PSG e Bayern de Munique entrarão em campo neste domingo, às 16h (de Brasília), para decidir a Champions League depois de ficarem separados por 24,2 milhões de euros (R$ 158 milhões na cotação atual) na última temporada. Foram, respectivamente, o quinto e quarto clubes mais ricos da Europa em 2018/19.
A ESPN fará uma cobertura especial da final da Champions League. O ESPN.com.br acompanhará a decisão em tempo real já às 14h, com muito conteúdo, estatísticas, vídeos e lance a lance e, pós-jogo, as repercussões pelo mundo e as entrevistas; na ESPN Brasil, o Futebol no Mundo começa às 15h, com informações, probabilidades, escalações e como os times devem jogar; após o apito final, é hora do SportsCenter, com análises, polêmicas e opiniões.
Um ano antes, quando Liverpool e Tottenham disputaram a maior final europeia, a diferença era de 85,4 milhões a favor do Reds – que acabariam campeões. Em 2017/18, o Real Madrid havia faturado 250,4 milhões a mais do que seu rival – também o time de Jurgen Klopp – na temporada anterior.
Os números, por si só, não são garantia de equilíbrio também dentro de campo, muito menos de que os donos do maior faturamento – no caso, os alemães – sairão campeões do Estádio da Luz, repetindo o padrão das últimas temporadas – é assim desde que o Chelsea venceu o Bayern em 2011/12.
Mas a comparação entre as finanças de PSG e Bayern mostra que pode haver mais em comum do que parece, entre um time acostumado a figurar entre os mais ricos do mundo e em busca de seu sexto título europeu contra outro que é recém-chegado a esse “clube” e disputa só sua primeira final de Champions.
Um raio-x das receitas
A força no mercado
Segundo a consultoria Deloitte, em seu estudo anual “Football Money League”, apenas três clubes – Barcelona, Real Madrid e Manchester United – faturaram mais do que Bayern e PSG em 2018/19. Os dois finalistas da Champions, porém, são os únicos a fazer mais da metade de seu dinheiro com patrocinadores.
No caso do PSG, que conta com o dinheiro do Catar nos bastidores e tem contrato de parceria com a Qatar Airways, por exemplo, a relação pode até ser vista com ressalvas – foi de irregularidades a partir de ligação desse tipo que o Manchester City acabou punido pela Uefa. Mas o clube hoje colhe os frutos de ter reunido Neymar e Kylian Mbappé.
Os 363,4 milhões de euros que o clube fez com acordos comerciais é mais, por exemplo, do que o total que a equipe faturava até 2013, já dois anos depois de ser comprado pelo QSI (Qatar Sports Investments). Em novo patamar, o clube só melhora seus contratos e deve faturar ainda mais.
Para 2019/20, claro, os impactos da pandemia do novo coronavírus devem ser sentidos nas finanças de todos os clubes, mas a expectativa é de que o PSG consiga superar os ganhos totais do Bayern – ainda mais se sair campeão neste domingo. No acordo comerciais, isso já é uma realidade.
Na última temporada, por exemplo, a equipe de Paris se tornou a primeira no futebol a ter parceria com a Air Jordan, linha da Nike até então restrita ao mundo da NBA. O clube, aliás, renovou seu contrato com a fornecedora norte-americana e passou a ter a Accor como patrocinadora máster na camisa. Nos uniformes de treino, engordou o faturamento com o governo de Ruanda.
Em cifras, somente o Barcelona fez mais dinheiro com parceiros comerciais: 383,5 milhões de euros, o que representou 46% do total das receitas catalãs. Para o Real Madrid, esse valor foi de 354,6 milhões (47%); e no Manchester United, outro gigante do marketing, 317,2 milhões de euros (45%).
Bayern faz dinheiro da Alemanha até Singapura
Se o Bayern não tem o aporte de um fundo estatal, fatura com 14 empresas diferentes da Alemanha. São 16 de 27 contratos comerciais com parceiros do país, em uma lista, no entanto, que vai muito além das fronteiras: Áustria, Canadá, China, Japão, Malta, Singapura, Estados Unidos e até o próprio Catar.
Segundo dados da consultoria KPMG, o maior contrato ativo do Bayern é com sua fornecedora, a Adidas, que lhe garante 60 milhões de euros (mais de R$ 390 milhões) por ano – o atual vínculo vai até 2030. Em seguida, vem a Deutsche Telkom, que estampa sua marca na camisa por 35 milhões de euros/ano.
A longa lista de parceiros ainda tem outras gigantes como Audi, Qatar Airways (10 milhões de euros/ano cada), Allianz (patrocinadora e dona dos naming rights do estádio do clube) e Google. Há outros como Vejo (Alemanha), Tipico (Malta) ou OxiGEN (Canadá) que rendem menos de 1 milhão de euros anuais, mas engordam o faturamento.
Os gastos
No dinheiro que sai dos cofres de PSG e Bayern, há uma diferença gritante: a atuação no mercado de contratações. Enquanto os franceses fizeram a maior contratação da história do futebol, com Neymar, pagando 222 milhões de euros ao Barcelona; os alemães só gastaram mais do que 50 milhões de euros por Lucas Hernández (€ 80 mi) – em Paris, a barreira foi superada também com Mbappé, Cavani, Di María e Icardi.
Em relação a salários, no início de 2020, o jornal francês “L’Équipe” mostrou que o PSG paga os 11 maiores da Ligue 1, com Neymar (3,06 milhões de euros brutos por mês) no topo, acima de Mbappé (1,91 milhão de euros mensais).
No Bayern, os custos também são altos. As despesas do clube na última temporada foram de 588,8 milhões de euros, sendo que 356 milhões de euros foram para o pagamento de funcionários. Os dois valores são recordes na história do clube.
A KPMG, aliás, mostra um dado curioso: o custo dos funcionários do Bayern em 2018/19 foi de 4 milhões de euros por gol marcado. Um valor que nem os alemães, nem os franceses do PSG, com certeza, se importariam de pagar se pudessem garantir o título da Champions neste domingo.
