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São Paulo tri da Libertadores, 15 anos - Amoroso detalha 'olho no olho' com Autuori e revela 3 rivais que poderiam tê-lo contratado antes

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Via Instagram @amoroso | Ex-jogador deixou desafio para lendas nas suas redes sociais (0:59)

O São Paulo comemora daqui pouco mais de duas semanas, em 14 de julho, 15 anos de seu tricampeonato na Libertadores da América.* E o caminho para a chegada à final contra o Athletico-PR teve uma semifinal duríssima disputada contra o River Plate, com triunfo por 2 a 0 na ida, no Morumbi, e nova vitória na Argentina, desta vez por 3 a 2 - esta última, por sinal, foi há exata uma década e meia, também em um 29 de junho. E talvez a conquista não tivesse acontecido se não fosse por uma contratação pontual pouco menos de um mês antes da decisão e que estreou justamente contra os argentinos.

Amoroso desembarcou no Morumbi em 18 de maio para usar a camisa 9, vaga por causa da lesão de Grafite - operou o joelho direito após as quartas contra o Tigres-MEX, e a previsão era de seis meses afastado. Já consagrado na Europa, onde foi artilheiro do Campeonato Italiano pela Udinese e repetiu a dose pelo Borussia Dortmund na Alemanha, com direito a título da Bundesliga, o craque tinha 30 anos e estava livre após passagem pelo Málaga.

O desempenho na Espanha (cinco gols em 29 jogos) e a pouca vivência no futebol brasileiro, onde Amoroso só havia atuado por Guarani e Flamengo, fizeram muitos torcerem o nariz. Mas o atacante mostrou-se decisivo e, em quatro partidas, entrou para a história são-paulina, algo que poderia nem ter acontecido diante das propostas que recebeu - ou até acontecido antes.

Eles poderiam ter impedido Amoroso no Morumbi

Em entrevista exclusiva ao ESPN.com.br, Amoroso disse que foi sondado pelo São Paulo em janeiro daquele ano. Ou seja, poderia ter disputado a Libertadores inteira, não apenas os quatro últimos jogos. Mas outros clubes também foram atrás do atacante, que, por ter mais seis meses de contrato com o Málaga, recusou as abordagens.

"Tinha tido uma sondagem anterior [do São Paulo], no início do ano, mas não avançou. Fui sondado também por Corinthians, Palmeiras e Santos para retornar ao Brasil em janeiro. Como tinha contrato com o Málaga, teria opção de renovar ou não. Quando surgiu essa possibilidade de voltar para jogar a Libertadores, achei que era o momento de ter um título de grande expressão", contou o hoje atleta aposentado e com 45 anos.

Pouco antes de assinar com a agremiação tricolor, o atacante também foi procurado por duas equipes da Espanha, mas optou mesmo pelo retorno ao Brasil.

"No momento que surgiu essa possibilidade, o Oscar [Bernardi, ex-zagueiro de São Paulo, Ponte Preta e seleção] pensou e comentou com o Juvenal [Juvêncio, na época diretor de futebol] sobre a possibilidade de me trazer. Antes de assinar, tinha recebido duas propostas, do Alavés e do Celta. Mas pesou a preferência pelo São Paulo e pela competição, por isso acabei deixando de lado essas duas propostas", detalhou.

"Não vim fazer amizade"

Ao chegar ao São Paulo, Amoroso reencontrou muita gente conhecida, com quem havia dividido vestiários na Itália, na seleção brasileira, no Flamengo e também no Guarani. Um em especial: Luizão, seu parceiro desde as categorias de base em Campinas e com quem voltaria a atuar depois de mais de uma década.

"Quando cheguei ao São Paulo, foi infelizmente ou felizmente devido ao Grafite, e isso abriu as portas para que eu pudesse chegar num clube que tinha alguns jogadores amigos, caso do Luizão, que a gente já tinha entrosamento dos tempos de Guarani, o Júnior, no Parma, e Rogério, na seleção brasileira. E outros amigos que tinha, o Marco Aurélio Cunha, no Guarani, e o Roger, como goleiro no Flamengo", lembrou.

O comando era de Paulo Autuori, treinador com quem Amoroso nunca havia trabalhado. Mas o entendimento entre os dois aconteceu logo na primeira conversa, olho no olho, ainda viva na memória do ex-atacante.

"Naquele momento que o Autuori me viu e me chamou na sala, eu disse a ele: 'Professor, não vim fazer amizade, vim para ser campeão. Não estou para brincar. Se estou deixando o futebol europeu, é para ser campeão. Então pode contar comigo que a gente veio para ganhar'. E assim começou a confiança", contou Amoroso.

"A minha chegada foi triunfal, porque acabar substituindo um centroavante que vinha muito bem na competição, com gols importantes, era uma responsabilidade que eu tinha, mas sabia da minha qualidade, do meu potencial, da experiência que tinha nas costas. E poderia dar conta do recado".

E como deu.

Amoroso fez quatro partidas memoráveis naquela reta final. Mas este é assunto para uma próxima história...

Relembre, abaixo, a ficha técnica da volta da semifinal

RIVER PLATE 2 x 3 SÃO PAULO
Local: Estádio Monumental de Nuñez, em Buenos Aires (Argentina)
Renda: R$ 1.007.708,80
Público: 58.956
Gols: Danilo (S), aos 11min, Farías (R), aos 35min do primeiro tempo; Amoroso (S), aos 14min, Fabão, aos 35min (S), Salas (R), aos 39min do segundo tempo

Árbitro: Rubén Selman (Chile)
Assistentes: Rodrigo González e Lorenzo Acuña (Chile)
Cartões amarelos: Mascherano (R), Lucho González (R), Fabão (S), Luizão (S), Fabão (S), Rogério Ceni (S) e Júnior (S)

River Plate: Costanzo; Diogo, Ameli, Tuzzio e Dominguez (Montenegro); Lucho González (Fernández), Mascherano, Zapata (Sambueza) e Gallardo; Marcelo Salas e Farías
Técnico: Leonardo Astrada

São Paulo: Rogério Ceni; Fabão, Alex e Diego Lugano; Souza, Mineiro, Josué (Renan), Danilo e Júnior; Luizão (Alê) e Amoroso
Técnico: Paulo Autuori

*Esta reportagem é a segunda de uma série de conteúdos especiais que o ESPN.com.br publicará até 14 de julho sobre a conquista da Libertadores pelo São Paulo em 2005.