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Internacional: D'Alessandro fala sobre aposentadoria e possível retorno ao River Plate

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D'Alessandro faz mistério sobre futuro mesmo com mais uma temporada de contrato com o Internacional (0:44)

'Cada ano que passa é lucro', disse o camisa 10 sobre possibilidade de aposentadoria (0:44)

Durante a pandemia, Andrés D'Alessandro pensou muito sobre a carreira, na qual se tornou um dos mais emblemáticos jogadores estrangeiros da história do futebol brasileiro, graças às 12 temporadas defendendo o Internacional.

Aos 39 anos, o argentino está ciente de que tem "uma idade elevada" para o futebol e que está perto de encerrar uma trajetória de sucesso, o que gostaria de fazer no próprio Inter ou no River Plate, definidos por ele como "os dois clubes mais importantes" de sua vida, conforme contou em entrevista à Agência Efe.

O meia-atacante nascido em Buenos Aires explicou ainda como se sentiu durante o confinamento em Porto Alegre, analisou a volta "ilógica" do Campeonato Carioca e exaltou o compatriota Lionel Messi, que para ele merece "um lugar privilegiado no Olimpo do futebol”.

O camisa 10 tem contrato com o Colorado até dezembro deste ano. A diretoria do clube já ofereceu uma renovação, mas ele prefere esperar um pouco para tomar uma decisão.

"Já tenho 39 anos e quero encarar tudo com tranquilidade. Não é que eu vá parar de jogar no final do ano, mas quero ver como vou chegar lá fisicamente, mentalmente, para depois tomar uma decisão", afirmou D’Ale.

Se fosse apenas por vontade própria, ele revelou que assinaria por "mais 15 anos com o clube" gaúcho, mas outros fatores estão em jogo.

"Se eu chegar ao final do ano cansado e se mentalmente não quiser saber de mais nada, tomarei a decisão (de me aposentar), mas não hoje. Ainda sinto vontade, me sinto forte o suficiente para me levantar cedo porque gosto, amo o futebol", contou. ”Não me imagino hoje sem o futebol, é muito difícil imaginar minha vida hoje sem treinar ou sem ter o futebol no dia a dia", acrescentou.

PORTAS ABERTAS PARA O RIVER

D'Ale também ressaltou que pretende encerrar a carreira no Inter, mas não descarta voltar às origens.

"Se nada de estranho acontecer (encerrarei no Inter), mas não fecho a porta para o River, que me abriu as portas do futebol", disse. “Tenho família na Argentina, e meus pais adorariam (que jogasse) lá", acrescentou.

A posição sobre o futuro é uma prova de que o coração futebolístico do argentino bate forte dos dois lados da fronteira.

Cria das categorias de base dos 'Millonarios', nas quais começou a jogar aos nove anos de idade, D'Alessandro se profissionalizou pelo clube argentino em 2000. Três anos depois, se transferiu para o Wolfsburg, da Alemanha, que na segunda metade da temporada 2005-2006 o emprestou ao Portsmouth, da Inglaterra. Ao fim desse ciclo, rumou para o Zaragoza, da Espanha.

No primeiro semestre de 2008, ele defendeu o San Lorenzo, da Argentina, emprestado pelo clube espanhol, e em julho daquele ano iniciou a trajetória no Internacional, com direitos federativos comprados por por 5 milhões de euros. O longo período no Colorado só teve uma pausa, de fevereiro a dezembro de 2016, quando voltou ao River Plate por empréstimo.

No Brasil nasceu um dos filhos do argentino, Gonzalo, o mais novo. Os outros dois, Martina e Santino, foram criados no país.

FUTEBOL E PANDEMIA

No Brasil, 'El Cabezón' tem feito treinos físicos nos últimos dois meses e afirmou que não é fácil não ter um objetivo de competições a curto prazo. O Campeonato Gaúcho foi suspenso devido à pandemia, e a CBF ainda não marcou a data de início do Brasileirão.

"Não podemos jogar futebol, fazemos trabalhos à distância, algum trabalho com bola, o que podemos, a parte física. Estamos cansados de correr, fisicamente estamos bem", contou, sorrindo.

D'Ale também diz não entender como no Rio de Janeiro, que contabiliza 112.000 casos e quase 10.000 mortes por coronavírus, o Campeonato Carioca já tenha recomeçado, enquanto no Rio Grande do Sul, que registrou 25.659 casos de coronavírus e 582 mortes, o Estadual esteja suspenso.

"O Flamengo já jogou uma partida, são coisas que não são lógicas, são ilógicas", comentou.

A pandemia mudou não só a rotina do argentino, mas também mexeu no bolso, já que o elenco do Inter aceitou um corte de 25% nos salários durante 90 dias.

"Ninguém gosta que mexam em seu dinheiro, mas temos que entender a realidade", argumentou.

Essa redução salarial não impediu que D'Alessandro, que ganhou o Troféu Efe de melhor jogador estrangeiro do Campeonato Brasileiro de 2013, realizasse ações sociais em comunidades carentes de Porto Alegre e doasse equipamentos para atividades físicas a profissionais de saúde de uma rede hospitalar.

Além disso, ele mostra pouco otimismo em relação ao fim da pandemia a curto prazo ao dizer que o vírus "não vai embora da noite para o dia".

SABORES AMARGOS

Além de ansioso pelo fim da pandemia, o meia-atacante está faminto por títulos e sonha com a conquista do Campeonato Brasileiro ou da Copa do Brasil - no último caso, para se livrar de um sabor amargo.

"Joguei duas finais da Copa do Brasil e perdi ambas, então é um espinho cravado", afirmou.

O histórico de títulos do argentino inclui uma Taça Libertadores (2010, pelo Inter), uma Sul-americana (2008, também pelo clube gaúcho), três torneios Clausura, uma Copa da Argentina e uma Recopa Sul-Americana (todos pelo River Plate).

Pela seleção de seu país. D'Alessandro foi campeão mundial sub-20 em 2001 e medalhista de ouro nos Jogos Olímpicos de Atenas 2004.

Com a camisa da 'Albiceleste' em compromissos pela seleção principal, ele esteve em campo em 28 ocasiões de 2003 a 2011, mas não teve a mesma sorte, pois em todo o período - e até hoje - a Argentina viveu uma seca de títulos.

A sorte, por pouco, não foi diferente na Copa América de 2004, no Peru. Mas uma derrota para o Brasil na final frustrou os planos e deixou outro gosto amargo em sua carreira.

"Perdemos por causa de um detalhe, um gol de Adriano", lembrou, citando um gol do 'Imperador' nos acréscimos, quando o placar era de 2 a 1 a favor da Argentina - nos pênaltis, os então comandados de Carlos Alberto Parreira levaram a melhor por 4 a 2.

MESSI NO OLIMPO

Esse panorama vivido por D'Alessandro na seleção argentina lembra um pouco o início da trajetória de Lionel Messi na "Albiceleste', na qual também campeão mundial sub-20 (2005) e medalhista de ouro olímpico (Pequim 2008), além de ter perdido uma final de Copa América para o Brasil (2007).

Grande admirador do seis vezes eleito pela Fifa melhor jogador do mundo, D'Ale se desfez em elogios ao compatriota.

"O fato de Leo continuar fazendo as coisas que faz por tantos anos, no mesmo nível, marcando o mesmo número de gols, ganhando o mesmo número de títulos, o coloca em uma posição privilegiada no Olimpo do futebol", comentou.

"O que eu valorizo muito é seu comportamento também fora do campo. Ele é um cara que mantém uma linha de opinião, uma seriedade, e isso faz dele um exemplo e uma referência para os demais", complementou.

PASSAGEM PELO ZARAGOZA

D'Ale ainda lembra com carinho de sua passagem pelo futebol espanhol e pelo tempo em que morou na cidade de Zaragoza, onde deixou amigos e tem uma casa.

"Se eu pudesse morar na Espanha, moraria por causa da comida. Meu Deus! Uma 'pata de jamón' na cozinha...", exclamou, aos risos.

Ele contou que acompanha pelo YouTube jogos e lances do clube com o qual teve vínculo de 2006 a 2008, e torce para que neste ano "suba de uma vez por todas" para a primeira divisão espanhola.