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Presidente do Cruzeiro explica como equalizará dívida de quase R$ 1 bilhão e fala em tentar 'sobreviver'

Em live nas redes sociais nesta sexta-feira, o presidente do Cruzeiro, Sérgio Santos Rodrigues, explicou como pretende equacionar a dívida de quase R$ 1 bilhão do clube (R$ 954,6 milhões, para ser exato).

Muito franco, o dirigente afirmou que a Raposa tentará "sobreviver" à passagem pela Série B para alcançar novas receitas com a possível volta à Série A, em 2021, quando o time comemora seu centenário.

Rodrigues também destacou que está renegociando com a União as dívidas tributárias e buscando formalizar um "ato trabalhista" com a Justiça, que reteria parte da receita do clube para quitar os processo encerrados.

"Hoje, nosso grande desafio é sobreviver a este (ano) agora, a este segundo semestre e ao primeiro semestre do ano que vem, equalizando essas dívidas, e colocando as dívidas de acordo com nosso potencial de captação de receita", afirmou.

"A gente, por exemplo, assume o clube no dia 1º de junho com receita zero de patrocínio. A gente tem o ano do centenário que vem para negociar em patamares maiores os patrocínios. Na Série A, vamos ter direitos de TV maiores, vamos ter essas propriedades digitais. E temos ideias estruturadas, conversamos com fundos que vem apresentando soluções. Com a taxa Selic com esse patamar, está todo mundo tirando dinheiro de banco e procurando novas formas de monetizar. A gente estuda com diversos fundos para isso", acrescentou.

"Nós temos R$ 130 a R$ 150 milhões em passivo trabalhista. Disso, R$ 70 milhões são do Fred. Isso significa que eu vou ser condenado a pagar R$ R$ 70 milhões? Não. Existem algumas questões quando a gente pega a parte trabalhista, a gente recebeu o pessoal da Justiça do Trabalho, a gente caminha para o 'ato trabalhista', que a gente pega a dívida e coloca dentro do fluxo de caixa e, assim, será possível o Cruzeiro pagar", explicou.

"Na área fiscal, a mesma coisa. O Corinthians fez um acordo com o PGFN, e isso está no nosso radar. Com os credores privados, isso também está caminhando. Então eu acho, o grande problema não é o tamanho da dívida, é o perfil da dívida. O Flamengo ainda tem R$ 550 milhões de dívidas. Mas ela é equalizada de forma que eles recebem e pagam. A gestão do Bandeira de Mello (ex-presidente do Flamengo) no segundo ano fechou no superávit. Hoje, o nosso desafio é conseguir fazer isso", completou.

O presidente celeste ainda ressaltou que a venda de parte do patrimônio do clube e também de jogadores serão essenciais para tentar equilibra as contas.

"Existe panejamento (de vender) imobiliário? Existe, sim. Conseguimos a aprovação da venda da Campestre e acho que será necessário fazer de outros imóveis no futuro. O Cruzeiro não tem necessidade de ter todos os imóveis, mas é uma coisa que a gente tem que discutir internamente", afirmou.

"O Cruzeiro é o time com jogadores sub-23 com a maior minutagem, isso é ativo. O Athletico-PR vendeu R$ 250 milhões em jogadores. Acho que a gente tem esse potencial, ainda mais com esses atletas jogando, meninos que têm jogos pela Série A, convocações para a seleção de base, com baita capacidade de venda. Isso com o dólar e o euro neste patamar", seguiu.

"Com uma venda, Athletico-PR, Grêmio e Flamengo fazem R$ 100 milhões, um décimo da nossa dívida total. Acredito muito no potencial desses meninos e acredito que eles vão servir para a gente equalizar a dívida do Cruzeiro", finalizou.