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Geração revelada pelo PSG vai ser campeã da Champions, mas talvez não pelo clube

Independentemente do clube campeão da Champions League no próximo 23 de agosto uma certeza já é possível: algum jogador revelado pelo Paris Saint-Germain ficará com o troféu.

Além da presença do PSG na semifinal do torneio, decidindo vaga na final contra o RB Leipzig, da Alemanha, os outros três clubes na corrida pelo título contam com jogadores revelados pelo clube.

Começando pelos concorrentes ao título, estão na disputa Kingsley Coman (atacante do Bayern de Munique), Moussa Dembélé (atacante do Lyon) e Christopher Nkunku (meia do RB Leipzig).

Todos tiveram passagem pela base do PSG, de onde saíram entre 2014 e 2015, mas apenas Nkunku teve oportunidade de tentar demonstrar seu potencial no time profissional da equipe. Foram 78 jogos e 11 gols entre as temporadas 2016 e 2019.

Coman fez apenas quatro partidas pelo PSG como profissional, enquanto Dembélé deixou a base do clube para jogar pelo Fulham, da Inglaterra, atuando por um tempo no time sub-19 da equipe antes de se profissionalizar.

O próprio PSG conta com jogadores da base no elenco que tem estrelas como Neymar, Cavani e Mbappé. O principal é o zagueiro Presnel Kimpembe, 25, pouco mais velho que a geração acima.

Outros nomes são o goleiro Garissone Innocent, 20, os zagueiros Timothee Pembele, 17, e Mbe Soh, 19, o meio-campista Kays Ruiz-Atil, 17, e o atacante Arnaud Kalimuendo, 18. Estes, pela idade e pela forte concorrência, são menos conhecidos.

Do quarteto de destaque entre os semifinalistas há algo em comum. Todos foram treinados na base do PSG por Laurent Bonadéi, histórico revelador de jogadores e que hoje é auxiliar de Hervé Renard na Arábia Saudita.

“Três deles vão acabar o torneio decepcionados, mas tenho certeza que felizes por aquele que sair vencedor”, disse Bonadéi, em entrevista ao “Le Parisien”, nesta segunda-feira (17). “Eu já sabia que teriam sucesso pelo grande potencial desses jovens”.

O treinador assegura que os jogadores que deixaram o PSG não têm qualquer sentimento negativo em relação ao clube. Pelo contrário, diz que são gratos por terem iniciado a carreira na equipe e certamente esperam ter a oportunidade de um dia regressar.

As semifinais da Champions acontecem nesta semana. Na terça, o RB Leipzig enfrenta o PSG no estádio da Luz, às 16h (de Brasília), já na quarta o Lyon joga com o Bayern, no José Alvalade, no mesmo horário.

Revela muito, aproveita pouco

Muitos lembram até hoje que o primeiro caso de grande revelação mal aproveitada pelo PSG foi Nicolas Anelka, que partiu para o Arsenal em fevereiro de 1997, aos 17 anos, praticamente de graça.

Mas a lista é extensa e já foi até divulgada pelo ESPN.com.br.

Ver seus melhores jovens jogadores saindo por praticamente nada, alguns sem sequer jogar pelo time profissional, nunca fez parte do plano do PSG. Então, o que deu errado?

No verão de 2011, quando o clube foi comprado pela Qatar Sports Investments, havia uma mensagem clara: formar uma grande equipe capaz de dominar o futebol francês e vencer a Champions League. Para isso, era necessário prestar atenção na base do clube para que, em vez de comprar Lionel Messi um dia, o PSG pudesse encontrar um “Messi” em sua própria base.

Quase dez anos depois, o PSG ainda não encontrou. E não estão nem perto disso, de fato. Eles gastaram muito dinheiro, com cerca de 10 milhões de euros (R$ 58 milhões) por temporada sendo destinados para a base, e os resultados foram significativos.

No ano passado, a Federação Francesa classificou a base do PSG como a melhor do país, pondo fim ao domínio do Lyon, premiado nas seis temporadas anteriores. O desenvolvimento desses jovens é impressionante, mas os mais talentosos continuam saindo.

Há duas razões principais para isso: a ausência de um caminho para o time profissional do PSG e a falta de tempo de jogo. Em uma equipe de superestrelas, um jovem precisa ser realmente muito bom e melhor do que os que lá estão para jogar regularmente.

Coman não podia esperar mais pelas oportunidades que quase nunca vinham no time do treinador Laurent Blanc; Nkunku não via em Thomas Tuchel um treinador que confiasse neles o suficiente para colocá-los em campo com regularidade. Por isso saíram.

Em um time tão estrelado, com pouca paciência para tirar uma de suas estrelas para dar tempo e espaço para os jovens, aparecem como luz no fim do túnel Kimpembé e Rabiot, que deram certo. Embora o volante saiu de graça para a Juventus, após briga judicial.