apostou e desistiu de Dorival Júnior, Diego Aguirre, André Jardine e Cuca.
Diniz, por tudo que foi dito acima, alcança uma marca que provavelmente poucos imaginavam. Em um clube acostumado e moer técnicos, ele foi o primeiro desde a passagem de Muricy Ramalho entre 2013 e 2015 a completar um ano no cargo. A tendência é que a marca, queiram ou não, aumente.
Como o mandato da atual diretoria se encerra em dezembro, fica difícil imaginar que haverá uma troca de técnico tão próximo da eleição e sem consenso com os candidatos à presidência. Mais tempo para Diniz tentar se reinventar dentro de um mesmo trabalho, buscar soluções em um time que hoje precisa mais de garotos até pela falta de peças e conquistar a confiança da torcida, o que não fez até agora.
Entre as brincadeiras com o "Dinizismo" e os pedidos recorrentes de demissão, o técnico vive uma gangorra no Morumbi que todos os seus antecessores recentes também passaram. Uma pressão que só vai parar quando outra marca for atingida. Afinal, para os mais apaixonados, de nada adianta fazer o que não acontecia desde 2015 se um certo jejum desde 2012 continua ativo.
