O presidente do Corinthians, Andrés Sanchez, deu detalhes do acordo com a Hypera Pharma pelos naming rights da agora Neo Química Arena e disse que o clube vai receber R$ 300 milhões por 20 anos de acordo, valor inferior ao que o próprio dirigente projetava quase dez anos atrás, quando falava em R$ 400 milhões.
“Realmente, na época da construção, falei em R$ 400 milhões porque era a dívida com a Caixa. Agora, pegamos a Ibope Repucom, vimos as propriedades da Arena, eles fizeram um estudo e vimos coisas acima no mercado. Foi um trabalho árduo e completamos a primeira fase com sucesso”, disse, antes de complemento do superintendente de marketing.
“Fizeram estudos para chegarmos nestes valores. É importante tecnicamente para colocar para o torcedor que a gente se baseava antes pelo valor da dívida com a Caixa. Fizemos um pagamento significativo e tivemos margem para negociar e fazer esse grande contrato para o clube. Essa entrega é também de ativação. Um jogo aqui nunca será igual ao outro, a empresa está com apetite para fazer ações diferentes para nossos 35 mil de média de público”, disse Caio Campos.
Ambos garantiram que o negócio deve render outras receitas ao Corinthians, como a exploração do uniforme (estima-se o pagamento de R$ 30 milhões por três anos), shows no gramado (sem que afetem os jogos do time) e o “sector rights”, renomeando os setores Norte, Sul, Leste e Oeste com nomes de produtos da Hypera Pharma.
“Será o setor Gelol, Benegrip... E as ativações da Arena, uma grande e entrega nas redes socais para trazer experiências para o torcedor em dias com e sem jogos. O relacionamento com os fornecedores deles será espetacular, vai ter uma mega farmácia junto de um dos parceiros, vão ter projetos sociais na Zona Leste, o que foi sempre uma busca para trazer benefícios para a comunidade. Falamos de visibilidade, ativação e relacionamento comercial”, disse Andrés.
Ainda sobre o tema, Caio Campos disse que haverá um novo design do estádio para identificação com o parceiro.
"É uma construção que estamos fazendo com algumas agências. As mudanças físicas serão grandes. É um contrato de 20 anos, temos bastante tempo para fazer algo bacana para o torcedor ter orgulho", disse.
“Sobre shows, foi uma negociação dura, todo mundo sabe que o presidente não gostaria de fazer, mas a gente se comprometeu a fazer poucos. A prioridade total são os jogos, não existe possibilidade de perder jogo por causa de show, mas existe a possibilidade de aumentar o faturamento, porque 100% do faturamento será do fundo, então nos ajudará a ter mais receita. Foi difícil convencer o chefe disso, mas iniciaremos alguns poucos shows, vamos mudar”, acrescentou.
Assunto importante, a dívida do Corinthians pela construção da Arena foi parte da entrevista. Andrés Sanchez falou mais de uma vez que 100% da receita de naming rights será para pagar a dívida com a Caixa Econômica.
“Como falei, tínhamos três dívidas: Caixa, construtora e uma empresa filiada à construtora. Com a construtora já pegamos a quitação, agora estamos esperando a recuperação judicial da outra empresa para terminar as negociações. Com a Caixa, devemos R$ 530 milhões, R$ 550 milhões. Desses R$ 300 milhões, 100% vai para abater a divida com a Caixa. Isso dá 60%, 65%. Temos discussão com a Caixa para ver o que os dois lados entendem como dívida. Esse dinheiro de naming rights abate a dívida com a Caixa. Torcedor pode ficar tranquilo que chegaremos a uma solução. Mandamos o contrato ontem para a Caixa e teremos uma reunião presencial para falar das negociações”, disse o presidente corintiano, em assunto complementado depois.
“Há a execução da Caixa, uma ação de R$ 532 milhões. E há embargos do Corinthians, de defesa, que consideramos R$ 450 milhões. Há divergência de valores sendo discutida em juízo. Em razão do ânimo das partes da busca pró conciliação, esses processos vem sendo suspensos para que se encontre um caminho amigável. Agora esse cenário fica mais favorável, os processos permanecem suspensos”, disse Fabio Trubilhano, diretor jurídico do clube.
A entrevista, realizada no CT Joaquim Grava, no fim da manhã desta terça-feira (1º), ainda teve um momento de desabafo de Andrés. Vale lembrar que ele era cobrado pelos naming rights desde outubro de 2011.
“Demorou, negociação complexa, coisa nova no Brasil, mas me sinto tranquilo, era um papel que vínhamos trabalhando para fechar essa equação, voltei para resolver o problema da Arena, nunca perdi um dia de sono. Fique tranquilo que até o final do ano vamos resolver tudo para vocês me esquecerem e não falarem mais nada comigo depois de dezembro".
