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Ele foi da várzea de Salvador ao Arsenal em um ano e meio e quase foi 'roubado' pela seleção da Espanha

Reportagem publicada dia 10/05/2018


O lateral Pedro Botelho tem uma trajetória muito peculiar no mundo do futebol. O jogador de 30 anos, que defendeu o Rio Branco-PR no Estadual, saiu ainda desconhecido do Brasil e chegou aos maiores palcos do futebol mundial.

"Eu comecei no futebol um pouco tarde. Tinha quase 17 anos quando um amigo meu fez um convite para fazer testes no Figueirense, em 2007. Eu jogava na várzea em Salvador e ganhava uns trocados. Fui aprovado e fiquei por lá", disse, ao ESPN.com.br.

Em Santa Catarina, ele atuou ao lado do zagueiro Felipe Santana (ex-Borussia Dortmund) e do lateral Lucas (ex-Fluminense). Após fazer um torneio de base em Macaé, no Rio de Janeiro, seu destino começou a mudar.

"Foi minha primeira competição fora de Santa Catarina e estava o scout do Arsenal, o Sandro Orlandelli. Ele começou a me observar mais e manter contato", explicou.

"Nisso, veio uma oferta para que eu fosse treinar na Inglaterra por 15 dias para que pudessem me ver de perto no dia a dia. Graças a Deus o Figueirense topou e deu tudo certo. Gostaram bastante de mim e pouco tempo depois eu fui de vez para Londres", recordou.

Pedro mal acreditava como sua vida havia mudado em tão pouco tempo.

"Em um ano e meio saí da várzea e jogando bola com os amigos na rua, sem pretensão nenhuma de ser profissional, para treinar no Arsenal, um time com dimensão mundial. Sob comando do Arsène Wenger. O cara mudou a história da Premier League. Foi tudo muito rápido", afirmou.

Com pouquíssima experiência profissional, o brasileiro sofreu em seu começo na Inglaterra.

"Foi muito complicado porque eu não sabia falar nada de Inglês. Assim que cheguei fui conhecer a estrutura fantástica do clube. Foi uma mudança muito radical. Nesse período recebi muita ajuda do Gilberto Silva, Eduardo da Silva e Denílson, que foram muito amigos", agradeceu.

"O Arsène Wenger falava comigo o tempo todo em inglês e o Richard Law, que é funcionário do clube, traduzia para o português e ia me explicando tudo. Fiz várias pré-temporadas com eles, mas nunca joguei", afirmou.

Como não tinha passaporte europeu e nem havia defendido seleções de base para poder atuar na Premier League, Pedro Botelho foi emprestado para clubes da Espanha por cinco anos.

"Sempre que voltava ao Arsenal eu ficava na casa do Denílson. Era muito engraçado porque treinávamos de manhã e à tarde jogávamos videogame e conversávamos com o Eduardo da Silva", relatou.

"Foram momentos muito bons porque estava ao lado de grandes jogadores. Eu tentei aprender ao máximo com todos eles", relatou.

VIDA NA ESPANHA

O primeiro time que Pedro Botelho atuou profissionalmente na Europa foi o Salamanca, então na 2ª Divisão da Espanha, entre 2007 e 2009. "Foi um clube que pude aprender o futebol europeu, que é muito diferente do brasileiro", relatou.

Logo em seguida, ele passou por Celta de Vigo e Cartagena, clube no qual se firmou, fez quatro gols e quase seguiu o mesmo caminho de Diego Costa.

"Lá eu me destaquei bastante. Fui até sondado pelo treinador da seleção sub 23 espanhola para jogar. Mas como não tinha passaporte espanhol acabei não conseguindo ser convocado", lamentou.

Em 2011, foi cedido ao Rayo Vallecano.

"A torcida é fanática. É um time impressionante, muito bom de se jogar. Eles vivem futebol e são muito próximos dos jogadores, conversam sempre".

No início de 2012, o lateral ajudou o Levante a surpreender no Campeonato Espanhol. "Fizemos a melhor campanha da história do clube e terminamos na sexta posição da Liga Espanhola para jogar Liga Europa. Nessa época teve interesse do Valencia em mim, mas o Arsenal não queria me emprestar. Só queria me vender", relatou.

VOLTA AO BRASIL

No meio de 2012, Pedro Botelho voltou ao Brasil após ser vendido ao Atlhetico-PR para jogar a Série B do Campeonato Brasileiro. Depois de conquistar o acesso para a Série A, ele fez uma ótima temporada no ano seguinte, ajudando o time rubro-negro a ser vice-campeão da Copa do Brasil e ficar na terceira posição do Brasileirão.

Com isso, transferiu-se ao Atlético-MG, no qual faturou a Copa do Brasil de 2014. Como não teve muita sequência em Minas Gerais, ele foi atuar no ano seguinte por seis meses no Estoril-POR. Depois, ainda passou por Boavista-RJ, CRB-AL, Vitória, São Bento e Rio Branco-PR