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Ex-Corinthians, Guilherme conta como conselho de Seedorf o fez desistir do voltar ao Brasil e virar campeão no Olympiacos

No meio de 2018, Guilherme Torres precisava tomar uma decisão importante na carreira. Ele não pretendia permanecer no La Coruña, que havia sido rebaixado para a segunda divisão da Espanha, e tinha sondagens do São Paulo e de clubes do Sul.

O volante, campeão da Recopa Sul-Americana e do Paulistão pelo Corinthians, resolveu conversar com seu treinador Clarence Seedorf sobre o dilema.

“Eu disse a ele que desejava voltar ao Brasil porque estava cansado de brigar contra o rebaixamento. Queria ser feliz outra vez. O Seedorf falou: ‘Fica na Europa que é melhor para você. Coisas boas virão’”, contou Guilherme ao ESPN.com.br.

Pouco tempo depois, chegou uma oferta do Olympiacos, da Grécia, que fez o brasileiro permanecer na Europa.

“Não tem como comparar LaLiga com a Grécia, mas eu buscava objetivos maiores. Queria voltar a ser campeão e tinha o sonho de jogar campeonatos como a Champions League e a Europa League”, explicou.

Guilherme chegou em meio a uma reformulação do Olympiacos, Após faturar sete vezes seguida a Liga Grega, o clube ficou duas temporadas sem levantar a taça. Nesta temporada, a equipe recuperou a hegemonia no país com seis rodadas de antecedência.

“Demorou um pouco para nos entrosarmos, mas essa temporada foi sensacional. O time acertou e conseguimos ser campeões da Liga e estamos na final da Copa da Grécia”.

Além disso, Guilherme disputou a Champions League nesta temporada. A equipe caiu no mesmo grupo de Bayern e Tottenham e ficou na terceira posição do grupo. Com isso, foi para a Liga Europa, na qual eliminou Arsenal em pleno Emirates Stadium.

“Foi emocionante porque perdemos sem casa e vencemos no último minuto da prorrogação. Foi uma festa linda quando voltamos para a Grécia. Muitos achavam que não iríamos passar, mas conseguimos. Agora temos o Wolverhampton pela frente”, contou.

Em duas temporadas no clube alvirrubro, o brasileiro virou titular absoluto e sentiu o fanatismo dos gregos por futebol.

“A torcida do Olympiacos é muito parecida com a do Corinthians. Eles adoram brasileiros. Na Udinese e no La Coruña é uma situação diferente, os estádios são mais quietos”, contou.

Com mais um ao de contrato, Guilherme ainda não tem o futuro definido.

“Meu plano é ser campeão da Copa e chegar longe na Europa League. Ainda tenho mais um ano de contrato na Grécia para ver se vamos renovar o vínculo ou se virá alguma proposta. Um dia quero voltar ao Brasil, não sei a hora ainda, mas teria que ser algo muito bom”.

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Um vencedor é um sonhador que nunca desiste! 🙏🏼👊🏼

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Carreira

Revelado na Portuguesa, Guilherme jogou no Corinthians entre 2012 e 2014 antes de ir para a Udinese, da Itália.

“Estava bem no Corinthians, mas, com a troca de treinadores, ficou mais difícil. Nisso, apareceu uma proposta da Udinese. Não tinha o passaporte italiano, e o Edu Gaspar me disse: 'É difícil um meio-campista sem passaporte. Aproveita a oportunidade e vá se feliz'”.

No time italiano, o brasileiro virou primeiro volante e jogou ao lado de Allan, do Napoli, Di Natale e Bruno Fernandes, destaque do Manchester United.

Depois de ser titular no primeiro ano, Guilherme sofreu uma lesão grave na segunda temporada.

“Fiquei quase oito meses parado e voltei com medo e com dores. Fiz uma cirurgia no adutor e não é simples. Peguei uma infecção e foi uma temporada perdida”.

Chateado com a situação, o brasileiro quis sair da Udinese e foi contratado pelo La Coruña.

O volante jogou duas temporadas em LaLiga, chegando a aplicar um chapéu no atacante Morata, que estava no Real Madrid à época.

“Recebo direto dos meus amigos esse lance. Toda quinta-feira eles pedem para postar (risos)”, afirmou. “De todos os caras que joguei contra, o Messi foi o melhor. Ele é incrível, ele vai para os dois lados, é imprevisível. Não erra um domínio e a bola gruda no pé. Tem que aplaudir mesmo, sou muito fã dele”.

“O Ronaldo joga mais dentro da área, não é de ficar driblando e mudando de direção como o Messi. Não tem comparação”.

A experiência de jogar duas edições de LaLiga marcou o ex-jogador do Corinthians.

“Muitos times jogam tocando a bola lá de trás, é algo muito legal. Não imaginei nem nos meus melhores sonhos que um dia poderia jogar no Santiago Bernabéu ou no Camp Nou. Isso me marcou demais”.

Um dos maiores orgulhos de Guilherme foi ter sido treinado por Clarence Seedorf durante três meses na equipe espanhola.

“O Seedorf me ensinou muito na parte de posicionamento e como me portar em campo. Ele disse que eu tinha qualidade e precisava melhorar nos detalhes. Se eu tivesse ficado um ano inteiro com ele, melhoraria muito. É um cara que jogou na minha posição e sabia demais o estilo dos jogadores brasileiros”, destaca.