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Renato Gaúcho completa 4 anos de Grêmio e 'persegue' marca de Telê; veja quem mais durou no seu clube

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Renato Gaúcho, quatro anos de Grêmio: relembre frases marcantes e os títulos do técnico no período (3:05)

Comandante gremista festejou sete títulos nessas temporadas, tirou o clube gaúcho de uma seca de 15 anos sem uma conquista de expressão e proferiu frases épicas (3:05)

Renato Portaluppi estava parado há um ano e cinco meses quando o telefone tocou naquele 18 de setembro de 2016. Do outro lado da linha, um convite inesperado: assumir o Grêmio, em meio a uma eliminatória de Copa do Brasil e com um contrato curto, de só três meses. O casamento que muitos tratavam como erro, no fim, deu certo. Muito certo.

Quatro anos depois ao anúncio que causou dúvidas até no torcedor mais fanático, Renato Gaúcho segue no mesmo cargo. Maior do que entrou, é verdade, pelos sete títulos que conquistou (entre eles a Conmebol Libertadores), pela idolatria que virou até estátua na nova Arena e por ser, mesmo nos momentos recentes ruins, o treinador há mais tempo empregado na chamada elite do futebol brasileiro.

Há muito tempo um técnico não ficava tanto tempo em um mesmo emprego. Muricy Ramalho, por exemplo, permaneceu três anos e meio no São Paulo, entre 2006 e 2009. Tite passou 38 meses no Corinthians, entre 2010 e 2013, enquanto Mano Menezes bateu os 37 até ser demitido pelo Cruzeiro, em 2019.

Renato já deixou todos para trás e agora busca o próximo: Telê Santana.

O "Mestre" assumiu o São Paulo em outubro de 1990 e só saiu em janeiro de 1996. A passagem histórica poderia ter sido até maior, se o treinador mineiro não tivesse sido afastado por uma isquemia cerebral, que impediu seu retorno aos campos para sempre. Telê morreu 10 anos depois, em 21 de abril de 2006.

Difícil saber hoje se Renato, agora criticado como talvez nunca tenha sido desde que voltou ao Grêmio, alcançará os mais de cinco anos de Telê Santana. Ou se, quem sabe, entrará para a história como o treinador que mais durou no comando do Tricolor Gaúcho.

Aliás, você sabe quem são os profissionais mais longevos da história do seu time? O ESPN.com.br apresenta abaixo alguns dos nomes que mais duraram nos chamados 12 grandes clubes do país.

Veja abaixo:

Atlético-MG

Procópio Cardoso é o treinador mais longevo da história atleticana, ao dirigir o clube de 1978, quando substituiu Jorge Vieira, até 1981, ao dar a vaga para Pepe. Foi a primeira das seis passagens dele pelo Galo, onde venceu três vezes o Campeonato Mineiro e uma Conmebol.

Recentemente, quem mais durou no comando foi Cuca, que passou 29 meses no Atlético-MG, entre 2011 e 2013. Ajudou o clube a vencer o maior título de sua história, a Libertadores, além de dois Estaduais.

Botafogo

No Botafogo, a maior duração de um técnico foi de pouco mais de quatro anos. Carlito Rocha comandou a equipe entre 1935 e 1939, conquistando o Campeonato Carioca no primeiro ano. Foi o segundo treinador da era profissional do clube.

Anos mais tarde, entre 1967 e 1970, Zagallo passou três anos e 215 dias à frente do Botafogo. Desde então, ninguém mais chegou a completar três temporadas ininterruptas. Quem passou mais perto foi Oswaldo de Oliveira: um ano e 351 dias entre os meses de dezembro de 2011 e 2013.

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Corinthians

O Corinthians, como já dito acima, teve Tite por três anos e dois meses, entre 2010 e 2013. Com ele, venceu Campeonato Paulista, Brasileirão, Libertadores e também o Mundial de Clubes. Mas o atual técnico da seleção brasileira não é o mais longevo da história alvinegra.

O título pertence a Oswaldo Brandão, que ficou de 1954 a 1958 no clube. No período, venceu um Paulistão, justamente na primeira temporada, numa sequência que só se quebraria 23 anos depois, com o estadual de 1977.

Cruzeiro

O trabalho mais longo da história cruzeirense é, curiosamente, o primeiro. Após sete anos liderado por uma comissão de atletas, o clube efetivou Matturio Fabbi como técnico em 1928. Ele ficou três anos e sete meses à frente da Raposa, sendo três vezes campeão estadual.

Mais recentemente, o Cruzeiro teve três trabalhos duradouros. Mano Menezes ficou de 2016 a 2019, Marcelo Oliveira dirigiu o time de 2012 a 2015, enquanto Adilson Batista segurou o cargo entre 2007 e 2010. Bem diferente da atual temporada, em que o clube celeste já teve três comandantes diferentes.

Flamengo

O rubro-negro, atual campeão brasileiro e da Libertadores, viu uma passagem longa de Flávio Costa entre as décadas de 1930 e 40. Futuro comandante da seleção, ele trabalhou no Flamengo entre 1938 e 1945, sendo tetracampeão carioca.

Em tempos recentes, são poucos os que fizeram trabalhos longos na Gávea. Cláudio Coutinho, entre 1978 e 1980, e Paulo César Carpegiani, de 1981 até 1983, são os que mais se destacam. Vanderlei Luxemburgo, de 2010 a 2012, e Zé Ricardo, de 2016 a 2017, são os "recordistas" dos últimos anos.

Fluminense

O Flu teve dois trabalhos longos no início do profissionalismo do futebol brasileiro. Luis Vinhaes, de abril de 1929 até outubro de 1933, foi o primeiro, seguido anos depois por Ondino Viera, de outubro de 1938 até março de 1943. O segundo foi tricampeão carioca, em 1938, 1940 e 1941.

O Tricolor carioca viu, mais recentemente, Abel Braga completar 25 meses no comando, entre 2011 e 2013. O trabalho levou aos títulos carioca e brasileiro de 2012.

Grêmio

Renato Gaúcho ainda precisa de muito para alcançar o recorde no clube. O treinador mais duradouro da história gremista é Oswaldo Rolla, ao trabalhar ininterruptamente de janeiro de 1955 até novembro de 1961. O gaúcho foi pentacampeão estadual, de 1956 até 1960.

Antes de Renato, o Grêmio também teve passagens marcantes de Luiz Felipe Scolari, entre 1993 e 1996, e Mano Menezes, de 2005 a 2007. O primeiro foi campeão da Copa do Brasil, do Brasileiro e da Libertadores, enquanto o segundo garantiu o acesso da equipe na Série B, além do vice continental em 2007.

Internacional

José Francisco Duarte Júnior, popularmente conhecido por Teté, é o treinador mais longevo da história colorada. Trabalhou no clube de 1951 a 1957, sendo campeão gaúcho em quatro oportunidades: 1951, 1952, 1953 e 1955. É até hoje o profissional com mais jogos pelo clube.

Não há trabalhos recentes tão longos. Rubens Minelli ficou entre 1974 e 1975, enquanto Daltro Menezes dirigiu o time de 1968 a 1971. Odair Hellmann foi o técnico de 2017 a 2019, mas não completou dois anos de fato.

Palmeiras

Os três anos de Felipão entre 1997 e 2000 representam o maior trabalho recente do Palmeiras. Sob o comando de Scolari, o Verdão, impulsionado pelo investimento pesado da Parmalat, venceu Copa do Brasil, Copa Mercosul, Rio-São Paulo e a sonhada Libertadores.

No entanto, o recorde histórico pertence a Oswaldo Brandão, o mesmo que detém tal marca no rival Corinthians. Ele dirigiu o Palmeiras de 1971 a 1975, período em que ganhou duas vezes o Paulistão (72 e 74) e mais dois Brasileiros (72 e 73).

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Santos

Impossível competir com Lula, com sobrar o comandante mais longevo da história do futebol brasileiro. Ele dirigiu o Peixe por 12 anos, entre 1954 e 1966. Nessa passagem, ganhou dois Mundiais, duas Libertadores, cinco títulos brasileiros, três do Rio-São Paulo e mais oito Estaduais.

Em épocas recentes, o Santos teve três nomes que passaram dos dois anos à frente do clube: Emerson Leão, de 2002 a 2004, Muricy Ramalho, de 2011 a 2013, e Dorival Júnior, de 2015 a 2017. Eles venceram, pela ordem, o Brasileirão de 2002, a Libertadores de 2011 e o Paulista de 2016.

São Paulo

Quem dita as regras no São Paulo quando o assunto é longevidade só podia ser Telê Santana. Contratado em outubro de 1990, o "Mestre" permaneceu no clube até 1996 (e teria ficado mais, não fosse o problema grave de saúde que o tirou do futebol). É o treinador mais vitorioso do Morumbi, com duas Libertadores, dois Mundiais, dois Paulistas e um Brasileiro.

Mais recentemente, um pupilo de Telê foi quem chegou mais perto de igualá-lo. Muricy Ramalho dirigiu a equipe de 2006 a 2009, levando-a ao inédito tricampeonato brasileiro, entre 2006 e 2008. O mesmo Muricy voltou em 2013 para uma passagem menor, até 2015.

Vasco

O cargo que hoje é de Ramon Menezes já foi ocupado pelo mesmo homem por 10 anos. Entre 1927 e 1937, o inglês Henry Welfare (que mais tarde ganhou o apelido de Harry) foi campeão carioca três vezes, em 1929, 1934 e 1936.

Depois dele, ainda tiveram trabalhos mais longos: Flávio Costa (1947-50), Mário Travaglini (1972-75) e Antônio Lopes, o 2º mais longevo da história vascaína. O "Delegado" comandou a equipe entre 1996 e 2000, colecionando um título brasileiro, um carioca, uma Libertadores e um Rio-São Paulo.