'Drible' no Palmeiras, multa milionária e time caótico: como era o Corinthians para que Marcos disse não

O goleiro Marcos reacendeu uma polêmica em suas redes sociais na noite de quinta-feira: e se o ídolo do Palmeiras tivesse aceitado defender o Corinthians no passado? A possibilidade foi real, em 2005, sendo que o próprio ex-atleta confirmou a história no programa Bolívia Talk Show, do canal Desimpedidos no YouTube, em março de 2018.

“O Corinthians queria me contratar porque era na época do Kia, que queria me contratar, só que eles falaram o seguinte: ‘Você vai para o Benfica, fica um tempo lá e volta para se apresentar no Corinthians em 2005'. Eu falei: 'Para mim não tem problema nenhum, só que eu quero que vocês expliquem que estão me vendendo e o que vai acontecer'", disse.

"Os caras falariam: 'Ah, o Marcão fez sacanagem com o clube'. Acho que eles venderiam isso para a torcida para livrar os deles, mas aí eu falei: 'Eu jogo em qualquer lugar, só que vocês que vão me vender', mas aí eles pipocaram e eu não fui."

À época, o empresário Kia Joorabchian tentou tirar o goleiro do Palmeiras e teve como estratégia a falta de pagamento de impostos pelo clube em 2005. O iraniano recorreu a esta possibilidade para que o jogador pudesse romper com os alviverdes sem pagamento de multa, uma vez que ele sabia que o time do Palestra Itália não aceitaria uma proposta pelo ídolo. As informações foram publicadas pelo portal UOL em 2012.

O veículo apontou que um dirigente palmeirense da época disse que o clube devia pelo menos R$ 1 milhão nestes impostos.

O plano era transferir Marcos a Portugal e depois de um ano colocá-lo no Corinthians. De acordo com a matéria do UOL de 2012, o ex-arqueiro perguntou, e Kia confirmou a ideia de levá-lo ao time alvinegro. Ele ganharia um salário muito maior do que recebia no Palmeiras.

No fim das contas, o campeão mundial rejeitou a possibilidade de transferência e renovou com o clube alviverde. Em 2005, como publicou o jornal Folha de S. Paulo, Marcos estendeu seu vínculo até 2009 com uma multa rescisória de R$ 103 milhões, sendo que ambas as partes poderiam finalizar o vínculo sem pagamento de multa se isso ocorresse dentro do que ficou acordado.

O Palmeiras, caso decidisse rescindir o contrato, poderia fazê-lo sem precisar desembolsar o que restasse do contrato. Por outro lado, se o goleiro quisesse encerrar a carreira antes de julho de 2012, também não teria de quitar a multa rescisória.

No período em que se passou a história de uma eventual ida de Marcos ao Corinthians, o clube vivia um período turbulento. O técnico Daniel Passarella seria demitido em maio daquele ano, após o time ter sido goleado por 5 a 1 pelo São Paulo. A equipe também sofrera uma eliminação nos pênaltis na Copa do Brasil para o Figueirense e tinha o goleiro Fábio Costa afastado pelo treinador argentino.

O Corinthians conseguiria a recuperação e, com o interino Márcio Bittencourt e depois com Antônio Lopes, terminaria como campeão do Brasileirão em meio a uma temporada marcada pela máfia do apito no país.