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'Não tenho ilusão de que o Real Madrid vai bater na minha porta': goleiro símbolo do City faz pedido para achar novo clube

Símbolo do Manchester City, defendendo o clube durante sua transformação em uma das forças da Premier League, o goleiro Joe Hart, 33, lida com uma situação inédita em 17 anos de carreira: não tem clube.

O contrato com o Burnley termina nesta terça-feira (30). Ainda faltam seis rodadas para o oitavo colocado encerrar sua participação na Premier League, mas Hart está fora dos planos. Jogou apenas pela Copa da Inglaterra e pela Copa da Liga Inglesa.

Em entrevista para a “BBC Sport”, Hart disse que não sente pena de si mesmo após uma temporada em que ficou no banco de reservas Burnley e fez menos partidas pela primeira vez como profissional desde 2003/04.

“O fato de eu ter ficado no banco por 18 meses não vai me definir nem me esmagar”, disse. “Eu sei de onde eu vi. Lembro-me de jogar no time da minha região buscando uma vaga no Shrewsbury Town. Eu aprendi cedo: você precisa ter perspectiva”.

“Talvez do lado de fora, as pessoas pensem que é hora de entrar em pânico, mas do lado de dentro, minha estrutura mental, é hora de olhar para frente e ver todas as oportunidades”, disse Hart, que busca um clube.

O goleiro começou a carreira pelo Shrewsburry Town, tendo se profissionalizado em 2003/04. Duas temporadas depois foi negociado com o Manchester City. Foram dez anos no clube, embora com algumas saídas por empréstimo.

Chegou a ir para o Tranmere Rovers e o Blackpool em 2006/07. Depois, em 2009/10, foi cedido ao Birmingham. Em 2016/17, já na fase de desgaste com a direção, foi emprestado ao Torino.

“Não tenho a ilusão de que o Real Madrid vai bater na minha porta, que vão tirar [Thibaut] Courtois e me colocar para dentro. Mas há muito mais por vir. Só preciso que alguém acredite em mim e retribuirei essa fé”, disse o goleiro, esperançoso de repetir grandes momentos.

Faz pouco mais de quatro anos que ele jogou a semifinal da Champions League pelo City contra o Real Madrid. Faz menos de três desde que ganhou o último de seus 75 jogos pela seleção inglesa.

Pelos anos que defendeu o City, participando do processo de resgate da identidade do torcedor com o clube, Hart virou ídolo da torcida. Ele partiu em 2018, mas sempre é lembrado como um dos seis jogadores que ajudaram a transformar a história da equipe.

Os outros são Pablo Zabaleta, Yaya Touré, Vincent Kompany, David Silva e Sergio Agüero. Os três primeiros já saíram e o quarto sairá após esta temporada. Somente o argentino vai “sobreviver”.

“Todo fã de futebol ou fã do Manchester City e pessoas que eu vejo diariamente me tratam com o maior respeito. Jamais poderia sonhar com isso. Não recebi um agradecimento nem tive ótima despedida, mas não há sentimento melhor do que o modo como sou tratado pelas pessoas”, disse.

“Esse clube sempre fará parte de mim”, completou em sua entrevista.